sábado, 9 de maio de 2026

Garantir a mamata do clã é único projeto de Flávio Bolsonaro, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Primeira mulher de Jair, Rogéria mira o Senado, como Michelle

Num eventual governo, Eduardo e Carlos vão povoar o Palácio do Planalto

Flávio Bolsonaro se prepara para dar um peteleco em Cláudio Castro. Condenado no TSE por abuso de poder político e econômico e tornado inelegível, mas insistindo em concorrer ao Senado, Castro viu despencar sua aprovação como governador do Rio de Janeiro, segundo a Quaest. Passou de 53% em outubro —mês em que ocorreu a matança nos complexos da Penha e do Alemão— para 35%. Entre os entrevistados, 47% rejeitam sua administração.

Abandonar aliados caídos em desgraça é um velho hábito do clã. A solução encontrada para depois de rifar Castro é que surpreende. Ou, pensando bem, não surpreende, é uma escolha esdrúxula, mas óbvia: tirar do ostracismo Rogéria Bolsonaro —ex-mulher de Jair, mãe dos filhos 01, 02 e 03 e feroz opositora da ex-primeira-dama Michelle— e lhe entregar de bandeja a candidatura ao Senado pelo Partido Liberal.

Rogéria tem 65 anos e um currículo sobre o qual não resta dúvida. Nas águas de Bolsonaro, exerceu dois mandatos na Câmara Municipal do Rio, entre 1993 e 2000. Já divorciada, tentou uma terceira eleição, enfurecendo o chefe da família, que lançou Carlos, então com 17 anos, para competir e derrotar a própria mãe. Ainda perdeu outras duas vezes, para vereadora em 2018 e para deputada estadual em 2022.

Na cabeça do filho 01, não basta tirar o pai da cadeia, objetivo principal da corrida ao Planalto. É preciso assegurar que ninguém com o sobrenome Bolsonaro fique desassistido, longe do poder e da dinheirama pública e, desgraçadamente, obrigado a trabalhar de verdade.

Em São Paulo, a candidatura de André do Prado ao Senado está atrelada à indicação de Eduardo Bolsonaro como primeiro suplente. Num eventual governo, o 03 não fará por menos: exige um ministério. Independente do resultado das urnas em Santa Catarina, Carlos Bolsonaro se move para reeditar o gabinete do ódio na Secom ou assumir a Secretaria-Geral da Presidência.

Além dos parentes, é necessário não esquecer os aderentes. Uma mamata, uma boquinha para o Queiroz, coitado.

 

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