quinta-feira, 26 de março de 2026

Não se deve subestimar o perigo à democracia, por Martin Wolf

Financial Times / Valor Econômico

EUA de Donald Trump são um líder mundial em declínio democrático

A democracia corre grave perigo, em todo o mundo. Essa é a mensagem de dois conceituados relatórios recentes - um da V-Dem, da Suécia, intitulado, “Desmonte da Era Democrática?”, o outro da Freedom House, dos Estados Unidos, intitulado “A Crescente Sombra da Autocracia”. Eles apresentam dois argumentos fundamentais. O primeiro é que fenômeno chamado por Larry Diamond, de Stanford, de “recessão democrática”, iniciado há 20 anos, começa perigosamente a parecer-se mais a uma depressão democrática. O outro é que, em 2025, o governo Trump iniciou o que se revelou o declínio mais rápido na saúde de qualquer grande democracia nos últimos tempos.

De acordo com a Freedom House, “a liberdade global diminuiu pelo 20º ano consecutivo em 2025”. “Um total de 54 países passou por uma deterioração em seus direitos políticos e liberdades civis, enquanto só 35 registraram melhoras”. A V-Dem mensura esse declínio não apenas pelo número de países afetados, mas também pelo número de pessoas. Conclui que entre 2005 e 2025, a proporção da população mundial vivendo em autocracias aumentou de 50% para 74%, enquanto a que vive em verdadeiras democracias liberais, onde se oferece um leque completo de direitos civis e legais, além de eleições, desabou de 17% para apenas 7%.

Os Estados Unidos sob ameaça autoritária, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

Projeto no Congresso visa assegurar vitória do trumpismo nas eleições

Para os populistas, democracia eleitoral é apenas via para chegar ao poder

Os americanos já não vivem numa democracia liberal: eis a conclusão do instituto sueco V-Dem, que monitora e classifica as democracias do mundo segundo a saúde de suas instituições. A organização mede periodicamente como os países efetivam os princípios constitutivos do ideal democrático: eleições livres; garantia das liberdades fundamentais; participação cidadã; processos decisórios com efetiva deliberação; e igualdade política plena.

Flávio Bolsonaro moderado é conversa mole para boi dormir, por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Imagem de moderação interessa a setores da direita liberal inclinados a sacrificar a democracia em troca de gestão privatista da economia

Candidato terá que responder sobre seu reacionarismo e encrencas pregressas

O senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência pelo PL, anda vendendo uma imagem de moderado. Não vai colar. Para citar a velha canção "Touradas em Madri", isso é conversa mole para boi dormir. Estamos falando do filho 01 de Jair Bolsonaro, o líder da extrema direita brasileira, condenado e preso por tentativa de golpe e atentado à democracia e ao Estado de Direito.

A coreografia de moderado tem certo interesse. Atrai, por exemplo, simpatias da direita liberal, viúva da sempre chorada terceira via, que rejeita Lula e o PT, e tem histórico de se inclinar por projetos autoritários, na expectativa de que adotem uma linha privatista na economia. O caso mais recente foi o apoio ao próprio Jair Bolsonaro.

Legado de Cláudio Castro é chacina e corrupção, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Seu governo foi o binômio dinheiro vivo, de um lado, e gente morta, de outro

Sem fortalecer instituições, estado está fadado a repetir outros Castros

Com a maioria formada no Tribunal Superior Eleitoral para condenar à inelegibilidade o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL), na noite desta terça-feira (24) —não graças aos dois ministros indicados por Bolsonaro, também do partido de Castro—, é oportuno fazer um balanço de sua gestão. Duas palavras sintetizam o governo castrista: chacina e corrupção.

Endividamento das famílias virou risco eleitoral, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Reunião de Lula com Galípolo revela pressão em alta para juros caírem

Endividamento é turbinado por taxas elevadíssimas do cartão de crédito, que não são muito diferentes daquelas praticadas quando a Selic estava em 2%

No último ano do seu 3º mandato, o presidente Lula decidiu fazer uma cruzada contra o endividamento recorde das famílias brasileiras porque recebeu o diagnóstico de que as conquistas mais importantes do seu governo na área econômica, como a inflação em queda, o crescimento econômico e a queda recorde no desemprego, não estão sendo sentidas pela população.

A razão é o mal-estar causado pelo peso das dívidas no orçamento familiar. A queda de popularidade do presidente seria resultado da equação perversa do endividamento elevado com o escândalo do Master.

Reag, Master, BRB, Fictor: tem mais máfia no mercado? Como isso foi possível? Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Com nova operação da PF, é razoável suspeitar que possa existir mais gangues na finança

Regulação e fiscalização fracas e corruptos fortes facilitaram a ramificação do crime

Reag, Master, BRB, Fictor. Gente do comando do grupo Fictor é investigada por ter contatos com um Thiago de Azevedo, vulgo "Ralado", que tinha negócios com o "Bonde do Magrelo", braço do Comando Vermelho no interior de São Paulo. "Ralado" corrompia gente de bancos, conseguia empréstimos para empresas de fachada e, então, quebrava ou fechava as fachadas e sumia com o dinheiro. Um pequeno Master.

Há mais bancos, fundos e operadores financeiros de outra espécie que estejam prestando serviços para o crime ou que sejam eles mesmos máfias, como o Master?

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Sucessor de Castro deveria ser escolhido em eleição direta

Por O Globo

Juristas afirmam que manobra de renunciar antes da cassação pelo TSE torna inadequada escolha pela Alerj

A decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que tornou inelegível o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) trouxe incerteza sobre a escolha do novo chefe do Executivo. Temendo a cassação, Castro renunciou ao cargo na véspera do julgamento. Em caso de renúncia, a Constituição estadual determina que o governador interino — o desembargador Ricardo Couto — convoque eleição indireta para os deputados da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) escolherem o novo ocupante do Palácio Guanabara. Mas, diante da evidente manobra de Castro, renunciando ao cargo para evitar a cassação, juristas ouvidos pelo GLOBO afirmaram que a eleição deveria ser direta, já que essa é a regra quando um governador é deposto antes de seis meses do fim do mandato. O TSE, porém, reafirmou ontem a decisão pela eleição indireta.

Poesia | Esquecimento, de Mario Benedetti

 

Música | Sidney Miller canta Nós os foliões (1976)