O Estado de S. Paulo
Ciro Nogueira está – ou estava – entre os
cinco políticos mais poderosos do Brasil. Presidente do PP, líder da (até ontem)
cobiçadíssima federação União Progressista; e ex-ministro de Bolsonaro,
responsável pelo apaziguamento das relações daquele governo com o Parlamento,
conquista decorrente da formulação-execução do orçamento secreto, de que é um
dos senhores. Com Davi Alcolumbre.
Você decidirá se se trata de coincidência ou causalidade. A Operação Compliance Zero, da PF, chegou ao Senado na semana seguinte à derrota infligida ao governo Lula por aquela Casa. De acordo com a versão mais influente no debate público, Alcolumbre e galera teriam vencido também o ministro André Mendonça, militante por Jorge Messias, relator do caso Master no STF e, pois, o que autorizou a ação contra Ciro. Evento que inaugura a chegada previsível da polícia – das investigações sobre o “elefante pintado de azul” de Daniel Vorcaro, que circulava invisivelmente pela Esplanada – ao Congresso.
Ciro, atacante de ponta, era – na política –
o que Xandão, o bloqueador central, seria no STF. O amigão de Vorcaro. E amigos
se reúnem, conforme lembra a mensagem do banqueiro à noiva: “Chegando Hugo e
Ciro aqui para falarem com Alexandre”. Era 20 de março de 2025, mui aceleradas
as gestões pela salvação do Master. Em agosto de 2024, já exposta a crise de
liquidez do banco, o ponteiro Ciro apresentara a emenda que propunha aumentar o
limite do valor de cobertura pelo FGC – de R$ 250 mil para R$ 1 milhão. Seria presente
para a maneira como Vorcaro vendia o seu produto.
O senador teria recebido o texto, já pronto,
da equipe do Master – e assim o apresentado. Não de graça. A PF investiga
pagamento de propina, sob valores que alcançariam R$ 500 mil mensais. E também a
aquisição, por meio do erguimento de fachadas, de cota societária em empresa,
com “expressivo deságio” – um negócio, estimado em R$ 13 milhões, fechado por
R$ 1 milhão.
O modo de pagamento da mesada é exemplar de
como funcionava a máquina de movimentação-dissimulação de dinheiros na rede
vorcárica, em cujas pontas haveria – sem qualquer relação entre si,
necessariamente – sociedade em hotel, contratos de prestação de serviços
advocatícios e lavagem de dinheiro para o crime organizado.
No caso de Ciro, constituída a “parceria
BRGD/CNLF”. A BRGD, parte vorcárica, tinha o tio de Daniel como diretor – e
remunerava “o pessoal que investiu na BRGD”, o investimento mencionado sendo
aquele, a pechincha a R$ 1 milhão, forjado por Vorcaro. A CNLF, a porção de
Ciro, tinha o seu irmão como administrador e seria a “destinatária formal dos
fluxos financeiros oriundos da BRGD” e “instrumento de recepção, circulação e
formalização aparente de recursos destinados ao senador”.
Barbas (ausentes) de Alcolumbre de molho, as
investigações sobre o “elefante pintado de azul” de Vorcaro, que flanava pela
Esplanada sem ser visto, chegaram ao Congresso e começarão a dar nomes aos
ponteiros enredados na teia vorcárica. Faltarão os bloqueadores, duplo ou
triplo o paredão.

Nenhum comentário:
Postar um comentário