Folha de S. Paulo
Direita diz que vai esperar um mês de
pesquisas antes de pensar em alianças
Gente do PL diz que candidatura está no
lucro, pois cresceu cedo e tem gordura
A candidatura de Flávio
Bolsonaro está no "lucro", diz gente do PL, partido do senador
fluminense. O que quer dizer? Que o pré-candidato teve um desempenho melhor do
que o esperado no início da pré-campanha, que empatou com o presidente Luiz
Inácio Lula da Silva nas pesquisas "muito precocemente" e, por isso,
"está muito bem-posicionado".
Perdeu sete pontos no cenário em que vai para o segundo turno contra Lula e caiu para segundo lugar, segundo pesquisa AtlasIntel divulgada nesta terça, mas isso seria efeito passageiro de "espuma de narrativa" e "volatilidade normal de campanha". Os partidos que seriam aliados de Flávio Bolsonaro compartilham da opinião do PL? "Muita água vai passar por baixo da ponte" diz um chefe do PL.
Muita coisa está boiando nessa água que passa
sob a ponte. Flávio Bolsonaro não para de mentir. Nesta terça, teve de
admitir que foi discutir em pessoa o fim da relação ("DR, fim") com
seu irmão Daniel
Vorcaro. Afinal, não é bonito acabar uma relação por e-mail ou
mensagem. Né.
Quase a cada dia surgem versões novas do
relacionamento de Vorcaro com os Bolsonaro e a produção do
filme de propaganda de Jair. Mais importante, ainda não sabemos como
o tutu foi gasto e quais instrumentos foram utilizados para fazer o trânsito do
dinheiro e das justificativas de quanto passou em cada conta, fundo, empresa.
Teve sobra de caixa? Superfaturamento de custos de transação do tráfego dos
recursos ou outros? Não é por acaso que gente como Vorcaro usa "fundo do
fundo do fundo" para sumir com dinheiro.
Flávio Bolsonaro disse que vai apresentar as
contas "em trinta dias", como aqueles prazos de esclarecimentos de
acidente de avião, queda de ponte ou apagão. O vencimento da promessa seria em
18 de junho véspera do
jogo do Brasil com o Haiti na Copa.
O pessoal do PL acredita que a "espuma
da narrativa vai passar" até por causa disso, Copa, festa junina e,
principalmente, porque apareceriam más notícias econômicas para o governo Lula:
taxas de juros altas por mais tempo, criação de emprego "caindo".
Flávio
Bolsonaro vai participar da Marcha para Jesus em São Paulo, no início de junho. "Vai
mostrar", diz gente do PL, que não perdeu apoio de evangélicos, vários
irritados com o escândalo Vorcanaro, assim como a dita "direita
limpinha" e influencer (que, no entanto, faz menos de uma semana não se
importava com o histórico de sujidades dos Bolsonaro).
O pessoal do
centrão mal quer falar do assunto. Algumas lideranças dizem que
prejuízos locais já estão dados. Alianças difíceis se tornaram inviáveis, mas
não seriam lá tantas. Outros dizem que não há informação para falar ou agir.
Isto é, vão esperar para ver até onde vai a onda atual de mentiras de Flávio
Bolsonaro e "um mês de pesquisas" (para medir o tamanho do estrago).
Mais importante, não haveria o que fazer porque não há alternativa visível, nem
para agregar o antipetismo, e porque acordos não haviam sido fechados. Por fim,
parte menor do centrão iria com Lula 4 mesmo, por conveniências regionais, e
uma outra parte, menos comprometida com a extrema direita, pode mudar de barco
a depender do grau de conveniência —expectativa de poder, desempenho nas
pesquisas dos presidenciáveis ou o próprio desempenho do político, embora o
escândalo novo de Flávio dificulte o cálculo do vira-casaca.
O motivo principal da inação, porém, é a
falta de alternativa.
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