sexta-feira, 15 de maio de 2026

Prisão eleva pressão por delação ampla, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Até agora, Daniel Vorcaro ofereceu menos do que os investigadores da PF já sabem

Com a prisão preventiva do pai, Henrique Vorcaro, aumentou muito a pressão sobre Daniel Vorcaro. Se quiser livrá-lo da cadeia, o ex-dono do banco Master vai ter de oferecer muito mais do que tem colocado até agora na mesa.

Preso desde novembro do ano passado, Vorcaro vem negociando com as autoridades uma delação premiada – sem sucesso. Até agora, ofereceu menos do que os investigadores da Polícia Federal já sabem.

A legislação brasileira veda a prisão de parentes para forçar alguém a delatar. O problema para Vorcaro é que esse está longe de ser o caso. O pai ficou tão envolvido quanto ele na trama criminosa.

Henrique Vorcaro é suspeito de seguir pagando os capangas contratados pelo filho, mesmo depois de sua prisão. Há mensagens extraídas de celulares em que ele combina pagamentos de R$ 400 mil ao mês e R$ 75 mil. Os grupos criminosos têm nomes sugestivos: “A Turma” e “Os Meninos”.

Junto com Fabiano Zettel, o cunhado e operador financeiro, que também está preso, a família Vorcaro formou o que o Brasil poucas vezes conseguiu desbaratar: criminosos do “colarinho-branco” com uma organização típica de máfia.

Eles cooptaram não só funcionários públicos e políticos. As novas revelações da sexta fase da Operação Compliance Zero mostram que faziam parte do grupo criminoso também policiais federais, hackers e bicheiros do Rio de Janeiro.

O ecossistema de Vorcaro acumula todo o tipo de suspeita de contravenção: invasão de sistemas públicos, corrupção de agentes públicos, ameaçar pessoas, destruir reputações, etc.

Os criminosos atuavam com desenvoltura no mundo real e virtual. As evidências são fartas e a contemporaneidade, a gravidade e a periculosidade da conduta tornam muito difícil contestar a prisão preventiva de Henrique Vorcaro. Ele deve seguir preso, assim como o filho e o genro. Sua saída também seria uma delação.

Para serem aceitas, todas as delações devem percorrer alguns passos. Primeiro, serem referendadas pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e pela Polícia Federal. Depois, passarem pelo crivo do relator, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça.

Caso sejam rejeitadas pelo relator, Vorcaro e seus parentes poderiam recorrer à Segunda Turma do Supremo. Dada a quantidade de políticos e até de ministros do próprio tribunal que as delações podem envolver, não se descartam entendimentos diferentes do relator e da Turma.

Mas qual seria o impacto para a imagem do STF de uma delação esvaziada?

 

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