terça-feira, 7 de abril de 2026

Papai Noel fora de época, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Pacote de bondades do governo Lula tem dois motivos, a guerra do Irã e a (re)eleição

O presidente Lula assistia ao desmoronamento de sua reeleição de camarote, ou saltitando, para mostrar energia e juventude, mas a realidade e as pesquisas puseram o Planalto e o próprio Lula em estado de alerta. E lá vem o tradicional pacote de bondades de ano eleitoral.

Quem paga não é o coelhinho da Páscoa, que já passou, nem Papai Noel, que só chega em dezembro. Logo, é você!

As bondades incluem subvenção extra para gás de cozinha, diesel importado e nacional, suspensão de tributos federais para biodiesel e crédito para o setor aéreo, além de isenção de PIS/Cofins para querosene de aviação. E o governo vai entrar na revisão da jornada de 6 X 1, com um projeto de lei prevendo 5 X 2, com quarenta horas semanais.

Parte do pacote tem um bom motivo, a guerra do Irã e os efeitos nos combustíveis, nos preços, na inflação e, possivelmente, nos juros do Brasil. A outra parte – não tem como disfarçar – é um investimento eleitoral, nos votos da baixa renda e da classe média e na boa vontade de produtores e das companhias aéreas.

A recepção, porém, não é tão automática, nem tão promissora assim para a candidatura Lula.

A gritaria de economistas contra a farra fiscal aumenta, a pressão para os subsídios chegarem às bombas e às passagens aéreas esquenta e o contra-ataque da oposição será forte, pelas redes sociais.

Na questão do 6 X 1, a reação contrária vem do setor produtivo, que vai pagar a conta, e do Congresso, que já tem um projeto próprio em tramitação, reclama de estar sendo atropelado e não quer dividir o bônus eleitoral.

Num momento já tão ruim para Lula, é que a guerra do Irã desabou no mundo e no Brasil justamente na fase da desincompatibilização, quando ele se adapta à tropa reserva, inclusive na Economia, no Planejamento e na Agricultura, áreas chaves para driblar os efeitos das loucuras de Donald Trump.

Se a tropa é reserva, o comandante anda numa fase ruim e sem estratégia e não adianta a desculpa esfarrapada de que a culpa é da comunicação. É da gestão – do governo e da política.

Resultado: a seis meses da eleição, diferentemente de 2006, 2010 e 2014, o candidato do PT à reeleição tem desaprovação superior à aprovação.

A favor de Lula, há dois fatores: o anti-bolsonarismo equivale ao anti-petismo e a oposição é craque em errar o alvo, com a família Bolsonaro dando tiro no pé e trocando desaforos entre si e com aliados estratégicos. 

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