segunda-feira, 18 de maio de 2026

Crises em série com Master interrompem maré positiva de Flávio e testam campanha bolsonarista, por Carolina Linhares

Folha de S. Paulo

Há 15 dias, senador dizia que governo Lula (PT) havia acabado e agora se vê na defensiva

Políticos afirmam que disputa se reequilibrou com reação do Planalto

Em menos de uma semana, a revelação de três casos ligando a pré-campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Banco Master interrompeu a maré positiva do presidenciável, que passou a jogar na defensiva em um contexto de reação do presidente Lula (PT).

Enquanto comemoravam a consolidação do filho de Jair Bolsonaro nas pesquisas entre dezembro e março, seus aliados ponderavam que a campanha não estava exposta, ainda, à artilharia mais pesada da esquerda e havia conseguido desviar de desgastes. Portanto, não tinha sido devidamente testada —até aqui.

Em 29 de abril, quando a indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal) foi rejeitada, Flávio afirmou que o governo Lula havia acabado. Dias antes da exposição das conversas entre o presidenciável e Daniel Vorcaro, o senador pregava em suas redes que "o Banco Master é do Lula", dizeres que estampavam sua camiseta em um comício em Florianópolis. Mas a disputa se reequilibrou rápido, afirmam integrantes do centrão.

Das 11 ilhas às facções judiciais no STF, por Marcus André Melo*

Folha de S. Paulo

Surgiram coalizões defensivas em torno da proteção de interesses individuais e da resistência a mecanismos de accountability interna da corte

Trata-se de uma forma nova de politização judicial mais ligada à internalização de disputas sobre reputação

diálogo ríspido entre o ministro Gilmar Mendes e o presidente do STF, Edson Fachin, é revelador de tensões profundas no interior do tribunal e aponta a emergência de "facções judiciais" no âmbito da corte. "Está ficando muito feio, Fachin. Barroso não gostava de perder, mas era mais elegante do que você e reconhecia o resultado. Você não: é mau perdedor, interrompe o jogo e leva a bolinha para casa ao ver que vai ser derrotado", teria afirmado Gilmar.

A discórdia teve origem na decisão de Fachin de estabelecer que petições apresentadas em casos arquivados devem ser previamente validadas pela presidência do STF antes de serem encaminhadas ao ministro relator. Desarquivá-los seria uma teratologia jurídica. Na mensagem enviada ao presidente do Supremo, Gilmar ainda o acusou de atuar como um filibuster —isto é, um agente de obstrução procedimental.

O limite eleitoral das emendas orçamentárias, por Lara Mesquita

Folha de S. Paulo

Na cidade grande, emenda parlamentar se dilui no orçamento, na paisagem e na disputa por crédito

Força eleitoral não deve ser superestimada porque as pequenas cidades concentram parcela limitada do eleitorado

Até aqui, o debate sobre as eleições gerais de outubro tem se concentrado na disputa presidencial. O tema da semana é se a candidatura de Flávio Bolsonaro vai ser afetada por seu envolvimento com Daniel Vorcaro e o caso do Banco Master. Fala-se pouco das proporcionais, embora a renovação da Câmara seja decisiva para a correlação de forças do próximo governo.

Para muitos analistas, a eleição para deputado federal em 2026 será também um teste da força eleitoral das emendas parlamentares. Fala-se que as emendas serão centrais na estratégia de conexão dos parlamentares com suas bases.

O que vale mais: a ganância ou o direito constitucional? Por Ana Cristina Rosa

Folha de S. Paulo

Conquistas importantes vêm sendo obtidas pelos movimentos sociais negros a respeito da contribuição para a formação do RS

Na contramão da mobilização por reparação famílias quilombolas estão sendo acuadas por conta da especulação imobiliária.

Rio Grande do Sul, minha terra natal, possui uma população negra significativa (22%, pelo IBGE), com destaque para as cidades de Pelotas e Porto Alegre, a capital. Mas o descompasso entre a realidade e a historiografia oficial criou no imaginário coletivo a falsa ideia de um estado povoado só por descendentes de imigrantes europeus.

