terça-feira, 12 de maio de 2026

Com traficantes e amantes, política no Rio é um cabaré em chamas, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Em sete meses, três deputados da tropa bolsonarista foram presos

Apesar das retaliações, governador interino não descansa na faxina

Virou rotina. Em sete meses, três parlamentares do Rio foram presos, entre eles o presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, acusado pela Polícia Federal de vazar uma operação contra o Comando Vermelho em que o alvo era o deputado TH Joias. A bola da vez é Thiago Rangel, que desviou verbas da Secretaria de Educação e concedeu cargos na pasta a pessoas indicadas por um traficante, de acordo com as investigações.

Os três integravam a tropa bolsonarista que, desde 2019, se especializou em aparelhar as instituições e depenar os cofres públicos, aliando-se a organizações criminosas. Estas, livres para atuar, se agigantaram.

Rangel, do Avante, é considerado um peixe pequeno no esquema de corrupção. Mas um peixinho que tinha um Porsche último tipo guardado na garagem e cujo patrimônio saltou de R$ 224 mil em 2020, quando se candidatou a vereador, para R$ 3 milhões em 2023, ano em que já era deputado. Segundo a Polícia Federal, sua função era lavar dinheiro de propina por meio de uma rede de postos da gasolina, além de liderar uma quadrilha que fazia ameaças a adversários na região de Campos de Goytacazes.

Há pânico nos bastidores da política fluminense. Depois da Secretaria de Educação, a operação Unha e Carne irá se concentrar no setor da saúde, controlado há oito anos pelo deputado federal Doutor Luizinho, cupincha do encrencadíssimo senador Ciro Nogueira. Por diversas vezes Nogueira quis emplacar Luizinho como ministro da Saúde no governo Lula. Não conseguiu.

O governador em exercício do Rio, desembargador Ricardo Couto, continua limpando a máquina administrativa, sem se incomodar com chantagens e retaliações. Na Segurança, quer dar autonomia à perícia criminal, desvinculando-a da Polícia Civil, o que garante investigações independentes em casos de letalidade policial.

Inconformados com a exoneração de mais de mil funcionários fantasmas, deputados estaduais ameaçam divulgar uma lista de amantes de desembargadores que também recebem sem trabalhar na Alerj. O cabaré está pegando fogo.

 

Nenhum comentário: