O Estado de S. Paulo
Muito blablablá. Muitas notas truncadas, com negativas de alcance limitado, em que os não ditos se impõem – e para o que se usou até a Secretaria de Comunicação do STF. Para catimbar. Alexandre de Moraes não nega que falara com Daniel Vorcaro no dia em que o banqueiro foi preso. Por que Moraes falava com Vorcaro no dia em que o banqueiro seria preso?
Segundo o direito xandônico, qual critério sentenciador Xandão aplicaria a Moraes, tendo o ministro apagado as respostas a Vorcaro? “(...) O ato de apagar dados do celular também indica uma consciência sobre a ilegalidade dos atos praticados pelo agente, na medida em que, se o indivíduo tivesse plena convicção de sua inocência, não teria motivos para eliminar registros que poderiam confirmar sua versão dos fatos. A destruição de provas, nesse contexto, reforça a percepção de que havia algo a esconder.” Assim escreveu Xandão para condenar Débora “do batom”.
Pelo direito xandônico, Moraes destruiu
provas e teria algo a esconder. Em vez de puxar a carta supertrunfo – a que
interdita o debate – do 8 de janeiro permanente, a do, “se criticar, o golpe
vem”, tudo tornado ataque ao STF salvador da pátria, seria agora o momento,
sempre sob a lógica invertida do código xandônico, de Moraes apresentaro que
respondeu a Vorcaro para lhe rechaçar o assédio.
Poderia até ser algo humano, que contemplasse
a nossa fraqueza: “O senhor está me estranhando. Está confundindo as relações.
Não é porque tem o escritório de minha esposa sob contrato de R$ 3,6 milhões
mensais, nem porque fumamos charutos na sua casa, que pode me abordar dessa
forma, como se lhe devesse algo. Não sou seu prestador de serviços”. (Xandão
teria mandado prender o interlocutor no ato.)
Por que Vorcaro tratava com Moraes no dia em
que seria preso, não sendo o ministro um de seus advogados? Por que Vorcaro
tratava com Moraes no dia em que seria preso, sabedor o banqueiro – em função de
sua milícia ter violado o sistema da PF – de que existia um inquérito na
Justiça Federal do DF e talvez de que medidas cautelares contra si já haviam
sido autorizadas? “Conseguiu ter notícia ou bloquear?” – cobrou Vorcaro a um
ministro do Supremo. O dono do Master tinha milhões de razões para acreditar
que aquele que bloqueara o X/Twitter no Brasil poderia ajudá-lo a bloquear
qualquer coisa. Não jogavam vôlei.
Esqueça-se do conteúdo das mensagens de
Vorcaro a Moraes conforme divulgado por Malu Gaspar, material “extraído e
periciado” pela PF. Finjamos que não foi Moraes que Vorcaro pressionou sobre se
conseguira “bloquear”. Por que Moraes, não lhe sendo advogado, falava com
Vorcaro no dia em que o banqueiro seria preso? Esqueça-se de que conversaram
naquele 17 de novembro – o que nem o ministro nega. Por que conversavam? Por
que conversariam um ministro do STF e Vorcaro? Esqueça-se também da existência
do contrato de R$ 130 milhões – valor que permanece inexplicável – do
escritório da mulher do ministro com o banco do investigado. Do que tratavam? •

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