domingo, 12 de abril de 2026

Dois caminhos para a prosperidade, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Livro investiga as causas profundas da divergência Ocidente-Oriente

Organizações baseadas em regras universais deram vantagem à Europa

"Two Paths to Prosperity", de Avner Greif, Joel Mokyr e Guido Tabellini, é uma obra de fôlego, daquelas que encantam os que gostam de entender as causas profundas de fenômenos históricos. O trio de autores se propõe a explicar nada menos do que a Grande Divergência, o processo pelo qual o Ocidente (Europa e EUA) consegue a partir do século 19 superar o Oriente (principalmente a China) em termos de riqueza e desenvolvimento científico.

A explicação clássica é simples: Revolução Industrial. Mas o bonito no estudo da história é que respostas sempre engendram novas perguntas. Por que a Revolução Industrial ocorreu na Europa e não na China? Aí cabem diversos tipos de explicação, que vão do acesso a recursos naturais ao nível de fragmentação política, passando pela capacidade de reis de exercer a censura. E aí, de pergunta em pergunta, os autores recuam ao ano 1000, quando emergem instituições culturais que se mostraram definidoras.

A organização social e familiar na Europa baseou-se principalmente no que eles chamam de corporações, como guildas, universidades e cidades autogeridas. Esse tipo de organização favorecia a cooperação entre indivíduos não aparentados com base em regras universais. Já a China se fiou mais nos clãs. Neles, o pertencimento ao grupo não é uma escolha, mas herança genética. Essa estrutura não impediu a China de criar um sistema meritocrático que logrou grandes conquistas científicas. O confucionismo atuou na maior parte do tempo em simbiose com os clãs.

No contexto específico do século 19, porém, o modelo corporativo europeu funcionou melhor para promover as inovações características da Revolução Industrial.

O livro é erudito e os argumentos parecem sólidos. Talvez por ter sido escrito a seis mãos, pareceu-me repetitivo, mas não chega a ser um problema.

Os autores especulam um pouco sobre o futuro. Eles não caem no vício de outros economistas institucionalistas de decretar que, sem liberdade, a China está condenada ao atraso científico e tecnológico.

 

 

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