quinta-feira, 7 de maio de 2026

O trabalho infantil do Zema, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Ex-governador de Minas ajuda Flávio Bolsonaro a parecer mais palatável ao eleitorado

Zema já criticou restrições ao trabalho infantil e chamou beneficiários do Bolsa Família de imprestáveis

O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) está fazendo um ótimo trabalho para que Flavio, o outro presidenciável que já foi denunciado por rachadinha e elogiou milicianos como um "novo tipo de policiamento", pareça palatável quando não o é. Zema tem defendido posições extremistas em sua pré-candidatura à presidência que fazem qualquer Delfim Moreira, presidente entre 1918-1919 que tinha fama de ter alucinações, parecer um político são e equilibrado.

Até o momento, Zema já defendeu que trabalho infantil não deveria ser proibido no Brasil, considerando "lamentável" quem reclama que se "está escravizando a criança"; classificou beneficiários do Bolsa Família de uma "geração de imprestáveis" e "marmanjões" que preferem ficar em casa a trabalhar; e que idosos deveriam contribuir por mais tempo antes de se aposentarem sem cravar quando isto seria.

As falas de Zema não são apenas cortes feitos para viralizar nas redes sociais, são mentiras que desvirtuam problemas reais atrás de uma cortina de fumaça. Minas Gerais, ocupa o segundo lugar no ranking de denúncias de trabalho infantil do Ministério Público do Trabalho, sendo 918 em 2025, mais do que o dobro do que em 2021 (429). Zema mente sobre o Bolsa Família: em 10 anos, 60,7% dos beneficiários conseguiram deixar o programa, longe de serem o estereótipo propagado por Zema.

Com apenas 4% das intenções de voto no Datafolha de meados de abril, Zema sabe que não vai ganhar a eleição, mas confia que pode ganhar, ao menos, projeção num mundo digital em que posições extremistas são recompensadas com visibilidade. Zema dobrou o engajamento e triplicou o número de publicações no mês de abril, crescendo 56% nas redes, segundo levantamento da consultoria Datrix.

Zema, o governador que deixou o cargo com um rombo nas contas públicas de R$ 11,3 bilhões e cujo alto escalão foi alvo de operação contra esquema de corrupção de licenças ambientais, preciso explicar, antes de polemizar, o seu deplorável trabalho na gestão pública.

 

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