quinta-feira, 16 de abril de 2026

Tarcísio não é um moderado, por Thiago Amparo

Folha de S. Paulo

Polícias de SP mataram em média duas pessoas por dia neste ano

Abusos policiais não têm nada a ver com combate ao crime

As polícias paulistas nunca foram tão violentas quanto hoje sob Tarcísio de Freitas, ao menos desde o início da série histórica, há 30 anos. Entre outubro a dezembro de 2025, policiais em SP mataram 276 pessoas, o trimestre mais sangrento desde 1996, quando se iniciou a contagem. Em 2026, policiais paulistas mataram uma média de duas pessoas por dia, 130 ao todo entre janeiro e fevereiro, um aumento de 41% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Não há que se falar em moderação política se Tarcísio titubeia no controle das polícias. Não é preciso ser de esquerda para prover segurança pública sem aumentar a letalidade policial: por exemplo, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, conseguiu reduzir em 43% a letalidade policial entre 2024 e 2025 com queda drástica nos crimes violentos entre 2019 e 2025. Tarcísio poderia ouvir mais seu secretário de Segurança Pública pós-Derrite, para quem as câmeras protegem o bom policial e para quem é possível mudar o cenário de letalidade policial.

É verdade que a letalidade policial no Brasil não é privilégio da direita. O número de pessoas mortas por policiais aumentou em 17 estados do país em 2025, em governos comandados por PT, PL, União Brasil, Republicanos, PSD, PSB, Novo e MDB.

O caráter ideologicamente eclético da violência policial revela, de um lado, o quão estrutural é o problema e, de outro, a falência de discursos de combate à insegurança, pauta cara ao eleitorado, com menos letalidade.

Dados em SP mostram que a violência policial se espalhou, com mais casos ocorrendo em cidades do interior do estado, e foi puxada pelas tropas de elite da PM, que deveriam melhor controlar seus agentes.

Arrastar uma diarista no meio da avenida Paulista para uma viatura ou esperar mais de 30 minutos para resgatar uma pessoa baleada por uma PM na zona leste de São Paulo —dois exemplos recentes— mostram que abusos policiais não têm nada a ver com combate ao crime. Falta moderação a Tarcísio por negar que segurança pública seja mais que mortes pela polícia.

 

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