O Estado de S. Paulo
A melhora das contas externas virou um diferencial da economia do País em meio à guerra no Irã
As contas externas passaram a ser uma das principais âncoras da economia brasileira desde que a guerra no Irã aumentou a tensão nos mercados globais, fazendo disparar os preços do petróleo e de outras matérias primas. Com uma das taxas de juros mais elevadas e um dos mais baixos déficits em conta corrente entre os países emergentes, o Brasil atraiu um grande fluxo do capital estrangeiro em busca de refúgio, em meio à turbulência geopolítica, levando à valorização do câmbio.
A balança comercial tem sido crucial para a
melhora nas contas externas do Brasil. Em abril, o superávit comercial foi de
US$ 10,5 bilhões, quase 38% a mais do que em igual mês de 2025. Também em
abril, as exportações atingiram o recorde histórico para o mês: US$ 34,1
bilhões. Esse desempenho foi influenciado não somente pela alta nos preços do
petróleo, como também pelo aumento das vendas do produto pelo Brasil,
favorecido pela restrição de oferta com a interrupção do fluxo de petroleiros
no Estreito de Ormuz. Também contribuíram para o maior superávit comercial os
embarques de soja. Aliás, petróleo e soja representam quase 40% das exportações
brasileiras.
Não à toa, os analistas vêm revisando para
cima tanto o saldo da balança comercial quanto o déficit em conta corrente do
Brasil em 2026. Antes do início da guerra no Irã, o consenso das estimativas
para o superávit comercial era de US$ 68,4 bilhões, conforme a pesquisa Focus.
Agora, está em US$ 75 bilhões. O banco Itaú projeta um saldo de US$ 80 bilhões,
enquanto o BTG Pactual prevê US$ 90 bilhões em 2026 – e o risco é de o número
final superar esse patamar, com a possibilidade de o preço do barril do Brent
permanecer em nível elevado por um período mais longo e a perspectiva de maior
produção de petróleo pelo Brasil. O reflexo sobre as contas externas do País
seria relevante. Os economistas da XP estimam redução do déficit em conta
corrente de 3% do PIB em 2025 para 2,1% neste ano.
“Embora a balança comercial já esteja
mostrando aceleração relevante na margem, essa melhora ainda não se refletiu
integralmente no fluxo comercial”, explicaram os analistas do BTG, em nota a
clientes, ao revisarem a projeção para o dólar no fim do ano de R$ 5,20 para R$
4,90. “À frente, há espaço para fortalecimento adicional do fluxo cambial à
medida que o segmento comercial incorpore de forma mais plena a melhora da
balança.”
Se o risco fiscal piorou nos últimos meses, com a proximidade da eleição presidencial, a melhora das contas externas vem compensando esse estresse do mercado.

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