Folha de S. Paulo
Distância no 1º turno sobe de 3 para 9
pontos; no 2º turno, petista agora supera senador por 47 a 43
Nome cogitado na crise, Michelle Bolsonaro
tem desempenho semelhante ao do senador no tira-teima
Na primeira pesquisa do Datafolha feita
integralmente após a eclosão do caso "Dark Horse"
na campanha de Flávio
Bolsonaro, o presidente Lula (PT)
ampliou de 3 para 9 pontos a vantagem sobre o senador pelo PL do Rio na
simulação de primeiro turno, marcando 40% ante 31% do rival.
Há uma semana, Lula
estava em empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos
percentuais do levantamento: 38% a 35%. No cenário do segundo turno, a
igualdade em 45% virou agora uma vantagem de 47% a 43% para o petista.
Na semana passada, o instituto havia divulgado um levantamento cuja maioria das entrevistas havia sido feita antes da revelação de que Flávio havia pedido dinheiro para o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, sob a justificativa de financiar um filme sobre a vida de seu pai, o ex-presidente condenado por tentativa de golpe Jair Bolsonaro.
Agora, o Datafolha voltou às ruas de quarta
(20) a quinta-feira (21) com o episódio já amplamente conhecido: 64% dos 2.004
entrevistados em 139 cidades disseram ter ouvido falar do caso, com um
percentual igual de ouvidos que acham que o senador agiu mal.
No cenário mais provável hoje de primeiro
turno, Lula e Flávio seguem isolados à frente. Os ex-governadores Ronaldo
Caiado (PSD-GO,
4%) e Romeu
Zema (Novo-MG, 3%) empatam com Renan Santos (Missão) e Samara Martins
(UP), ambos com 3%.
Tecnicamente no mesmo patamar estão Augusto
Cury (Avante, 2%), Rui Costa Pimenta (PCO, 1%), Cabo Daciolo (Mobiliza, 1%) e
Aldo Rebelo (DC, 1%), removido
da disputa pelo seu partido, que agora fala em indicar o ex-ministro
do Supremo Joaquim Barbosa. O movimento ocorreu após o registro da pesquisa,
sob o código BR-07489/2026 no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Lula segue em vantagem numa hipotética
segunda rodada ante seus outros rivais. Da semana passada para cá, passou de
46% a 48% no embate com Caiado, que ficou em 39%. Contra Zema, teve a mesma
variação, enquanto o mineiro oscilou de 40% para 39%.
Cogitada
como um nome para substituir Flávio em caso de desistência, a
ex-primeira-dama Michelle
Bolsonaro (PL) tem desempenho semelhante ao do senador num hipotético
segundo turno contra Lula. Nesse, ela teria 43%, enquanto o presidente marcaria
48%.
Já na simulação de primeiro turno, ela vai
pior do que Flávio, marcando 22% enquanto Lula tem 41%, ainda assim isolados do
pelotão de baixo, liderado por Zema com 6%. Hoje, a candidatura Michelle é
vista como distante. O ex-presidente e o PL querem que ela dispute o Senado
pelo Distrito Federal.
O resultado traduz o primeiro baque na
campanha do senador desde que seu nome foi lançado, no fim do ano. Surfando
numa onda de más notícias para o governo Lula e sem contestações
diretas, Flávio isolou-se no segundo lugar no primeiro turno.
Em abril, superou numericamente o petista
pela primeira vez no cenário de segunda rodada. Na aferição da semana passada,
a subida havia sido estancada e ambos haviam empatado em 45%.
A situação política de Flávio é delicada.
Desde que o caso emergiu, a partir de uma
reportagem do Intercept Brasil, ele foi pego mudando de versão várias
vezes.
Inicialmente,
acusou o site de divulgar fake news, só para depois admitir que havia
pedido o dinheiro supostamente para a produção de "Dark Horse"
(azarão, em inglês), sobre a vitoriosa campanha de 2018 de Bolsonaro.
Depois, admitiu que algo mais, "um
vídeo", poderia aparecer, mas sustentou que não havia tido contato pessoal
com o ex-banqueiro. Ligações entre o entorno da película e seu irmão, o
deputado cassado Eduardo (PL-SP), apareceram. Na terça (19), o
senador admitiu que se encontrou com Vorcaro após ele ter saído da
prisão.
O ex-banqueiro, que viu o Master liquidado no
ano passado, está
no centro de um escândalo estimado em dezenas de bilhões de reais a
partir da emissão de títulos podres e sobrevalorização de ativos, envolvendo no
processo governos e uma tentativa de compra do banco pelo estatal BRB.
Suas conexões com o mundo político e empresarial
estão na mira de investigações da Polícia Federal, e já atingiram outras
figuras ligadas a Flávio, como
o presidente do Progressistas, Ciro Nogueira. Sob desconfiança de
aliados, o senador trocou
de marqueteiro e diz que seguirá na disputa.
Segundo o Datafolha, Flávio segue com
vantagem sobre seus adversários na disputa e continua sendo a principal figura
anti-Lula no pleito de outubro. Na pesquisa espontânea, quando o eleitor não vê
a lista de opções, ele se manteve estável com 17% de intenção de voto —o
presidente tem 28%. Michelle não é citada.
A rejeição dos dois líderes segue dando o tom
no quesito: não votariam de modo algum em Flávio 46%, ante 45% que também
descartam apoiar Lula. Michelle vem a seguir, com 31% de rejeição.
Em favor da ex-primeira-dama há o fato de que
ela é um pouco menos conhecida do que o enteado. Não sabem quem ela é 13%, ante
7% que dizem o mesmo do senador. Nesse ponto,
os ex-governadores na disputa têm um "mix" favorável: Caiado
é desconhecido por 52% e tem 15% de rejeição, enquanto Zema marca 53% e 18%,
respectivamente.
Do ponto de vista de perfil do eleitorado,
não há mudanças significativas. Lula tem seu maior apoio entre as mulheres, os
mais pobres, menos instruídos, nordestinos e católicos. Já Flávio registra um
desempenho acima da média entre homens, evangélicos, moradores do Sul e do
Norte/Centro-Oeste e nos segmentos de classe média e mais ricos.
Os dados de levantamentos eleitorais não
devem ser compreendidos como previsões para o resultado final das eleições.
Eles servem de termômetro para opinião de eleitores no momento em que a
pesquisa é feita.

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