Correio Braziliense
Proteger as mulheres é um compromisso de
todos e não admite ambiguidades. Compromisso, aqui, é responsabilidade
assumida, traduzida em políticas, práticas, recursos, protocolos, formação e
resultados
Este 8 de Março, Dia Internacional das
Mulheres, exige uma reflexão coletiva. Ao longo de mais de um século, a data se
consolidou como um marco mundial de luta por direitos, igualdade e dignidade.
Ainda assim, mais do que celebrar conquistas, é preciso olhar com seriedade
para os desafios que ainda persistem, entre os quais a violência contra as
mulheres. Nesse contexto, as instituições têm papel fundamental na construção
de ambientes seguros, livres de assédio e promotores da equidade de gênero.
A Universidade de Brasília (UnB) existe para formar pessoas, produzir conhecimento e servir à sociedade. E servir à sociedade, neste momento histórico, implica afirmar com clareza: a violência contra a mulher é uma violação de direitos e configura uma falha institucional quando não é prevenida, acolhida e enfrentada com rigor.
Proteger as mulheres é um compromisso de
todos e não admite ambiguidades. Compromisso, aqui, é responsabilidade
assumida, traduzida em políticas, práticas, recursos, protocolos, formação e resultados.
É a capacidade de assegurarmos que mulheres possam estudar, trabalhar, circular
e existir com dignidade, sem medo e sem coerção e que, diante de qualquer
violência, encontrem acolhimento qualificado, orientação, proteção e resposta
institucional efetiva.
É importante reconhecer que a violência
contra a mulher não se resume à ação de agressores. Ela também se alimenta de
mecanismos sociais e institucionais de tolerância e silenciamento. Quando o
assédio é relativizado, quando denúncias são recebidas com descrédito até
transformar o direito em desgaste, cria-se um ambiente de permissividade. E a
permissividade, nesse campo, tem consequências graves.
Falar em proteção exige tratar de duas
dimensões inseparáveis: prevenção e resposta. A UnB, situada no centro político
do país, tem uma responsabilidade ainda mais sensível nesse debate. Por isso, a
universidade precisa ser exemplar no sentido mais responsável da palavra: não
porque esteja imune a problemas, nenhuma instituição está, mas porque tem o dever
de enfrentá-los com transparência, método e responsabilidade.
A contribuição de uma universidade pública
para o enfrentamento da violência contra as mulheres combina a produção de
conhecimento, a formação de profissionais tecnicamente preparados e eticamente
comprometidos e o trabalho em rede com a sociedade. Na Universidade de
Brasília, esse compromisso tem se traduzido em ações concretas.
Ao longo de 2025, reafirmamos
institucionalmente o princípio de tolerância zero para assédios e violências de
gênero. A universidade também fortaleceu iniciativas de orientação à comunidade
acadêmica, com produção de materiais educativos que ajudam a reconhecer
situações de violência e indicar caminhos de apoio. Avançamos no fortalecimento
dos mecanismos institucionais para responder às denúncias, com capacitação de
equipes, aprimoramento de fluxos administrativos e revisão de normas internas.
Nenhuma medida isolada resolve um problema estrutural como a violência de
gênero. Mas ações contínuas e consistentes produzem efeitos concretos: reduzem
silêncios, favorecem redes de proteção e qualificam respostas institucionais.
O 8 de Março nos lembra que a luta por
igualdade e segurança para as mulheres não é episódica nem simbólica. É
permanente. E exige o compromisso ativo de instituições e da sociedade. A
violência contra a mulher é um problema público. Proteger as mulheres é um
dever institucional e um compromisso democrático. Não é concessão: é direito.
Neste ano, a UnB reafirma esse compromisso
por meio da campanha #8M 2026 — Nenhuma a menos: mais vozes, mais acolhimento.
A iniciativa busca ampliar debates, dar visibilidade às pautas das mulheres e
fortalecer o compromisso institucional com a igualdade de gênero e com o
feminicídio zero. Afinal, a violência contra as mulheres costuma seguir um
percurso bem conhecido: começa com desrespeito, intimidação ou assédio, avança
para formas mais graves de violência e, quando não é interrompida, pode chegar
ao feminicídio. Por isso, prevenir, acolher e agir são tarefas inseparáveis.
A mobilização da Universidade de Brasília se
conecta às ações do governo federal e ao Pacto Nacional firmado pelos Três
Poderes da República para prevenir e enfrentar a violência contra as mulheres.
Ao somar vozes, fortalecer redes de acolhimento e afirmar que nenhuma mulher
pode ficar para trás, reforçamos que proteger mulheres é uma responsabilidade
pública e um compromisso permanente da democracia brasileira.
*Rozana Reigota Naves — reitora da Universidade de Brasília (UnB)

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