Por Lilian Venturini e Cristiane Agostine / Valor Econômico
Pesquisa é a primeira depois da revelação do
áudio em que pré-candidato pede dinheiro a ex-banqueiro
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ampliou
a vantagem sobre o senador Flávio
Bolsonaro (PL-MG) e reassumiu a liderança no segundo
turno, de acordo com pesquisa
AtlasIntel divulgada nesta terça-feira (19). É o primeiro levantamento realizado após a revelação de diálogos entre o pré-candidato PL e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto Master. A rejeição a Flávio também aumentou.
Na pesquisa de abril, Flávio estava à frente de Lula por 47,8% das intenções de voto ante 47,5%. Agora, o petista aparece com 48,9% contra 41,8% do senador, uma queda de seis pontos percentuais em pouco menos de um mês. Os indecisos e que declaram intenção de anular ou votar em branco aumentaram de 4,7% para 9,3%.
A pesquisa, com margem de erro de um ponto
percentual, foi feita entre quarta-feira (13) e segunda-feira (18). Foram
entrevistadas 5.032 pessoas pela internet. O levantamento está registrado no
Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o código BR-06939/2026.
O levantamento começou a ser realizado
no mesmo
dia em que o site Intercept Brasil revelou
a existência de um áudio em que Flávio cobra de Vorcaro o pagamento de
parcelas do financiamento para o filme biográfico do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. O dono do
extinto Master, atualmente preso por suspeita de crimes financeiros, chegou a
repassar R$ 61 milhões para custear o "Dark horse".
O senador, que negava ter proximidade com o
ex-banqueiro, disse que não há irregularidades nas transações e que os recursos
foram integralmente usados para o filme. A Polícia
Federal deve abrir um inquérito para apurar os repasses.
Nesta edição da pesquisa, Flávio agora é nome
com percentual mais alto de rejeição (52%) – era 49,8% em abril. Lula tinha 51%
e agora 50,6%.
Houve inversão também na resposta à pergunta
"qual resultado te causa mais medo ou preocupação". Em abril, a
reeleição de Lula era mais citada por 47,3%. Neste mês, a opção eleição de
Flávio assumiu a liderança com 47,4%, e a reeleição do atual presidente caiu
para 40,5%.
Primeiro turno
No cenário de primeiro turno em que Flávio
está entre os postulantes, Lula oscilou de 46,6% para 47%. Já as intenções de
voto no senador caíram de 39,7% para 34,3%. Em seguida vem Renan Santos (Missão), com
6,9%, e o ex-governador de Minas Romeu
Zema (Novo), com 5,2%. O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) registrou
2,7%. O psiquiatra Augusto
Cury (Avante) somou 0,4% e o ex-ministro Aldo Rebelo (DC), 0,2%. Os
indecisos são 1,9% e declararam votar em branco ou anular 1,4%.
O instituto testou outros dois cenários sem
Flávio. Em um deles, Lula somou 46,7% e em segundo lugar veio Zema, com 17%,
seguido por Caiado (13,8%). No terceiro cenário, é colocada a
ex-primeira-dama Michelle
Bolsonaro (PL), que registrou 23,4% das intenções de voto. Lula
manteve a liderança, com 47%. Zema nesse desenho fica em terceiro, com 10%.
O nome de Michelle,
pré-candidata ao Senado pelo Distrito Federal, voltou a ser mencionado após a
divulgação das mensagens entre Flávio e Vorcaro. O senador, no entanto, afasta
a possibilidade de abandonar sua pré-candidatura.
Efeito do caso Master
O instituto fez algumas perguntas
relacionadas às investigações sobre o Banco Master. A maioria (47,1%) disse que já não
votaria em Flávio e, portanto, a divulgação das mensagens não interfere em sua
escolha. Outros 21% responderam que não afeta a disposição em votar no senador
e 13,7% que estão "muito mais dispostos" a votar. A opção "muito
menos disposto" foi escolhida por 9,4%.
Para 45,1%, a
divulgação das conversas enfraqueceu a pré-candidatura de Flávio e 19% acham
que enfraqueceu um pouco. Quinze porcento disseram que não afeta
e 13,4%, que fortaleceu. Ainda assim, a maioria
(84,2%) acha que o filho do ex-presidente deve manter sua pré-candidatura
contra 12,6% que acreditam que ele deve retirá-la.
Ao todo, 95,6% dos entrevistados disseram que
ficaram sabendo do áudio e das mensagens entre Flávio e Vorcaro. Quase o mesmo
percentual (93,9%) disse que ouviu o áudio, em que o senador pede o envio de
dinheiro.
Para 43,3%, os aliados de Jair Bolsonaro integram o
grupo político mais envolvido em supostos esquemas. Outros 32,8% acham que são
aliados de Lula e para 16,1% "todos estão igualmente implicados".
Outros 7,1% acham que são políticos do Centrão.
Avaliação de Lula
Segundo a pesquisa, o presidente reduziu o
percentual de quem desaprova seu governo, mas a maioria segue negativa para
Lula. Em abril 53% desaprovam ante 51,3% em maio. A
aprovação oscilou de 47% para 47,4%.
Na avaliação, para 48,4% consideram o terceiro mandato de Lula ruim ou péssimo. Eram 51% mês passado. Quem considera ótimo ou bom oscilou de 42% para 42,9%. A avaliação regular passou de 7% para 8,7%.

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