O Estado de S. Paulo
O clima está ruim, e ninguém sabe qual o caminho para sair da crise. Hoje, essa avaliação é a única unanimidade no Supremo Tribunal Federal. Sobre todo o resto, a Corte se dividiu na nova temporadado escândalo do Banco Master.
Mesmo com o bloqueio de R$ 22 bilhões em bens dos investigados, a dimensão financeira do caso ficou em segundo plano. O foco foi deslocado para o impacto político e institucional das revelações, com consequências para a dinâmica interna do Supremo.
Alexandre de Moraes perdeu apoio no
Judiciário, mas aliados ainda não soltaram a mão dele. O time de Moraes no
Supremo viu com preocupação as trocas de mensagem com Daniel Vorcaro, mas
observa o desenrolar dos fatos com cautela. Lembra que o conteúdo das conversas
não foi revelado e, por isso, evita julgamento precipitado.
Esse grupo também avalia que o presidente,
Edson Fachin, deveria se ocupar mais da defesa institucional do tribunal em
meio à crise. Nos últimos dias, a desconexão entre a demanda de parte do
Supremo e o comportamento de Fachin ficou visível.
Há duas semanas, Gilmar Mendes aproveitou o aniversário do tribunal para discursar em defesa da Corte. No plenário, lembrou o papel do tribunal em momentos cruciais para a democracia. Não mencionou os tropeços recentes de colegas.
Na terça-feira, Fachin recomendou em discurso
que o juiz se distancie dos interesses em jogo nos processos. No mesmo dia,
Flávio Dino disse na sessão da Primeira Turma que o STF acerta muito mais do
que erra. Reforçou a ideia em postagem no Instagram: “Muito mais mesmo”. Para
ele, muitos ataques sofridos pelo tribunal são motivados por “vinganças, ódios
e interesses”.
Ou seja: o grupo ligado a Moraes está mais
preocupado com a defesa do tribunal de ataques externos do que com eventuais
desacertos do colega.
Na outra ponta, ministros mais alinhados a
Fachin consideram graves os indícios de que Moraes conversou com Vorcaro no dia
da primeira prisão do banqueiro. Ainda mais no contexto do contrato milionário
que a advogada Viviane de Moraes, casada com o ministro, mantém com o Banco
Master.
A chance de Moraes sofrer alguma consequência
prática é remota por ora. A Polícia Federal não juntou ao processo que tramita
no STF nada sobre ele. Também não há no Congresso clima para abertura de uma
CPI para investigar a conduta dele, ou para a instauração de processos de
impeachment de membros do Supremo.
Nos últimos dias, Fachin procurou os colegas para conversar sobre a crise. Não apresentou uma saída nem ouviu grandes ideias dos ministros. A ordem é aguardar as próximas revelações para se pensar uma estratégia.

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