domingo, 31 de maio de 2026

Flávio Bolsonaro é terrorista? Por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

Senador é aliado de Bacellar, apontado como chefe do núcleo político do CV, e se declarou irmão de Vorcaro

Discordo de quem acha que Flávio, CV e PCC são terroristas, mas respeito os argumentos

Flávio Bolsonaro é aliado de Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. A Polícia Federal considera Bacellar "o chefe do núcleo político do Comando Vermelho".

Ou seja: se o Departamento de Estado americano estiver certo, Flávio é aliado de um importante líder terrorista.

Flávio Bolsonaro também já se declarou "irmão" de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O Master tinha relações tão próximas com a Reag Investimentos, acusada de lavar dinheiro do PCC, que, segundo matéria desta Folha de 28 de agosto de 2025, administrava o fundo que era dono da casa de Daniel Vorcaro.

Ou seja, se o Departamento de Estado americano estiver certo, Flávio Bolsonaro ganhou R$ 60 milhões inexplicáveis de um sócio da turma que lavava dinheiro do grupo terrorista PCC.

A mão pesada de Washington, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Não por inocência nem coincidência governo Trump permitiu o uso político/eleitoral da decisão sobre facções

O gesto mostra que a química entre Trump e Lula tem limite e esbarra na preferência ideológica da Casa Branca

É inegável: o governo Donald Trump pôs um trunfo nas mãos de Flávio Bolsonaro (PL) e acrescentou um fato à foto no salão oval da Casa Branca. Ajudou o senador a mudar o rumo da prosa do caso Master, permitindo que ele ligasse o pedido feito dois dias antes à decisão de definir PCC e CV como organizações terroristas.

Não há como separar o gesto do contexto eleitoral nem fugir da constatação de que o Departamento de Estado sinalizou que a química entre Trump e o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) tem limite. O debate não foi gratuitamente capturado pelos políticos porque, dado o momento e a forma, a política está no centro da questão.

A recriação ultraprocessada do mundo, por Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

A modelagem teológico-mercantil do banal consumo cotidiano, grotescos que sejam os seus aspectos, é um primeiro passo corrosivo

Claro já estava que, na pátria celestina dos crentes, o paraíso celestial tinha dado lugar ao paraíso fiscal dos pastores

A mercantilização da existência em bases neoliberais, a forma-empresa, não se dá apenas nos níveis da economia, da inteligência artificial e da política, também na administração de crenças religiosas. Talvez a maior ameaça à mística de um todo-poderoso esteja na IA-2028 anunciada pela Anthropic que, suplantando a inteligência humana, poderá curar doenças terríveis, senão mandar paralítico levantar-se da cadeira. Mas a modelagem teológico-mercantil do banal consumo cotidiano, grotescos que sejam os seus aspectos, é um primeiro passo corrosivo.

Podemos rir disso? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Livro analisa humor em tempos conflagrados

Autor teme volta de leis de blasfêmia para evitar ofensas

"Can We Laugh at That?", de Jacques Berlinerblau, analisa o humor nos tempos conflagrados em que vivemos. É um livro interessante e paradoxal. Como não poderia deixar de ser, ele traz várias piadas, mas muitos as considerarão ofensivas e não rirão delas. Pelo contrário, ficarão indignados. O autor, porém, não teria como se abster de reproduzir essas anedotas, que são o objeto mesmo de que trata a obra.

Não estou entre os indignados. Devo ser o sonho de consumo dos comediantes, já que rio de tudo, incluindo piadas de judeu e que troçam de outras categorias a que eu possa pertencer. Devo ser um dos últimos, mas introjetei a ideia básica de que o humor não é para ser levado a sério.

Esculpindo palavras, por Ivan Alves Filho*

Jane Austen, Albert Camus, Franz Kafka, Machado de Assis, Tolstói e Jack London são autores celebrados não só pela qualidade de seus escritos como também pela maneira pela qual os iniciam. Impactantes, saborosas. Com esses escritores, aprendemos que as palavras, sem as frases, nada significam de fato. Ou seja, cabe às frases dar um sentido a elas. As frases, esses coletivos das palavras. E o escritor sempre se apresenta como alguém que se vale dessas ferramentas todas, como um artesão das letras. 

Os gramáticos nos ensinam que as frases nada mais são do que "um conceito da camada morfossintática de análise". Certamente estão imbuídos de razão. Mas, há uma certa frieza nesta definição, convenhamos. Daí eu preferir me valer de frases que escapam a qualquer explicação lógica, digamos assim, mas que falam diretamente ao coração de cada um de nós. Um exemplo: "Amai-vos uns aos outros". Outro: "Proletários de todos os países, uni-vos!". Mais um: "Eu tenho um sonho."

Poesia | Elegia para a adolescência, de Carlos Pena Filho

 

Música | Entre a Lua e o Pandeiro — O Samba que nasceu na madrugada e tocou milhões de corações | Samba Raiz