domingo, 26 de abril de 2026

O bafo quente das eleições de 2026, por Ana Dubeux

Correio Braziliense

Proteger a verdade, lutar contra a desinformação e abraçar valores humanos são missões coletivas na campanha eleitoral

Já dá para sentir o sopro no cangote, como se diz no meu Nordeste. O ano voa e as eleições estão logo ali. Se as últimas duas campanhas eleitorais nos mostraram o poder das redes, das mídias sociais, do WhatsApp, além do fenômeno das fake news, nesta teremos a avassaladora presença da inteligência artificial generativa, uma ferramenta incrível, mas também usada para propagar desinformação em alta escala. Estamos correndo riscos.

Somada à polarização política exacerbada e à exposição ao excesso de informação e a todos os ruídos que isso provoca, a campanha promete ser uma prova de resistência longa, estressante, barulhenta e perigosa. O cenário mundial não é dos melhores e essa energia reverbera, provocando medo e angústia. Aqui, parece que não conseguimos superar a última eleição e já chega a próxima, animada por escândalos político-econômicos e crise institucionais entre Poderes.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Crescem riscos do controle de preços dos combustíveis

Por Folha de S. Paulo

Governo Lula quer usar receita adicional com alta do petróleo para compensar desoneração dos derivados

Alguma mitigação do choque gerado pela guerra no Irã faz sentido, mas subsídios custosos não podem se prolongar indefinidamente

Há preocupações eleitorais, sobretudo, na proposta do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de reduzir tributos sobre a gasolina e o etanol com recursos oriundos da arrecadação adicional a ser obtida pela União com as cotações mais altas do petróleo.

Desde o início da guerra no Irã, os preços internacionais dispararam —o barril Brent saltou de cerca de US$ 70 para mais de US$ 100, com picos próximos a US$ 110. Até agora, porém, a alta dos preços da gasolina se limitou a 7,5% aqui, enquanto nos Estados Unidos já se aproxima de 50%.

Será que é infeliz a nação que precisa de heróis? Por Isabel Lustosa*

Folha de S. Paulo

Conceito inclui uma contradição intrínseca: a parte humana não está dissociada do caráter extraordinário de seus atos

A vulgaridade pessoal de dom Pedro 1º e de seu ídolo, Napoleão, talvez contribua para tornar suas trajetórias mais impressionantes

artigo "’Honrar heróis’ do passado só disfarça horror antigo" (11/4), do colunista Reinaldo José Lopes, publicado nesta Folha, trouxe-me à memória a frase final da peça de Bertolt Brecht que vi na adolescência, em Fortaleza, encenada no Teatro Oficina e tendo Renato Borghi no papel título: "Galileu Galilei".

A renúncia do astrônomo às teses que vinha difundindo sobre o sistema solar, depois das ameaças da Inquisição, decepcionou seus admiradores. Entre os instrumentos de suplício que lhe mostraram e a defesa de suas descobertas científicas, ele escolheu salvar a pele.

O lugar de Flávio Bolsonaro na história de truques e estelionatos eleitorais do Brasil, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Candidato chamou de fake news reportagem da Folha que tratou de seu plano econômico

Quebras de promessas de campanha costumavam arruinar o prestígio de presidentes

Dias antes de Fernando Collor se sentar na cadeira de presidente, eu estava em uma fila de banco, como quase todo o mundo preocupado com mais um pacote econômico por vir. Uma poupança mirrada seria juntada na conta-corrente ao salário e ao 13º antecipados. Sairia de férias e temia confisco.

Perto de mim estava uma senhora miúda, que parecia de poucas posses, de lenço na cabeça como tantas mulheres então chamadas de "crentes". "O senhor acha que o homem [Collor] vai pegar o dinheiro que a gente tem na conta?" —perguntou algo assim. Respondi que temia o sequestro da poupança, mas achava difícil que mexessem "na conta".

Do petrolão ao Master: dez anos do impeachment de Dilma, por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Uma década depois, a direita novamente consegue lucrar com a onda da indignação política, mas a manobra é muito mais impressionante

As perdas causadas pelo Master mal começaram a ser contabilizadas, e podemos dizer que se trata de um escândalo da mesma ordem de grandeza

O caso Master é a melhor festa de aniversário de dez anos possível para o impeachment de Dilma Rousseff.

