O Estado de S. Paulo
Banqueiro do Master erra feio ao temer mais Flávio e Ciro do que a PF e a PGR
O presidiário e ex-banqueiro Daniel Vorcaro
erra feio ao jogar fora a chance de reduzir sua pena por temer mais o senador
Ciro Nogueira e o ainda précandidato Flávio Bolsonaro do que a Polícia Federal
e a Procuradoria-Geral da República. Um erro de cálculo que pode lhe custar
décadas atrás das grades e no fundo do precipício.
Vorcaro já deu tudo o que tinha de dar e já recebeu tudo o que tinha de receber de Ciro Nogueira e de Flávio Bolsonaro, que estão em viés de baixa, como se diz na economia, e bastante encrencados, do ponto de vista político e policial.
Ciro, que foi chamado de “coração” do governo
pelo próprio então presidente Bolsonaro, tem chance zero de voltar à chefia da
Casa Civil ou aos palácios em qualquer situação, mas alta chance de se tornar
inelegível e de ocupar, logo, logo, uma cela prontinha para ele pela PF.
E apostar na candidatura de Flávio se tornou
tão arriscado como foi investir no Master, depois dos áudios e do dinheiro para
o filme do pai e das mentiras, que remetem a rachadinhas, mais de cem imóveis
da família, 51 pagos em dinheiro vivo e uma mansão de R$ 6 milhões em Brasília.
Por que raios, então, Vorcaro cala sobre eles? Lealdade inexiste nesse mercado.
Já a PF está cheia de provas, nomes,
esquemas, valores e áudios, e a PGR não tem motivos para passar a mão na cabeça
do ex-banqueiro. Ou será que tem, STF? A PF já desdenhou da delação de Vorcaro,
que só teria valor – e prêmio – se acrescentasse o que não sabem. Mas a PGR
ainda não e ele está renitente.
Enrolado até o último fio de cabelo nos
variados crimes do Master, Vorcaro tem um único caminho para reduzir os anos de
pena: contar tudo sobre todos. Na sua primeira tentativa de delação premiada,
porém, ele perdeu tempo tentando se justificar, passar de peão no tabuleiro e
esquecer as mesadas para Ciro Nogueira e a proximidade com o “irmão” Flávio.
Ciro e Flávio não lucram nada, porque PF, PGR
e o País já sabem de tudo, mas Vorcaro tem muito a perder e deveria olhar o
caso do tenente-coronel Mauro Cid que, na tentativa de golpe, desistiu de
salvar quem já estava queimado e cuidou da própria pele, em vez de contar os
cabelos brancos na prisão.
A aposta nos bastidores da PF é de que, cedo
ou tarde, na cela especial ou na comum, Vorcaro vai seguir os que o antecederam
no mesmo dilema e abrir a boca. Com a PF dando as costas para a delação de
Vorcaro e a PGR na linha de frente, a grande dúvida não é se o filho do sr.
Henrique vai falar, mas o que vai dizer sobre ministros do STF. Flávio e Ciro
são favas contadas, mas Vorcaro e toda a encrenca estão nas mãos do Supremo.

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