O Estado de S. Paulo
No Brasil, elemento adicional complica os prognósticos: o País entrou no modo eleições
Saiu mais um indicador do comportamento da
economia neste ano tão cheio de incertezas. Trata-se do Índice da Atividade
Econômica do Banco Central, o IBC-Br. Em fevereiro, veio +0,60%, dentro do
esperado, mas abaixo do obtido em janeiro, que foi de +0,78%. No período de
doze meses terminado em fevereiro, o crescimento ficou em 1,88%.
O IBC-Br funciona como prévia do PIB, esta, sim, uma avaliação mais precisa da evolução da renda do brasileiro. Mas o número do PIB, aferido pelas Contas Nacionais, exige uma apuração complicada e leva mais tempo para conclusão. Sai apenas trimestralmente, com um atraso de mais de dois meses depois de fechado o trimestre. O IBC-Br é um cálculo mais ligeiro, que dá uma boa ideia de como está evoluindo a economia.
O IBC-Br de fevereiro ainda não leva em conta
os efeitos das hostilidades da Guerra do Irã sobre a economia do Brasil. Não
foram poucos. Além de turbinar os preços do petróleo em cerca de 50%,
desarticularam os canais de produção e distribuição de outros produtos, como
fertilizantes.
A tendência é de queda da atividade econômica
global acompanhada de aumento da inflação, em função da alta dos preços da
energia.
Esse impacto aparecerá necessariamente nos
IBC-Br seguintes. Há uma semana, o Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgou
seu relatório Perspectiva Econômica Mundial, já redigido sob o impacto da
guerra.
Pelos cálculos dos seus economistas, a
evolução da economia global sofrerá uma desaceleração de 3,3% para 3,2% em consequência
da guerra. Se ela se prolongar, pode embicar para uma recessão. Mas o relatório
considerou a situação do Brasil melhor em relação ao que antes esperava, graças
ao aumento das receitas com exportações de petróleo. Por isso, elevou a
perspectiva de crescimento do PIB em 2026, de 1,6%, projeção anterior, para
1,9%. A última estimativa do Relatório Focus, pesquisa semanal feita pelo Banco
Central com consultores e analistas, aponta para este ano avanço do PIB do
Brasil parecido com o do FMI, de 1,85%.
Esses levantamentos e as projeções que a eles
se seguem são a melhor referência disponível, mas, nesses tempos de grande
instabilidade, sujeitos a reviravoltas geopolíticas e a fortes turbulências nos
mercados, têm de ser vistos com cautela, porque podem mudar drasticamente. É o
tal ambiente de fortes incertezas, que não tem prazo para se dissipar.
No caso do Brasil, há um elemento adicional
que complica os prognósticos, uma vez que o País entrou no modo eleições. A
cada soluço das pesquisas de intenção de voto, o presidente Lula tende a
inventar novo pacote de bondades para tentar comprar a boa vontade do eleitor.
E não é preciso explicar demais: essas coisas sempre têm um custo que não se
limita às contas públicas, mas também à atividade econômica. •

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