Folha de S. Paulo
Até ultraliberal alucinado Milei manda
tabelar preço da petroleira estatal na Argentina
Tentativa exagerada de conter preços ou até tabelar é contraproducente ou cria crise em breve
O governo começa a dar sinais de aflição
desesperada. Quer um atropelo de medidas com o objetivo de limitar juros para
pessoas físicas, diminuir dívidas e conter preços de combustíveis.
O presidente está tentado a repetir receitas velhas de tapar o sol com a peneira, algumas de Dilma Rousseff 1 (2011-2014), desastrosas até para ela mesma. A depender do tamanho do custo fiscal e da intervenção econômica, as medidas podem ser contraproducentes. Sabendo-se que algo pode explodir em 2027, alguns danos podem ser antecipados por empresas e povos dos mercados.
Há subsídios para
o diesel.
Até agora, não se falou em subsidiar gasolina, pelo menos. Haverá subsídio
para o gás de cozinha, do governo ou da Petrobras, Lula deixou
escapar. Companhias aéreas querem subsídio para combustível e crédito. O agro
tem pedidos. Se essa fila andar, haverá mais candidatos a algum Bolsa Guerra,
como na pandemia, favores do coronavírus que duraram até este governo.
Pode ser razoável a tentativa de atenuar um
choque de preço, sob certas condições, de modo a evitar que um problema
provisório tenha consequências duradouras. Pode ser um paliativo para um par de
meses, aliás adotado até pelo ultraliberal alucinado Javier Milei e pela
Europa.
Mas é possível também que a tentativa de
transferir problemas para o futuro contamine o presente. No exemplo mais
simples, é possível que se esteja apenas transferindo a alta de preços de agora
para logo depois da eleição, estocando inflação para 2027, com impacto desde já
nas expectativas.
O governo vai gastar o que puder para conter
preços por toda a parte, por meses? A ideia do subsídio é compensar alta de
preços da Petrobras ou é tabelamento (que pode ameaçar o abastecimento)?
Está ainda mais difícil estimar a chance de
cada cenário, pois também não se sabe do efeito da guerra: maior
na inflação ou no PIB? Depende de duração da crise e do ritmo da
economia aqui, ainda firme.
De resto, o governo não tem como mexer em
reações fundamentais a todos esses problemas, a do Banco Central e a do mercado
de títulos da dívida pública. E o PIB
do mundo vai esfriar. Difícil mexer com sucesso nessa máquina complicada.
Enfim, tabelar preço é, claro, política, não
raro com consequências funestas.
Em caso muito maior e de extremo
descaramento, houve o congelamento de preços do Plano Cruzado, em 1986,
desfeito logo depois de fechadas as urnas, o pai dos estelionatos eleitorais do
Brasil, que pariu oligarquias até hoje no poder.
Em escala muito menor, mas mais dramática,
foi assim com Dilma 1. No início do seu segundo mandato, em 2015, começou a
desfazer o que eram, na prática, tabelamentos de preços de energia elétrica e
combustíveis. A então presidente tivera 42% de "ótimo/bom" no Datafolha
de dezembro de 2014; em março de 2015, 13%. A vitória torta contribuiu para o
seu fim.
Abril será ruim no mercado mundial. Em março
circulavam navios com petróleo e
combustíveis produzidos e embarcados antes do início da guerra. Agora, o buraco
deixado pelo fechamento de Hormuz vai aparecer na prática.
A conversa a respeito de algum tipo contenção
de consumo, mesmo de racionamento, ou de redução preventiva de atividade
econômica, que já é prática no Sul e no Leste pobres da Ásia, pode se espalhar
pela Europa.
Na hipótese mais otimista, o problema de base
(escassez de combustível e outros insumos) vai até setembro. Alguém do governo
tem isso em mente?
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