Folha de S. Paulo
Pesquisas sugerem que eleição presidencial
será mais uma vez plebiscitária
Polarização se mantém porque eleitor responde
mais ao medo do que à esperança
Como sempre digo, tudo o que não é proibido pelas leis da física pode acontecer. Não sou eu, portanto, quem vai cravar que uma candidatura da chamada terceira via está fadada ao fracasso. Receio, porém, que não sejam grandes as chances de algum postulante não identificado nem com o governismo nem com o bolsonarismo romper a polarização.
O destaque da última leva de pesquisas eleitorais
foi o empate, técnico ou numérico, entre Lula e Flávio
Bolsonaro nas simulações de segundo turno. No Datafolha,
o petista ficou com 46% contra 43% do primogênito do ex-presidente que cumpre
pena por golpe. A margem de erro é de dois pontos percentuais para cima ou para
baixo. Mas o que me chamou mesmo a atenção no levantamento foi que Ratinho Jr.,
que não é tão conhecido fora do Paraná e do círculo dos muito interessados em
política, tenha um desempenho não muito diferente do de Flávio. Num putativo
segundo turno com Lula, o governador do Paraná marcaria 41% contra 45% do
presidente.
Minha leitura é que vai pintando um quadro em
que brasileiros nos dividiremos entre os que farão qualquer coisa para evitar
que um Bolsonaro volte a subir a rampa do Palácio do Planalto e os que topam
tudo para tirar o PT desse mesmo logradouro. E essa é uma dinâmica difícil de
quebrar porque nossos cérebros, moldados no Pleistoceno, se empenham mais em
evitar o que percebem como perigo do que em promover o que julgam ser positivo.
Experimentos de economia comportamental mostram que a aversão ao risco é uma
força psicológica duas vezes mais poderosa do que o desejo por recompensa de
mesmo valor. O medo motiva mais que a esperança.
O interessante é que há um remédio matemático
que nos ajudaria a superar a polarização. Poderíamos trocar a eleição em dois
turnos, que, aliás, estimula a polarização, por um sistema de votação
valorativo (em que o eleitor dá notas aos candidatos) ou preferencial (em que
os ranqueia). Mas não vejo chance de isso acontecer. Por aqui, desconfia-se até
da urna eletrônica.
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