sábado, 21 de março de 2026

Manhã alvissareira, por Guto Rodrigues

Meu avô me dizia que no tempo da guerra dormia, sonhando que a manhã alvissareira traria a notícia do fim de Hitler e Mussolini.

Houve festa, multidões tomaram as ruas.

Hitler roto, derrotado se suicidou no bunker, Mussolini foi malhado e decapitado em praça pública.

Montou-se palanque, meu avô subiu e aprovou o fim do nazifascismo e exaltou a vitória do socialismo.

Morreu feliz no século passado, com a certeza de que o nazifascismo foi sepultado, pra sempre.

"Não passarão! Enquanto todos dormem. Tem alguém acordado no Kremlin, cuidando da paz".

Mas o século passado foi breve, nele mesmo, tudo foi desconstruído. Como dizia Marx, afirmado por Engels: "tudo que é sólido desmancha no ar".

O Kremlin do meu avô evaporou-se e o nazifascismo ressurgiu

Nesse novo século. Trump encarna Hitler, Netanyahu encarna Mussolini e são os flagelos da guerra, que eles mesmo inventaram.

Matam as crianças, roubam riquezas dos países pobres, bombardeiam cidades.

Matam líderes e não respeitam as leis da paz e o mundo assiste perplexo.

Ontem, achei guardado, o pijama que meu avô dormia pra sonhar, no tempo da guerra. Hoje à noite vou dormir com o seu pijama. Tomara que venha uma manhã alvissareira, por aí.

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