Felizmente, o tempo tem se mostrado "o senhor da razão" e, com ele, conquistas importantes vêm sendo obtidas (a duras penas, é verdade) pelos movimentos sociais negros a respeito da contribuição negra para a formação do RS —e do Brasil. Há alguns dias, a Folha publicou que, depois de 20 anos de luta, o cerro de Porongos, no interior gaúcho, está prestes a ser reconhecido como patrimônio histórico nacional. O tombamento, realizado pelo Iphan, deve ocorrer ainda em 2026 e recairá sobre uma paisagem de três hectares de vegetação nativa do pampa.

Mais palavras na ponta da língua, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Leitores ficaram sem palavras para expressar seu entusiasmo pelo dicionário de 500 páginas em branco

Seria o único a poder ser usado livremente em provas e concursos sem suspeita de favorecer fraudes

Na segunda-feira (11/5), falei aqui do "Grande Dicionário de Palavras na Ponta da Língua", que o poeta Antonio Carlos Secchin, meu colega de Academia Brasileira de Letras, está cogitando produzir, composto das palavras que de repente nos fogem quando as tínhamos na ponta da língua. Seria um livro de 500 páginas em branco, por ser formado justamente dessas palavras que nos escapam quando mais precisamos delas. Inúmeros leitores aprovaram a ideia e se disseram sem palavras para expressar seu entusiasmo.

Por que o Brasil não tem um projeto nacional, por Luiz Carlos Bresser-Pereira*

JE – Jornal dos Economistas, nº 440, abril 2026 - Corecon-RJ e Sindecon-RJ.

O Brasil não tem um projeto de nação desde os anos 1980, quando seu desenvolvimento acelerado foi interrompido pela grande crise da dívida externa e a alta inflação inercial que se seguiu. Não tem e não quer tê-lo, porque suas elites econômicas e políticas império-dependentes insistem a se subordinar inteira mente ao Império. 

Entre 1930 e 1980, o Brasil se industrializou e realizou sua Revolução Capita lista adotando uma estratégia nacional--desenvolvimentista, que passou a contar com uma fundamentação teórica a partir de 1949, com o surgimento da teoria estruturalista latino-americana de Raúl Prebisch e Celso Furtado. 

Naquela época, o projeto nacional de desenvolvimento do país era a industrialização. Estava então claro para todos, exceto alguns liberais recalcitrantes, que o liberalismo econômico havia sido der rotado pela Grande Depressão dos anos 1930 nos Estados Unidos e ficara mais uma vez demonstrado que a ideologia da burguesia por excelência – o libera lismo econômico – era incapaz de pro mover o desenvolvimento sustentado de qualquer país e principalmente daqueles que estavam iniciando seu processo de industrialização, cuja necessidade para o desenvolvimento o liberalismo econômico rejeitava. 

Morre Noca da Portela aos 93 anos

Por O Globo — Rio de Janeiro

Velório de Noca será na Portela, diz família do sambista

Compositor morreu aos 93 anos depois de contrair pneumonia no hospital; ele estava internado para tratar infecção urinária

O velório de Noca da Portela será na escola de Madureira que ele defendeu durante toda a vida como compositor. A informação foi confirmada pela família do sambista ao GLOBO.

— Ainda não há horário confirmado, mas vamos divulgar nas redes sociais — disse Solange, filha de Noca, por telefone.

Noca da Portela morreu neste domingo, aos 93 anos. Segundo a família, ele contraiu uma pneumonia hospitalar. Ele estava internado no Hospital da Assim, em São Cristóvão, Zona Norte do Rio, para tratar de uma infeção urinária.

"O G.R.E.S. Portela lamenta, com profundo pesar, o falecimento do cantor, compositor e instrumentista Noca da Portela, um dos grandes nomes da nossa história", escreveu a escola em post no Instagram.

Poesia | De que riem os poderosos? de Affonso Romano de Sant'Anna

 

Música | Noca da Portela - Beco sem saída