Essa montanha russa na
percepção da opinião pública não é recente. A preocupação com a corrupção sobe
a cada grande escândalo e arrefece no ciclo posterior de acomodação
institucional. No Brasil pós-redemocratização assistimos ao escândalo de
Collor, dos Anões do Orçamento, o Mensalão, a Lava Jato e agora os casos do
INSS e do Master. As relações incestuosas entre público e privado sempre têm
seus ícones empresariais: PC Farias, Marcos Valério, Marcelo Odebrecht, o
Careca do INSS, Daniel Vorcaro. No meio, encontram-se lideranças políticas e
governamentais. Do outro lado, surgem seus algozes: Ibsen Pinheiro, Roberto
Magalhães, Joaquim Barbosa, Sérgio Moro, André Mendonça. Os personagens mudam, mas o enredo permanece. A cada novo escândalo
cresce a sensação de impotência, impunidade e a convicção de que os avanços
institucionais não foram suficientes e que a corrupção é uma doença endêmica e
inevitável.
Como vacina ao complexo de
vira-lata temos a própria História. A corrupção acompanha o ser humano desde a
Antiguidade. Afinal, o filósofo grego, Diógenes, não caminhava nas ruas de
Atenas, com sua lanterna acesa em pleno dia, em busca de um homem honesto? Aristóteles
e Platão trataram do assunto em suas obras. Aristófanes, em sua peça “Os
cavaleiros” produz a fala de um governante: “E eu a roubar, mas para o bem da
cidade”. Todo corrupto tem sempre um fundamento nobre para justificar seu
comportamento ilícito e imoral. Eurípedes, em Medéia, reverbera o provérbio
grego “os presentes até os deuses convencem”.
Na Roma Antiga, a corrupção
era componente sistêmico da vida social e política. A primeira legislação
romana anticorrupção data de 149 anos antes de Cristo. Fraudes fiscais,
subornos, abusos de poder, manipulação judicial, estavam ali presentes. O
provérbio latino assegurava: “Em Roma, tudo se compra”.
A Bíblia trata a corrupção
como um dos motores da degradação humana, intimamente ligada à morte espiritual.
“Não aceitarás suborno, porque o suborno cega os que têm vista e perverte a
palavra dos justos” (Êxodo, 23:8). “A corrupção moral de uma nação faz cair seu
governo, mas o líder sábio e prudente traz estabilidade” (Provérbios, 28:2).
Onde há balcão público que licencia, elabora normas e leis, fiscaliza, multa, penaliza, regula, contrata, compra, paga, aloca recursos, concede benefícios e empréstimos, há potencialmente a possibilidade de corrupção. Para a democracia é fatal os cidadãos acharem que todos são iguais e que o poder é sempre corrupto. O caso Master engolfou segmentos significativos da República. Precisamos endurecer a legislação, fortalecer as instituições, aprofundar a transparência, adensar controles. Mas, acima de tudo, promover uma revolução cultural e comportamental anticorrupção, seguindo a máxima de Ulysses Guimarães, na promulgação da Constituição de 1988: “Não roubar, não deixar roubar, pôr na cadeia quem roube, eis o primeiro mandamento da moral pública”.

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