quarta-feira, 27 de maio de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

PEC que extingue escala 6x1 criará novos problemas

Por O Globo

É inevitável piora no desemprego e na informalidade. Compensação para MEIs desvirtua programa ainda mais

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala de seis dias de trabalho por um de descanso, ou 6x1, avança com rapidez no Congresso. O relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), apresentou parecer garantindo dois dias de folga e reduzindo a jornada máxima de 44 para 40 horas, mantendo o salário atual. A previsão é que a PEC seja votada em plenário nesta semana. A medida é eleitoreira, o debate tem sido raso, e os estragos para a economia e o mercado de trabalho serão enormes.

Foto com Trump não livra Flávio do Master, por Vera Magalhães

O Globo

Encontro protocolar com presidente americano está longe de conseguir encerrar um roteiro bem mais intrincado que o de 'Dark Horse'

Flávio Bolsonaro foi a Washington para tentar virar a página da crise desencadeada em sua pré-campanha pela descoberta das relações de “irmão” com Daniel Vorcaro. Volta com uma foto protocolar ao lado de Donald Trump, mas longe de conseguir virar a página de um roteiro bem mais intrincado que o de “Dark Horse”, a produção alegadamente milionária sobre a vida de seu pai.

Para conseguir o encontro na Casa Branca, Flávio contou com a ajuda do time avançado do bolsonarismo nos Estados Unidos, integrado por seu irmão Eduardo e pelo fiel escudeiro Paulo Figueiredo. A viagem também parece ter sido providencial para a turma alinhar as versões até aqui completamente desencontradas para o repasse de pelo menos R$ 61 milhões (ou US$ 10 milhões) de Vorcaro ao pré-candidato do PL.

Encontro com Flávio representa entrada oficial de Trump no processo eleitoral brasileiro, por César Felício

Valor Econômico

Para quem tinha alguma dúvida, senador é o candidato da Casa Branca para a sucessão de Lula

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entrou de maneira oficial, na terça-feira (26), na campanha presidencial brasileira. É até o momento o principal cabo eleitoral do senador Flavio Bolsonaro (PL-RJ) fora do âmbito partidário. Proporcionou a Flávio, no pior momento de sua pré-campanha, a “photo opportunity” que nenhum hierarca do Centrão ou governador aliado criou. Flávio, para quem tinha alguma dúvida, é o candidato da Casa Branca para a sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Discursos em plenário que pouco falam, por Fernando Exman

Valor Econômico

É difícil acreditar que o Estado não repassará a conta, de maneira a manter a arrecadação

O senador Flávio Bolsonaro subiu à tribuna da Câmara dos Deputados, durante a sessão em que o Congresso Nacional derrubaria uma série de vetos presidenciais, e rapidamente foi ladeado por um punhado de aliados que dependem de um impulso nas eleições de outubro. Em outros tempos, o espaço da tribuna seria respeitado e o plenário se silenciaria. Todos ouviriam com atenção a aguardada explicação do principal candidato da oposição à Presidência da República sobre sua relação com Daniel Vorcaro, do Banco Master, pivô do maior escândalo financeiro do país.

O despertador de Cláudio Castro, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Ex-governador foi alvo de duas operações da PF em 12 dias; decisão aponta 'vínculo estreito' com Vorcaro

As manhãs já foram mais tranquilas no condomínio de Cláudio Castro na Barra da Tijuca. Pela segunda vez em menos de duas semanas, o ex-governador do Rio acordou com batidas na porta. Era a Polícia Federal.

No dia 15, Castro foi despertado por uma operação que apurou favorecimentos à Refit. A refinaria que não refina pertence ao foragido Ricardo Magro, apontado como o maior sonegador de impostos do país. Ontem os agentes voltaram em busca de provas de um esquema com o Banco Master, do presidiário Daniel Vorcaro.

