quarta-feira, 25 de março de 2026

Pitacos sobre a circunstância, por Gilvan Cavalcanti

Já dizia o filosofo da Grécia antiga, Heráclito: “tudo flui”, resumindo a ideia do mundo em movimento. Na época medieval, o italiano Maquiavel, chamava a atenção para o mundo social e político sobre uma ‘realidade efetivamente existente” no sentido “historicista”, movimentos, mudanças.

Nos tempos modernos, Marx, relembrava que “tudo que é sólido desmancha no ar”. Parece-me que parte de nossos, jornalistas, professores, cientistas políticos, dirigentes de partidos políticos e parlamentares, que buscam interpretar a realidade política, em nosso país, não levam muito em conta essas observações.

Optaram por uma visão dicotômica, entre um chamado “governo de esquerda”, o “lulismo”, o  “lulapetismo”, versos bolsonaristas, extremismo de esquerda versus extremismo de direita. Sugerem o fim dessa “polarização”.  Como? Uma chamada “terceira via”? Nem lulismo, nem bolsonarismo? Nem extremismo de esquerda, nem extremismo de direita?

O cenário é outo. No país realmente existente, a clivagem, a divisão, a separação, não é mais entre as forças políticas dos grupos liberal e democráticos. Escolhas entre democratas. Há algo de novo no ar. Uma onda da extrema direita. Não é mais a questão das forças do atraso, - de disputas entre conservadores e progressista e dos compromissos.

Foram-se os tempos em que essas circunstâncias existiram, com atores diversos e virtudes distintas: Tancredo/Sarney (1985-1990), Collor/Itamar (1990-1994), FHC/Marcos Maciel (1995/2002, Lula/José Alencar (2003-2011), Dilma/Temer (2011-2019). Tudo Isso e mais uma Constituição democrática e cidadã com garantia individuais e direitos sociais avançados.

Aparentava-se afirmar que, após o final do regime autoritário dos militares, o país estaria no caminho de se transformar politicamente progressista.

Ainda não há um consenso sobre as causas do avanço das forças de extrema direita no Brasil. Há indicativos de que o declínio democrático não assumia a forma de golpe de Estado. Substituiu-se por um esvaziamento gradual das instituições constitucionais. Um cenário semelhante a ruptura iliberal, iniciada na Hungria em 2014, marcando a dissociação autoritária entre democracia e liberalismo. Desviando por esse caminho, estimularia outras lideranças iliberais internas, na obtenção de consenso do “senso comum”, das classes subalternas.

No período dos anos 2010/2013, já aparecia em cena, uma extrema direita bem organizada, mobilizada nas ruas, e garantiram a vitória do seu representante para presidente da República em 2018, derrotando o centro democrático 

O país está perto de um momento importante de sua história: eleição presidencial, deputados federais, dois terços de senadores, governadores e deputados estaduais.

As últimas pesquisas de opinião sinalizam uma tendência de polarização ente dois blocos políticos.

Já não é mais uma disputa entre forças do campo liberal e democrático. Escolhas entre democratas, conservadores e progressistas, referi-me lá em cima.

Foram-se os tempos em que essas circunstâncias, existiram com personalidades, atores diversos e virtudes distintas.

A democracia não morre apenas de golpe de Estado. Sua derrocada nem mais prescinde desse ato, muito embora, como testemunhamos recentemente, golpes continuem a ser tramados e executados.

O declínio democrático não assume a forma de golpe de Estado. Substitui-se por um esvaziamento gradual das instituições constitucionais.

A democracia sucumbe lentamente, sufocada pela indiferença de uma população que deixa de acreditar que o voto muda algo e pela incapacidade de seus líderes de entregar soluções para os problemas que mais importam. Vivemos esse momento.

O primeiro, e mais visível, é o crescimento de forças políticas abertamente autoritárias. Sob a retórica da liberdade, esses movimentos contestam direitos e sabotam o exercício das instituições para que funcionem como democráticas apenas por aparência.

Não se trata apenas de uma disputa eleitoral, mas de uma escolha histórica entre caminhos opostos para a democracia e para o futuro do povo brasileiro.

O primeiro objetivo político, básico: garantir a democracia.

O segundo objetivo: criar um amplo bloco democrático, disputar e persuadir o eleitorado á reeleição do atual governo. Isolar e derrotar, nas próximas eleições as forças iliberais, autoritárias.

Finalmente, não esquecer que, o trumpismo tentará influenciar, para derrotar as conquistas democráticas no país.

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