terça-feira, 7 de abril de 2026

Banalizada, corrupção não predomina no debate eleitoral, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Farra das emendas e supersalários estão ausentes da discussão

Candidaturas de direita têm como prioridade indulto a Bolsonaro

Em 1989, os brasileiros puderam escolher pelo voto direto, após 29 anos, um novo presidente. Ganhou Fernando Collor, ligado à ditadura militar, favorito da mídia e da elite econômica, autodenominado "caçador de marajás", com discurso de combate à corrupção e aos privilégios do funcionalismo.

A eleição foi uma festa, com tudo o que as festas podem ter de exagero e ridículo. Na cédula eleitoral havia 22 nomes, entre os quais o de Marronzinho, que se identificava como "analfabeto inteligente". Terminou em 13º lugar, com 0,3% dos votos. Em 10º, ficou Ronaldo Caiado, com 0,7%.

Abraçado à bandeira do agro, Caiado vai tentar de novo. Já revelou o desejo autoritário de que o PT "não seja mais opção no país" e a promessa de continuação do golpismo, com indulto a Bolsonaro.

O ex-presidente começou a carreira política em 1989. Segundo uma biografia escrita pelo filho 01 —cuja candidatura ao Planalto é a cópia das incompetências do pai—, Bolsonaro se elegeu vereador no Rio de Janeiro "porque calhou de ser a única opção que possuía no momento para evitar que fosse vítima de perseguição". É incrível como em 37 anos ele não conseguiu fugir a seu destino. Continua um "perseguido" na vida.

Daquele ano para cá, muita água rolou debaixo da ponte —ponte que quase desaba com a tentativa de golpe. O enfrentamento da corrupção, que serviu de trampolim para a vitória de Collor, continua a ser explorado nas campanhas, mas sem o mesmo poder de impacto na população. Basta lembrar a recente condenação por desvios de verba de três deputados do PL, maior partido do país, além da lista com 90 parlamentares investigados. A farra das emendas acabou digerida pelo organismo nacional, como se fosse a ordem natural das coisas.

Ninguém mais fala em marajás. A decisão do STF de praticamente manter os obscenos penduricalhos nos três Poderes não repercutiu nas redes. Se se candidatasse hoje, Marronzinho teria melhor sorte, surfando na guerra cultural, na pauta de costumes e nos movimentos antissistêmicos.

 

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