As perdas causadas pelo Master mal começaram a ser contabilizadas, mas já podemos dizer que se trata de um escândalo da mesma ordem de grandeza do petrolão, que parou o país por dois anos e foi a causa imediata do impeachment de 2016.

A alegria trágica das ruas, por Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

Entre nós, trágica é a absoluta falta de lucidez das classes dirigentes quanto ao mal-estar que se inflige à cidadania por meio da corrupção do Estado

Violência estrutural e desalento coletivo atestam que o trágico, além de existencial, é histórico e social

As redes mostraram: em meio ao quase colapso total da infraestrutura civil de CubaChico Buarque, que tinha ido fazer uma gravação, despediu-se num passeio frente ao mar. Dele se aproximou um grupo afro-cubano, desses que povoam as ruas de Havana com instrumentos musicais às mãos. Abraçaram-no efusivamente, pediram que cantasse. Chico soltou a voz em espanhol, acompanhado por eles ao violão e maracas. E de repente parecia que o instante alegre resgatava a nação cubana do infame bloqueio que lhe cerceia há décadas acesso a recursos energéticos, alimentos, vida normal, enfim.

Flávio Bolsonaro tem obstáculos a vencer até as urnas, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

A vida real impõe grandes desafios aos hoje favoritos nas intenções de votos para a eleição a presidente

A situação é mais difícil para o filho de Jair, que enfrenta divergências internas e resistências externas

Enquanto os pretendentes do PT e do PL figuram nas pesquisas como favoritos na eleição presidencial, a vida real impõe desafios às posições hoje de ponta de Luiz Inácio da Silva e Flávio Bolsonaro nas intenções de votos. O ponto de convergência nas dificuldades é a rejeição a ambos.

Queridas ênclises, próclises e mesóclises, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Jânio Quadros me bombardeou por três horas com dar-lhe-ias, lembrar-me-eis e enviar-vos-emos

Por que matar certas formas de escrever por serem antigas? Pound propunha fazer do velho o novo

Em 1983, repórter da Folha, fui a Guarujá entrevistar Jânio Quadros. Durante quase três horas de conversa, ele tomou uma garrafa do uísque Cutty Sark, a caubói. Eu, modestamente, dei conta de uma garrafinha gelada da vodca Wiborowa. Depois, Jânio convidou-nos a mim, ao fotógrafo e ao motorista da Folha para almoçar ("Eloá faz questão!"). O rango foi com cerveja e, após a sobremesa, Jânio serviu licores. Como tinha de voltar para o jornal e escrever a matéria, moderei nesses bebericos. Mas Jânio mandou cada gole para dentro e, ao fim da jornada etílica, continuava não apenas sóbrio como, com sua cômica voz de frango, colocando as ênclises, próclises e mesóclises com perfeição.

Angelo Agostini, por Ivan Alves Filho*

Ele foi, seguramente, um dos mais importantes artistas gráficos do Brasil no período que vai da transição da Monarquia à República, ou seja, durante boa parte do século XIX. Italiano da região do Piemonte, onde nascera em 1843, veio para São Paulo em 1859, acompanhando sua mãe, a cantora lírica Raquel Agostini.

Estamos falando de Angelo Agostini, cujos desenhos encantam ainda hoje pelo sopro libertário e alegria do traço. E também pelo pioneirismo tanto estético quanto político. Conforme salientou o respeitado historiador e crítico literário Nelson Werneck Sodré, "suas caricaturas, por vezes contundentes, puseram a nu os traços grotescos da classe dominante brasileira do tempo, suas irremediáveis mazelas, seu atraso insuportável". Autor de exatos 57 livros, versando sobre os mais diferentes domínios do conhecimento humanístico, o mínimo que se pode dizer é que Nelson Werneck Sodré sabia muitíssimo bem o que estava afirmando.

Poesia | Procura-se um amigo, de Vinicius de Moraes

p> 

Música | Nara Leão - Nega Dina (Zé Keti)