Folha de S. Paulo
Pose infantil de 'amigo do rei' é recado para
colegas em momento de questionamentos internos
Depois do tropeço nas urnas há algumas
semanas, Jair
Bolsonaro tentou tirar uma casquinha da vitória de Donald Trump.
O brasileiro fez propaganda da relação com o republicano, disse que a eleição
americana é um "passo
importantíssimo" para sua volta ao poder e especulou:
"Tenho certeza de que ele gostaria que eu viesse candidato".
Bolsonaro não explicou o que Trump ganharia. Talvez o americano tenha interesse num governante que, no passado, esteve tão enamorado que ofereceu aos EUA mais benefícios do que receberia. Também é possível que o republicano queira apenas mais um bajulador. "Fui o último chefe de Estado a reconhecer a vitória do Biden, ele não esquece isso", orgulha-se o brasileiro.
Em entrevista à Folha, Bolsonaro fez uma
avaliação ambiciosa do impacto da eleição americana sobre sua situação
particular. Deu voz à campanha que conecta a vitória do
republicano à reversão de sua inelegibilidade e sugeriu que
Alexandre de Moraes deveria liberá-lo para ir à posse de Trump: "Ele vai
falar não para o cara mais poderoso do mundo?".
A mensagem tem poucas chances de ressoar no
STF, mas o ex-presidente também está interessado em deixar um recado dentro da
direita. Nas tensões internas desse campo, Bolsonaro recorre à pose de
"amigo do rei" para tentar impressionar colegas e exibir prestígio
num momento de questionamentos à sua liderança.
Bolsonaro precisa parecer um político
influente e competitivo para que a direita (que inclui o centrão no Congresso)
não se acostume com sua saída de cena e trabalhe para reabilitá-lo. Ostentar
uma relação direta com o presidente americano passa por aí. Além disso, a
vitória de um Trump praticamente sem freios abastece a ideia de que é possível
eleger um radical novamente, reduzindo a urgência de fabricação de uma versão
moderada.
Exagerando na confiança sobre o retorno às
urnas, Bolsonaro chegou a citar a possibilidade de formar uma chapa com Michel Temer.
O emedebista negou os
rumores ("achei esquisitíssimo"), disse que a eleição
de Trump não muda nada e ainda afirmou que Moraes acertou ao condenar os
envolvidos nos ataques de 8 de janeiro.
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