Folha de S. Paulo
Primeira mulher de Jair, Rogéria mira o
Senado, como Michelle
Num eventual governo, Eduardo e Carlos vão
povoar o Palácio do Planalto
Flávio Bolsonaro se prepara para dar um peteleco em Cláudio Castro. Condenado no TSE por abuso de poder político e econômico e tornado inelegível, mas insistindo em concorrer ao Senado, Castro viu despencar sua aprovação como governador do Rio de Janeiro, segundo a Quaest. Passou de 53% em outubro —mês em que ocorreu a matança nos complexos da Penha e do Alemão— para 35%. Entre os entrevistados, 47% rejeitam sua administração.
Abandonar aliados caídos em desgraça é um
velho hábito do clã. A solução encontrada para depois de rifar Castro é que
surpreende. Ou, pensando bem, não surpreende, é uma escolha esdrúxula, mas
óbvia: tirar do ostracismo Rogéria Bolsonaro —ex-mulher de Jair, mãe dos filhos
01, 02 e 03 e feroz opositora da ex-primeira-dama Michelle— e lhe entregar de
bandeja a candidatura ao Senado pelo Partido Liberal.
Rogéria tem 65 anos e um currículo sobre o
qual não resta dúvida. Nas águas de Bolsonaro, exerceu dois mandatos na Câmara
Municipal do Rio, entre 1993 e 2000. Já divorciada, tentou uma terceira
eleição, enfurecendo o chefe da família, que lançou Carlos, então com 17 anos,
para competir e derrotar a própria mãe. Ainda perdeu outras duas vezes, para
vereadora em 2018 e para deputada estadual em 2022.
Na cabeça do filho 01, não basta tirar o pai
da cadeia, objetivo principal da corrida ao Planalto. É preciso assegurar que
ninguém com o sobrenome Bolsonaro fique desassistido, longe do poder e da
dinheirama pública e, desgraçadamente, obrigado a trabalhar de verdade.
Em São Paulo, a candidatura de André do Prado
ao Senado está atrelada à indicação de Eduardo
Bolsonaro como primeiro suplente. Num eventual governo, o 03
não fará por menos: exige um ministério. Independente do resultado das urnas em
Santa Catarina, Carlos
Bolsonaro se move para reeditar o gabinete do ódio na Secom ou
assumir a Secretaria-Geral da Presidência.
Além dos parentes, é necessário não esquecer
os aderentes. Uma mamata, uma boquinha para o Queiroz, coitado.
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