Correio Braziliense
As expectativas são grandes em torno do
candidato do PSD, que tem 44 anos, dois mandatos de governador no Paraná muito
bem avaliados pela população e carrega ideias novas para a política e
administração brasileiras. É o fato novo no cenário nacional
Carlos Massa, o Ratinho Júnior, será o candidato do PSD à Presidência da República. Há duas semanas, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, reuniu, em discreto restaurante na cidade de São Paulo, os três possíveis candidatos do partido e alguns dos principais consultores para organizar a participação da legenda nas próximas eleições presidenciais. O objetivo do encontro foi destacar a necessidade de manter a unidade partidária e evitar o surgimento de eventual dissidência. O exemplo utilizado para manter a unidade foi o de Ulysses Guimarães e Tancredo Neves. Os dois disputavam, dentro do mesmo partido, a Presidência da República. Tancredo Neves chegou lá e ganhou inteiro apoio de Ulysses, apoio verdadeiro, profundo, sem mágoas.
Desta forma, os dois participaram do poder.
Tancredo Neves morreu antes de tomar posse. E Ulysses foi o poderoso presidente
da Câmara dos Deputados, do MDB e da Constituinte. Frequentou as primeiras
páginas dos jornais durante todo o processo de realização da Constituição. Só
saiu de cena com sua morte, em outubro de 1992. O grupo de parlamentares que
trabalhou contra a ditadura dos militares só iria se dividir depois da
promulgação da lei da anistia. Até então, todos estiveram protegidos pela
legenda do MDB.
Nessa reunião, depois de colocada a
orientação maior para preservar a unidade, cada um dos presidenciáveis do
partido discursou. Os três defenderam com ênfase a unidade partidária,
assumiram o compromisso de defender o candidato do partido e trabalhar para que
a candidatura tenha sucesso. Ronaldo Caiado, Eduardo Leite e Carlos Massa, o
Ratinho Junior, falaram na defesa intransigente da unidade partidária. Todos
deverão caminhar juntos até a eleição, em outubro deste ano. Em seguida, o
grupo decidiu que Carlos Massa, o Ratinho Junior, será anunciado até o final
deste mês como candidato do PSD à Presidência da República. Em abril, será
realizada a convenção com objetivo de transformar a candidatura em assunto
nacional.
A expectativa dos coordenadores da campanha
de Carlos Massa é de que o candidato tenha boa votação no Rio Grande do Sul, no
Paraná e em Santa Catarina. Em São Paulo, ele vai disputar os votos com o
candidato Flávio Bolsonaro. No Centro-Oeste, Ronaldo Caiado deverá trabalhar
pelo candidato. No Nordeste e no Norte, o principal cabo eleitoral do atual
governador do Paraná deverá ser seu pai, o Ratinho, que comanda um programa de
televisão, transmitido para todo o país pelo SBT, com bons índices de
audiência.
As expectativas são grandes em torno do
candidato do PSD, que tem 44 anos, dois mandatos de governador no Paraná muito
bem avaliados pela população e carrega ideias novas para a política e
administração brasileiras. É o fato novo no cenário nacional. O candidato
Flávio Bolsonaro ainda não conseguiu começar sua campanha. Ele viajou aos
Estados Unidos em busca de alguma declaração a seu favor, mas retornou de mãos
vazias. Ainda vai começar a andar pelo país, não montou sua chapa, nem
conseguiu identificar o homem forte da economia. É o único candidato ostensivo.
Vai enfrentar pesado fogo de barragem quando começar a se movimentar. Será
convidado a explicar as rachadinhas no seu gabinete na Assembleia Legislativa
do Rio de Janeiro, a misteriosa loja de chocolates e o empréstimo conseguido
no, agora famoso, BRB para comprar uma luxuosa mansão em área nobre de
Brasília.
O presidente Lula, candidato eterno do PT,
enfrenta dificuldades. Os escândalos do Banco Master e do INSS, que
prejudicaram fortemente os aposentados em todo país, refletiram-se na
Presidência da República. As pesquisas de opinião demonstram o cansaço do
eleitor com as ideias e soluções propostas pelo PT, o partido que realizou
severo aumento de impostos e penalizou toda a sociedade. Há um sentimento
latente anti-PT, já revelado na última eleição. O eleitor esteve preso dentro
do radicalismo nacional. A proposta do candidato do PSD oferece outras soluções
além da confrontação entre a direita obtusa e o sindicalismo de resultados.
Mas o ano de 2026 contém ingredientes
imprevisíveis. As ações aparentemente descoordenadas de Donald Trump, no
comando dos Estados Unidos, estão modificando as relações entre os países,
inclusive aqueles tradicionalmente aliados. É possível que o norte-americano
tente influir na eleição brasileira. Daren Beattie, assessor especial de Trump,
pretendia visitar Jair Bolsonaro na prisão. O governo brasileiro não permitiu.
Washington já mostrou ser capaz de sequestrar o presidente da Venezuela,
condenar Cuba a um terrível isolamento e bombardear sem aviso prévio o Irã. O
mundo de Trump é confuso, oscila segundo seus devaneios. Imprevisível e
inconsequente. É preciso estar atento aos caprichos que vêm do Norte.

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