Folha de S. Paulo
Presidente do PP foi o anfitrião de Vorcaro
no Congresso
Senadores evitam se pronunciar por medo de
provocar guerra contra líder de partido poderoso
O celular de Ciro Nogueira toca.
O nome de Daniel
Vorcaro aparece na tela iluminada do aparelho e a reportagem da Folha, que
entrevistava o presidente do PP, flagra a ligação.
Era abril de 2025, e o senador tinha apresentado,
apenas cinco dias após o anúncio da compra do Master pelo BRB, proposta para
aumentar a CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido) dos bancos.
O aumento valeria exclusivamente para as instituições financeiras com maior lucro, os bancões. A emenda foi apresentada ao projeto do Executivo que isentava o IR para quem ganha até R$ 5.000 —a proposta mais importante para Lula.
O relator era Arthur Lira, aliado de Ciro e
ex-presidente da Câmara. O aperto tributário com foco nos grandes bancos chamou
atenção de pessoas envolvidas nas negociações em torno de uma saída para a
fatia do Master que não seria absorvida pelo BRB e dependia do FGC (Fundo
Garantidor de Créditos).
A ofensiva foi uma retaliação aos banqueiros,
que resistiam ao socorro com uso do fundo, que tem os grandes bancos como os
maiores contribuintes.
A cena retrata o modus operandi dos
operadores de Vorcaro no Congresso, tendo Ciro, ex-ministro de Jair Bolsonaro,
como o grande anfitrião da festa.
Mesmo
depois da apresentação da emenda para ampliar o valor do seguro do FGC,
Vorcaro continuou usando o senador para colocar pressão total a favor do
Master. Foi bem pago.
Na véspera do veto do BC à operação do BRB,
líderes de partidos do Centrão, com destaque para o deputado Cláudio Cajado (PP), assinaram
requerimento para acelerar a tramitação de um projeto que concedia ao Congresso
o poder de destituir o presidente e diretores do BC.
Alvo
da operação Compliance Zero da PF, autorizada pelo ministro
André Mendonça, Ciro puxou a fila dos políticos no escândalo.
O medo de ser o próximo se instalou. No Senado, o
silêncio é quase sepulcral. Ninguém quer se pronunciar e provocar uma guerra
contra ele, que controla um partido poderoso. Melhor aguardar.
Se Mendonça, um dos derrotados no veto
de Jorge Messias ao STF, mandar o senador usar tornozeleira eletrônica, o
cenário muda.

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