Folha de S. Paulo
Em sete meses, três deputados da tropa
bolsonarista foram presos
Apesar das retaliações, governador interino
não descansa na faxina
Virou rotina. Em sete meses, três
parlamentares do Rio foram presos, entre eles o presidente da Alerj, Rodrigo
Bacellar, acusado pela Polícia
Federal de vazar uma operação contra o Comando Vermelho em que
o alvo era o deputado TH Joias. A bola da vez é Thiago Rangel, que desviou
verbas da Secretaria de Educação e concedeu cargos na pasta a pessoas indicadas
por um traficante, de acordo com as investigações.
Os três integravam a tropa bolsonarista que, desde 2019, se especializou em aparelhar as instituições e depenar os cofres públicos, aliando-se a organizações criminosas. Estas, livres para atuar, se agigantaram.
Rangel,
do Avante, é considerado um peixe pequeno no esquema de corrupção. Mas um
peixinho que tinha um Porsche último tipo guardado na garagem e cujo patrimônio
saltou de R$ 224 mil em 2020, quando se candidatou a vereador, para R$ 3
milhões em 2023, ano em que já era deputado. Segundo a Polícia Federal, sua
função era lavar dinheiro de propina por meio de uma rede de postos da
gasolina, além de liderar uma quadrilha que fazia ameaças a adversários na
região de Campos de Goytacazes.
Há pânico nos bastidores da política
fluminense. Depois da Secretaria de Educação, a operação Unha e Carne irá se
concentrar no setor da saúde, controlado há oito anos pelo deputado federal
Doutor Luizinho, cupincha do encrencadíssimo senador Ciro Nogueira.
Por diversas vezes Nogueira quis emplacar Luizinho como ministro da Saúde no
governo Lula. Não conseguiu.
O governador em exercício do Rio,
desembargador Ricardo Couto,
continua limpando a máquina administrativa, sem se incomodar com chantagens e
retaliações. Na Segurança, quer dar autonomia à perícia criminal,
desvinculando-a da Polícia Civil, o que garante investigações independentes em
casos de letalidade policial.
Inconformados com a exoneração de mais de mil
funcionários fantasmas, deputados estaduais ameaçam divulgar uma lista de
amantes de desembargadores que também recebem sem trabalhar na Alerj. O cabaré
está pegando fogo.
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