Folha de S. Paulo
Datafolha corrobora a sensação de que a
disputa presidencial de outubro será acirrada
Fatores econômicos são fundamentais, mas
narrativas também poderão se mostrar decisivas
O Datafolha meio
que confirma o que já se suspeitava. A eleição
presidencial deste ano deverá ser mais uma vez bastante
disputada, opondo ao que tudo indica Lula a Flávio
Bolsonaro.
Temos dois grandes blocos de tamanhos comparáveis. O primeiro é composto por petistas convictos e pessoas com simpatias pela esquerda. A eles se soma o contingente dos eleitores que não estão tão enamorados de Lula, mas não hesitam em sufragar seu nome para evitar que um Bolsonaro volte ao Palácio do Planalto. O segundo bloco é constituído por bolsonaristas irredutíveis e direitistas genéricos, aos quais se aliam os que topam tudo para tirar o PT do poder.
Isso significa que a eleição acabará sendo
decidida por uma fatia de não mais de 5% do eleitorado que não apresenta
lealdades tribais automáticas nem semiautomáticas, podendo pender para qualquer
lado. Essa turma responde principalmente a fatores econômicos, mas, quanto mais
apertado for o pleito, maior a chance de elementos mais diáfanos como as
narrativas em torno dos postulantes desempenharem papel decisivo. Quanto mais
simetricamente a população se divide, maior o espaço para marqueteiros,
influenciadores e até agentes externos, governos e empresas.
Nos últimos meses, já assistimos a um vaivém
de números. Até meados do ano passado, Lula parecia estar nas cordas, depois se
tornou franco favorito e agora vai pintando um quadro de virtual empate. Acho
que o pano de fundo é mesmo o de uma disputa acirradíssima, que será definida
nos detalhes.
Por contribuição do destino, calhou de
enfrentarmos várias situações que ampliam a incerteza. No front externo, uma
guerra que pode ter impactos inflacionários. No interno, dois megaescândalos
que deixarão mortos e feridos, embora ainda não dê para saber qual lado sofrerá
mais baixas. No plano pessoal, ambos os candidatos estão cheios de esqueletos
no armário.
O Brasil dificilmente sairá melhor do próximo
pleito, mas a diversão está assegurada nos próximos meses.
.jpg)
Nenhum comentário:
Postar um comentário