Decisão traz Castro como um operador do Master no governo, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Na política do Rio não se pergunta mais se o ex-governador Claudio Castro será preso, mas quando. Seria o sexto titular do Palácio Guanabara, nos últimos dez anos, com este destino. Vereador de pouco destaque, Claudio Castro foi alçado a vice de um cabeça de chapa igualmente desconhecido, Wilson Witzel, eleito em 2018 no rabo de foguete da ascensão de Jair Bolsonaro.

Fragilizado ao assumir o cargo depois do impeachment do titular, empossado havia apenas um ano, poderia ter se valido da legitimidade de sua reeleição para sair da sombra e refundar sua gestão. Afinal, foi o primeiro governador do Rio reeleito em primeiro turno desde Sérgio Cabral, em 2010.

Passagem de bastão civilizatório, por Cristovam Buarque*

Correio Braziliense

Trata-se do início da passagem do protagonismo dos governantes políticos, que representam seus respectivos países, para empresários "donos do planeta" que dominam tecnologias e representam interesses acima das fronteiras nacionais

O mundo assistiu à passagem do bastão de superpotência mundial das mãos do líder americano para o líder chinês. Isso era previsível desde que a República Popular da China começou a mostrar os resultados das reformas iniciadas há 50 anos por Deng Xiaoping: a adoção da eficiência produtiva e do empreendedorismo capitalista, sem perder a perspectiva do interesse nacional, com uma estratégia social de longo prazo, sem instabilidade política nem descontinuidade a cada eleição. Outras transições semelhantes já ocorreram: da Grécia para Roma; da Espanha e de Portugal para a Inglaterra; e desta para os Estados Unidos, compartida com a URSS devido ao poder nuclear. Diferentemente, a mudança atual não ocorre apenas de uma nação para outra, mas de um tipo de poder para outro: além da China, a primazia mundial será exercida por outros países e por empresas internacionais.

Sociologia política do bate-boca, por Roberto DaMatta*

O Estado de S. Paulo

Mamãe era taxativa: “Jamais bata boca”. Essa gritaria dos mal-educados. O mesmo conselho surge nos jornais, revelando como o bate-boca é maleducado: ele expressa a falta de controle de dois “superiores” que se confrontam e nenhum deles pode ser inferiorizado, exceto no grito. O bate-boca é uma ferramenta aristocrática, prima do “você sabe com quem está falando?”. Exprime a perturbação diante do direito de discordar. Se sou superior, como alguém ousa reagir aos meus argumentos?

Todo mundo parece ter ouvido mamãe, pois continuamos a classificar dissidências como bate-bocas, como falta de educação, quando o certo é o justo oposto. Nada mais normal do que a dissidência entre pessoas numa democracia. Desclassificar discussões é típico de sistemas construídos por “gente que se lava”, como o nosso.

Creio que foi precisamente isso o que alavancou Jair Bolsonaro, pois um dos pontos críticos de sua figura era que ele exibia o furor dos bate-bocas.

Um susto com a inflação, por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

Os indicadores de preços nos EUA e no Brasil ainda não embutem, com rigor, vários riscos

Investidores dos Estados Unidos e do Brasil correm o risco de tomar um baita susto com a inflação, pois a maioria parece subestimar as pressões inflacionárias que podem vir à tona. Isso porque as projeções de analistas para os índices de preços ao consumidor de 2026 e de 2027 ainda não embutem – com o devido peso – vários riscos, desde cotações persistentemente elevadas do petróleo e de matérias-primas até impactos de fenômenos climáticos, como o El Niño.

O que falta na encíclica do papa Leão 14 sobre a IA, por Rui Tavares*

Folha de S. Paulo

Pontífice citou Agostinho, Tolkien, Beethoven, Guernica, Martin Luther King Jr. e até Frankl e seu 'otimismo trágico'

Difícil acreditar que tenha escapado ao papa que Pentecostes guarde tantas semelhanças com a inteligência artificial

Tem Santo Agostinho. Mas tem Tolkien também. Tem Beethoven, tem Guernica, tem Martin Luther King Jr., tem Viktor Frankl e o seu "otimismo trágico". Tem muita doutrina social da igreja, valorização dos trabalhadores e críticas ao nacionalismo, Realpolitik e pós-humanismo.

