O Globo
Pablo Marçal bagunçou
o cenário da disputa pela Prefeitura de São Paulo ao
se apresentar como candidato antissistema. Na definição que ele mesmo deu numa
sabatina do UOL: “O sistema não é a lei. O sistema é o modus operandi pelo qual
o político toca a política”. Ser antissistema, segundo ele, não é querer
“entrar no sistema”, e sim “colocar [no sistema] pessoas que não se curvem” a
ele. O escrutínio das últimas semanas mostrou que não é bem assim.
O ex-coach confessa que se faz de idiota nos
debates e entrevistas porque “o público gosta disso”. Finge ser o que não é
para enganar o eleitor — típico modus operandi dos políticos tradicionais.
Seu partido, o PRTB,
já abrigou figuras como Fernando
Collor de Mello e Hamilton
Mourão. O fundador, Levy Fidélix, vivia de ser dono de partido.
Disputou várias eleições e perdeu, mas sobreviveu mais de 30 anos na política
pendurado no fundo partidário, negociando apoios à esquerda e à direita.
O novo presidente, Leonardo Avalanche, é acusado pela viúva de Fidélix e por um grupo de ex-aliados de ter tomado a legenda na mão grande, desrespeitando o estatuto e acordos com eles.
Em áudios incluídos nos processos judiciais
em torno do caso, Avalanche aparece falando que obteve a intervenção que lhe
permitiu tomar controle do partido, em fevereiro deste ano, depois de
negociação envolvendo o presidente do Senado
Federal, Rodrigo
Pacheco (PSD-MG),
o ex-presidente Michel Temer (MDB)
e o então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Alexandre de
Moraes.
Pacheco e Temer negam, Moraes não comenta o
assunto. Nada garante que Avalanche tenha falado a verdade, mas, convenhamos,
não existe história mais “do sistema” do que essa.
Em sua defesa, Marçal diz que não gosta de
partidos e que, se pudesse, não seria filiado a nenhum. Também aí, nenhuma
novidade. Para ficar em apenas um exemplo, Jair
Bolsonaro, que já foi antissistema um dia, também trocou de partido
inúmeras vezes, mas foi domesticado pelo fundo eleitoral centimilionário
do PL e
agora vive equilibrando seu discurso com o medo de ser preso por Moraes.
Para não ter de criticar Moraes, aliás,
Marçal chegou a cancelar uma entrevista com um canal de direita. “Não tenho
medo de tomar tiro, mas nem por isso vou entrar no meio de um tiroteio”,
justificou em privado, ao pular fora do compromisso.
Os bolsonaristas desconfiam que a atitude
tenha relação com o “favor” que Avalanche diz ter ganhado do ministro — que
Marçal nega. Mais uma vez, a política como ela sempre foi.
Ele também se apresenta como gestor
eficiente, que transporá sua capacidade empreendedora à Prefeitura. Além de já
termos visto esse discurso antes, com João Doria,
a própria capacidade de gestão de Marçal parece não ser tudo isso. Ele diz que
seu “império” vale R$ 5 bilhões, mas seu patrimônio não passa de R$ 300
milhões, somando o que ele declarou ao TSE ao que deixou de fora, de acordo com
a Folha de S.Paulo.
Desde que Marçal apresentou sua candidatura,
a toda hora surge uma revelação que vincula algum personagem de seu entorno ao
Primeiro Comando da Capital, o PCC. Do próprio Avalanche, que disse em áudio
ter soltado o traficante André do Rap, a seu segurança, investigado por matar
uma pessoa jurada de morte pela facção.
O ex-presidente estadual do PRTB Tarcisio
Escobar, indiciado por trocar carros de luxo por cocaína. Um “despachante” que
representa sua empresa de aviação e foi preso em 2021 por fornecer aeronaves
para trazer 5 toneladas de cocaína da Bolívia ao Brasil.
Marçal chegou a ser preso e condenado por
participar de uma quadrilha que aplicava golpes enviando links falsos para
correntistas de bancos. Ele diz que nunca roubou nada de ninguém e que provará
que não tem nada a ver com o PCC.
Até agora, vem convencendo parte do
eleitorado. Juntando a linguagem tiktoker burilada no algoritmo ao discurso de
coach-pastor, catalisou o sentimento de indignação de quem está nas franjas do
espectro social e cultural e não enxerga brecha para subir na vida.
Os milhões de cortes, as frases abiloladas e
a retórica agressiva que agitam a massa amplificaram a narrativa do sujeito de
família humilde que chegou ao topo da pirâmide para desafiá-la.
Aí reside o apelo antissistema de Marçal. Só que, como ele mesmo já confessou, não tem nenhum pudor de fingir ser o que não é para conseguir o que quer. E o que ele é está cada vez mais claro para quem se dispõe a enxergar: um personagem que não só está entranhado no sistema, mas associado ao que há de pior dentro dele.
3 comentários:
Muito bom! Realmente, Marçal está associado ao que há de pior dentro do sistema: PCC, assassinos, outros bandidos e todos os tipos de mentirosos.
Enquanto vocês fazem um esforço tremendo pra denegrir a imagem do Marçal que é o empresário de sucesso , pai de família com quatro filhos , jovem empreendedor
Que foi acusado de participar da quadrilha quando tinha 17 anos era uma criança , que consertava computadores na empresa processada pra viver
Agora ninguém fala nada do terrorista do Guilherme bolos , candidato da extrema esquerda do PSOL, Que passou a vida toda estimulando invasões de propriedades privadas Não tem nada a acrescentar de bom , tudo fingimento Agora na eleição fica bonzinho quase proibiu de falar que ele é ligado ao movimento dos sem tetos é um farsante que se aproveita da inocência e da carência da população mais pobre em busca de uma casa
A maioria dos jornalistas só falta pedir voto pro Boulos, Mas não tem coragem
Façam o M,de Moraes.
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