Folha de S. Paulo
Sem conseguir justificar sua intimidade com
Vorcaro, Flávio quer censurar pesquisas
Abacaxi difícil de descascar, caso Dark Horse
faz cúpula do PL temer novas revelações
Em abril, quando nem ele acreditava que sua
aventura presidencial estivesse sendo levada a sério e se tornasse competitiva
em tão pouco tempo, o filho 01 armou com o dono do Paraná Pesquisas para que
incluísse o nome de sua mãe, Rogéria, numa sondagem de intenções de voto para o
Senado no Rio.
A ideia era dar um chute no ex-governador Cláudio Castro, que, caído em desgraça, não tinha mais serventia para o clã. A ex-mulher de Jair, de quem ninguém ouvia falar desde que tentou sem sucesso se eleger deputada estadual em 2022, surgiu tecnicamente empatada com a petista Benedita da Silva. Um milagre de ressuscitação.
Agora, com sua candidatura fazendo água e
tendo de administrar as doses de mentira para esconder sua relação íntima com
um empresário preso, Flávio
Bolsonaro pediu ao TSE que suspenda a divulgação da pesquisa
Atlas que o mostra ficando para trás na corrida eleitoral, uma perda de seis
pontos.
A campanha do senador sustenta que a
disposição das perguntas e temas, com "uso de associações entre o
pré-candidato, Daniel
Vorcaro e o Banco Master contaminam
e induzem as respostas". Flávio queria que o instituto perguntasse o quê?
Se o fim do namoro entre Virginia e Vini Jr. pode interferir na sua eleição?
Após Flávio confessar que foi discutir
pessoalmente o fim de suas transações com Vorcaro, o PL se deu um prazo de
15 dias (leia-se pesquisas) para avaliar se continua ou não ao lado do
candidato. Os caciques estão desconfiados das versões apresentadas pelo filho
de Bolsonaro e temem novas revelações bombásticas.
Afinal, quem se arrisca a visitar um picareta
que cometeu uma fraude de R$ 50 bilhões, usa tornozeleira eletrônica e se
oferece para fazer uma delação premiada só para romper o namoro cara a cara?
Nem a Virginia se atreveria a tanto para gravar um story.
Nenhuma "narrativa" sobre os
investimentos na cine-hagiografia de Bolsonaro consegue ficar de pé. Só há uma
certeza: "Dark Horse" é um abacaxi difícil de descascar. Tanto o
filme quanto a crise política.
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