Por Joelmir Tavares e Beatriz Roscoe / Valor Econômico
Senador terá reuniões com colegas do PL no
Congresso e com setor financeiro em SP para amenizar crise após mensagens com
ex-banqueiro Daniel Vorcaro
Em meio à crise pela revelação de sua ligação
com o ex-banqueiro Daniel
Vorcaro, o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro marcou
conversas com as bancadas do PL no Congresso Nacional e com representantes do
mercado financeiro em São Paulo. Os encontros têm como pano de fundo a
tentativa de explicar o elo com o fundador do Banco Master, acalmar aliados e
reafirmar a candidatura, afastando os rumores de desistência.
O senador deve se reunir com as bancadas de seu partido na Câmara e no Senado nesta terça-feira (19). O objetivo, segundo fontes do partido, é que o senador “se explique” sobre as ligações com o ex-banqueiro. A reunião também terá como intuito repassar a estratégia de discurso para combater os ataques governistas - que aproveitaram o episódio para amplificar a campanha nas redes sociais com o mote “BolsoMaster”, que busca atrelar o caso à família Bolsonaro.
Desde que suas conversas com Vorcaro foram
vazadas, Flávio tem atuado para dirimir desconfianças internas dentro do
partido, depois que muitos de seus aliados foram pegos de surpresa com as
mensagens reveladas pelo site Intercept Brasil. Eles
alegam que o senador não tinha avisado nem mesmo pessoas próximas sobre os
contatos em que, segundo ele, pediu dinheiro ao banqueiro para financiar um
filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Depois que o caso eclodiu, o senador já havia
procurado lideranças e deputados por telefone. De acordo com relatos, ele tem
garantido que não há “mais nada” além do que já foi publicado que possa vir à
tona. Desde que a crise teve início, articuladores da campanha de Flávio
trabalham para desestimular a especulação de substituição de sua candidatura e
transmitir confiança a aliados, que ficaram receosos.
De início, chegou-se a ventilar a
possibilidade de que a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro pudesse substituir Flávio
na corrida presidencial. Aliados dele, no entanto, atuaram para desmentir essa
hipótese, dizendo que não passou de “narrativa”.
Resistências no mercado financeiro
Flávio também usará a retomada das conversas
com agentes do mercado, com uma rodada de encontros na capital paulista entre
quarta (20) e quinta-feira (21), para tentar vencer resistências a seu nome - que se ampliaram com as últimas revelações.
Ele deve se encontrar com representantes de
bancos e corretoras de investimentos. Sua assessoria
não confirma nomes de interlocutores, limitando-se a dizer que serão “agendas
fechadas” e sem acesso para a imprensa. As atividades já estavam previstas,
conforme relataram ao Valor interlocutores de Flávio, dias antes de
vir à tona o elo com Vorcaro.
O banco BTG Pactual seria um dos anfitriões do senador
no novo giro pelo circuito da avenida Faria Lima, segundo fontes. Procurada, a
instituição não se manifestou. O presidente da Federação das Indústrias do
Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, foi citado nos
bastidores como articulador de um outro encontro, mas sua assessoria negou. Em
abril, Skaf recebeu em jantar Flávio e um grupo de empresários.
A relação com o
mercado é um dos pontos sensíveis para o senador, que tem sido
cobrado a detalhar suas propostas econômicas e antecipar nomes de sua eventual
equipe. Interlocutores que estiveram com Flávio em
outros encontros esperam sinalizações que possam ir além do que é visto como um
“programa genérico” de corte de gastos públicos.
Integrantes da campanha do PL avaliam, no
entanto, que Flávio tende a ser beneficiado por ter se consolidado, até aqui,
como nome isolado da oposição, na corrida contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo essa leitura, nem Ronaldo
Caiado (PSD) nem Romeu
Zema (Novo) teriam a possibilidade de se tornarem competitivos. “Os outros dois candidatos podem até falar a língua do mercado,
mas não têm voto”, diz um aliado de Flávio, falando sob anonimato. O principal
objetivo é reiterar que o senador preservou as condições para derrotar Lula.
Segundo outra fonte, que esteve com Flávio em
atividades após a eclosão da crise, o pré-candidato está “consciente do
problema” que o caso Master provocou,
mas também convicto de “continuar firme”. A ordem no entorno foi a de manter a
programação prevista, sem desmarcar agendas.
O cálculo feito por bolsonaristas, para minimizar os impactos do episódio, é que Flávio dificilmente perderá o apoio do eleitorado fiel da direita e que, passando para um segundo turno contra Lula, vai aglutinar as forças antipetistas. De acordo com a leitura dos estrategistas, Flávio deverá conseguir neutralizar a ofensiva nas próximas semanas.

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