Para um ateu de esquerda como eu —com duas exceções, sobre aborto e família de "um homem e uma mulher"— não há quase nada para discordar na encíclica "Magnifica Humanitas" do papa Leão 14.

Mas quero é escrever do que não está lá. A encíclica foi datada de 15 de maio e apresentada em 25 de maio. E o que aconteceu entre uma coisa e outra? As celebrações de Pentecostes, no domingo (24). Que uma encíclica escrita e lançada em Pentecostes não fale de Pentecostes é uma coisa que me intriga e confunde. E acho que essa ausência é decisiva.

Uma aposta improvável, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

É incomum ver parlamentares do PL e do PT unidos para aprovar projeto de lei que não seja corporativista

Os dois partidos, porém, parecem empenhados em banir a propaganda de bets, o que seria bom para o país

Em geral, quando PL e PT se colocam do mesmo lado numa matéria legislativa, estamos diante de uma conspiração contra o interesse público. O que mais frequentemente motiva a união das duas legendas antagônicas são as pautas corporativistas. Testemunhamos isso alguns dias atrás, quando peelistas, petistas e deputados de siglas do centrão se juntaram para aprovar na Câmara um projeto que alivia punições a partidos políticos que cometeram irregularidades. Mas "em geral" não é sinônimo de "sempre".

Cena eleitoral é refém de emoções, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Fatos positivos e negativos não abalam nem impulsionam a situação dos favoritos nas pesquisas

Eleitorado parece ter se acomodado na armadilha do amor e ódio por seus políticos de estimação

Mudanças na dinâmica da relação entre os políticos e o eleitorado criam dificuldades para a análise e exigem a adoção de novos critérios no exame do andamento de campanhas eleitorais. Daí decorrem circunstâncias aparentemente inexplicáveis. O que valia já não vale.

Na cena atual, dois fatores em tese fortes o bastante para abalar ou impulsionar as intenções de voto não foram suficientes para alterar de modo significativo o quadro retratado pelas pesquisas de opinião.

Tanto Luiz Inácio da Silva (PT) como Flávio Bolsonaro (PL) ficaram mais ou menos onde estavam em levantamentos anteriores, a despeito de o primeiro patrocinar gastança calculada em R$ 190 bilhões para captar eleitores e o segundo ter sido pego em mentiras reiteradas sobre o relacionamento com Daniel Vorcaro.

Entrevista* | O Fascismo Encontrou terreno fértil no Brasil

O jornal Catetear

*Paulo Bracarense, secretário de relações internacionais do Partido Socialista Brasileiro (PSB).

Luiz Carlos Prestes Filho: Será que negligenciamos a importância do fascismo na formação da sociedade brasileira? Será que o fascismo é um elemento constituinte da nossa sociedade?

Paulo Bracarense: Durante muito tempo, a historiografia e a memória política brasileiras trataram o fascismo como um fenômeno essencialmente europeu, ligado à Segunda Guerra Mundial, à Benito Mussolini e à Adolf Hitler. Isso produziu a impressão de que o Brasil teria sido apenas um observador periférico daqueles acontecimentos. Entretanto, os estudos mais recentes mostram que o fascismo encontrou terreno fértil no Brasil e dialogou profundamente com características estruturais da sociedade brasileira. Não significa afirmar que o Brasil tenha sido “um país fascista” em sentido clássico, mas sim reconhecer que elementos compatíveis com o fascismo estiveram presentes de forma recorrente em nossa formação política: autoritarismo, culto à ordem, militarismo, anticomunismo radical, racismo estrutural, violência contra movimentos populares, personalismo e a ideia de uma unidade nacional construída contra “inimigos internos”.

Poesia | Lição, de Geir Campos, por Aníbal Bragança

 

Música | 1955 - Nora Ney - Meu Lamento