Folha de S. Paulo
Ela reclamou que juiz não tem carro,
apartamento funcional, plano de saúde, refeitório, água e café
Para quem esperava um avanço para barrar os
supersalários, a semana não terminou bem
A fala da
presidente da Associação Brasileira de Magistrados do Trabalho, Claudia Marcia
de Carvalho Soares, no julgamento da liminar que limita os supersalários no
serviço público, do ministro do STF Flávio Dino,
expôs na forma bruta o abismo que
existe entre o Judiciário e o resto da população brasileira.
Claudia Soares reclamou que o juiz de primeiro grau não tem carro, paga o combustível do próprio bolso e não tem apartamento funcional, plano de saúde, refeitório, água e café.
"Eu pagava o meu [café] junto com a
minha equipe", contou ela, na maior naturalidade. É de dar pena tanto
sacríficio dos juízes. Se não foi deboche na cara dos assalariados, foi o que
pareceu.
A magistrada aposentada, que recebeu um
salário de R$ 128 mil em dezembro passado (acima do teto salarial de R$ 46,3
mil) e integra a elite do serviço público no Brasil, não ficou em nenhum
momento envergonhada do que disse.
Ao contrário, despejou no julgamento o diagnóstico de que os juízes hoje não
têm segurança jurídica de quanto vão receber. Também condenou o uso do termo
penduricalhos, como ficou conhecida a proliferação de verbas adicionais e
benefícios pagos aos servidores; como folgas extras, que elevam a remuneração
acima do teto constitucional.
Se não tem bom senso, o famoso semancol, a juíza contribuiu para mostrar como é
urgente acabar com os privilégios porque os excessos foram normalizados. A
pressão para manter os penduricalhos segue forte.
Para quem esperava um avanço para barrar supersalários no julgamento, a semana
não terminou bem. O presidente do STF, Edson Fachin,
suspendeu o julgamento e a sessão só será retomada em 25 de março. Ele criou um
grupo de trabalho para buscar uma saída negociada para o tema entre os Poderes.
A deixa para um acordão, que pode não trazer mudanças efetivas.
O Supremo também autorizou o pagamento dos retroativos por 45 dias. No
Judiciario, os retroativos são conhecidos como os puxadinhos salariais. Os
interesses dos juízes estão prevalecendo.

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