sábado, 23 de maio de 2026

Encurralado, filho 01 entra no modo choradeira, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Sem conseguir justificar sua intimidade com Vorcaro, Flávio quer censurar pesquisas

Abacaxi difícil de descascar, caso Dark Horse faz cúpula do PL temer novas revelações

Em abril, quando nem ele acreditava que sua aventura presidencial estivesse sendo levada a sério e se tornasse competitiva em tão pouco tempo, o filho 01 armou com o dono do Paraná Pesquisas para que incluísse o nome de sua mãe, Rogéria, numa sondagem de intenções de voto para o Senado no Rio.

A ideia era dar um chute no ex-governador Cláudio Castro, que, caído em desgraça, não tinha mais serventia para o clã. A ex-mulher de Jair, de quem ninguém ouvia falar desde que tentou sem sucesso se eleger deputada estadual em 2022, surgiu tecnicamente empatada com a petista Benedita da Silva. Um milagre de ressuscitação.

Agora, com sua candidatura fazendo água e tendo de administrar as doses de mentira para esconder sua relação íntima com um empresário preso, Flávio Bolsonaro pediu ao TSE que suspenda a divulgação da pesquisa Atlas que o mostra ficando para trás na corrida eleitoral, uma perda de seis pontos.

A campanha do senador sustenta que a disposição das perguntas e temas, com "uso de associações entre o pré-candidato, Daniel Vorcaro e o Banco Master contaminam e induzem as respostas". Flávio queria que o instituto perguntasse o quê? Se o fim do namoro entre Virginia e Vini Jr. pode interferir na sua eleição?

Após Flávio confessar que foi discutir pessoalmente o fim de suas transações com Vorcaro, o PL se deu um prazo de 15 dias (leia-se pesquisas) para avaliar se continua ou não ao lado do candidato. Os caciques estão desconfiados das versões apresentadas pelo filho de Bolsonaro e temem novas revelações bombásticas.

Afinal, quem se arrisca a visitar um picareta que cometeu uma fraude de R$ 50 bilhões, usa tornozeleira eletrônica e se oferece para fazer uma delação premiada só para romper o namoro cara a cara? Nem a Virginia se atreveria a tanto para gravar um story.

Nenhuma "narrativa" sobre os investimentos na cine-hagiografia de Bolsonaro consegue ficar de pé. Só há uma certeza: "Dark Horse" é um abacaxi difícil de descascar. Tanto o filme quanto a crise política.

 

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