terça-feira, 12 de maio de 2026

Debaixo desse angu, tem muito Master, e a República já sente o coração na boca, por Tom Farias

Folha de S. Paulo

Laços de Ciro Nogueira e Daniel Vorcaro levantam dúvidas

Banco era o centro nervoso da bancarização do crime no Brasil

Se havia dúvidas da ligação de Daniel Vorcaro, preso nas dependências da Polícia Federal, em Brasília, com políticos de alta patente, as incertezas caíram por terra com a revelação das conexões do ex-dono do banco Master com o senador Ciro Nogueira (PP-PI). E não deve ser caso único, pela expectativa da proposta de delação premiada sob análise da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR). Por conta dela, a própria República está na iminência de expelir o coração pela boca.

"Grandes amigos da vida", como rezam as mensagens no celular de Vorcaro. Essa relação sugere que debaixo desse angu há caroço grosso, dada a magnitude das transações e a bilateralidade criminosa que compartilham. De um lado, propinas de até R$ 500 mil mensais; de outro, uso do mandato em favor do ex-banqueiro. Uma promiscuidade presente no nosso imaginário, mas jamais vista nesses termos.

A interferência legislativa nas negociatas de Vorcaro, expressa na "emenda Master", dentro da PEC 65/2023, abriria perigoso precedente à economia se concretizada. Difícil acreditar que, pela oferta de favores e jatinhos de luxo, os "serviços prestados" por Ciro Nogueira se restrinjam a uma emenda rejeitada. É ingenuidade do colunista ou estamos diante de algo maior?

"Namoro ou amizade?", diria minha centenária avó. O certo é que os escândalos do banco Master, foco da Operação Compliance Zero, configuram o maior esquema financeiro criminoso da nossa história contemporânea.

Trocando em miúdos, a proposta de delação de Vorcaro, embora considerada "fraca" pela PGR, carrega potencial de implosão institucional. Se as provas dos celulares confirmarem o que se especula em Brasília, não restará pedra sobre pedra nos três Poderes.

Revelará o que até os bobinhos já sabem: o banco Master não era apenas uma instituição financeira, mas o coração pulsante da bancarização do crime no Brasil.

 

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