Folha de S. Paulo
Se cessar-fogo precário puser fim a conflito,
EUA, Israel e Irã saem com mais perdas do que ganhos
Conflito sem vitória também poderá trazer
repercussões eleitorais negativas para Trump e Netanyahu
dSempre que vejo Palmeiras e São Paulo se
enfrentando, me pergunto se não haveria um jeito de os dois times perderem. No
futebol, parece que não, mas, no que diz respeito a guerras, a derrota de todos
os envolvidos é um desfecho possível e até frequente. Lembrem-se de
A guerra deflagrada por EUA e Israel contra o Irã encaminha-se para ser um desses conflitos sem vencedores, ainda que todas as partes reclamem ter logrado brilhante vitória. O regime iraniano pode de fato congratular-se por ter sobrevivido a um inimigo militarmente muito superior, mas é só. A coluna dos ônus é extensa demais para ser ignorada: cerca de duas dezenas de suas principais lideranças, incluindo o aiatolá Ali Khamenei, foram assassinadas, o país sofreu enorme destruição de vidas e de infraestrutura, notadamente a militar, e comprou décadas de inimizade com os países vizinhos do Golfo Pérsico que atacou.
Já os EUA entraram numa guerra de escolha da
qual não precisavam apenas para escancarar que fizeram uma péssima escolha.
Nenhum dos cambiantes pretextos que Donald Trump alegou
para atacar o Irã foi plenamente alcançado, os EUA sacrificaram ainda mais sua
já decadente credibilidade internacional, além de terem provocado uma onda
global de inflação. Desta vez, Trump perdeu pontos até com o público MAGA, que
é irredutivelmente isolacionista. De positivo (para o mundo, não para Trump),
resta que ficou mais difícil para o Partido Republicano manter o controle das
duas Casas do Legislativo após as eleições de novembro.
O premiê israelense, Binyamin
Netanyahu, ao contrário de Trump, tinha apoio popular para ir à
guerra, desde que obtivesse uma vitória inconteste. Não a ter conseguido só
reforça agora os muitos erros de segurança (nem falo dos políticos e morais)
cometidos por sua administração desde antes da ação do Hamas em 7 de outubro de
2023. Se uma vitória sobre o Irã era a esperança de Netanyahu para vencer as
eleições de outubro, a ausência dela pode ser o prego definitivo no caixão de
seu governo.
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