sexta-feira, 19 de junho de 2026

PF: Jaques Wagner teria atuado em temas de interesse do Master no Senado, Por Giullia Colombo e Mateus Coutinho

Valor Econômico

Líder do governo no Senado foi alvo de operação da Polícia Federal nesta quinta-feira

Líder do governo no Senado, o senador Jaques Wagner (BA), teria atuado em temas de interesse do Banco Master no Congresso, como crédito consignado, Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e a aquisição da instituição pelo Banco de Brasília (BRB), segundo a Polícia Federal (PF). Ele foi alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quinta-feira (18).

As ações estão destalhadas na decisão do ministro André Mendonça, relator no Supremo Tribunal Federal (STF) da investigação do Master e que autorizou as medidas de busca e apreensão da PF.

Segundo o ministro, a PF descreveu conversas por telefone e por mensagens entre Wagner e o ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master, Augusto Ferreira Lima, que indicam que o senador não seria “mero destinatário passivo de informações, mas interlocutor relevante em temas sensíveis ao grupo econômico investigado”.

Em março de 2022, Wagner apresentou uma emenda à medida provisória que ampliava a margem de crédito consignado aos segurados e autorizaria a realização de empréstimos e financiamentos para beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC). Segundo a PF, a emenda teria sido apresentada próxima ao início das relações contratuais entre o Master e a BN Financeira, empresa ligada ao núcleo familiar do parlamentar.

Há também registros de conversas por telefone de Lima e Wagner na data da inclusão de uma emenda à proposta de emenda à Constituição (PEC) sobre o FGC, em agosto de 2024.

A PF também apontou que os dois trocaram mensagens sobre a venda do Master ao BRB por mensagens. O ex-sócio do Master, na ocasião, teria dito "Você mais do que ninguém sabe da minha história e faz parte disso".

Em entrevista à BandNews nesta tarde, o senador negou ter recebido vantagens indevidas de Vorcaro, com quem afirma ter se encontrado somente em duas ocasiões. Ele também afirmou que o apartamento estava sendo adquirido para sua filha, mas o empreendimento ainda estava em construção. Por isso, relatou, pediu ao empresário Augusto Lima, que foi sócio do Banco Master, que realizasse a compra inicialmente, com o compromisso de que ele próprio recompraria o imóvel posteriormente.

Sobre o dinheiro apreendido, Wagner disse que o recurso tem origem regular e foi recebido com as diárias em viagens realizadas no exercício do mandato.

Ao comentar a operação, o senador afirmou respeitar a atuação das instituições responsáveis pela investigação, apesar de considerar desproporcional a medida adotada contra ele. “Pessoas com muitos mais milhões não tiveram busca e apreensão, mas respeito a Polícia Federal e o ministro André Mendonça”, disse.

Depois da entrevista, por meio de nota, a assessoria do senador destacou que o petista não é réu, não foi denunciado e não responde a qualquer acusação formal relacionada aos fatos investigados. O comunicado afirma que o líder do governo no Senado acompanha as investigações com tranquilidade.

A nota também rebate as suspeitas sobre o apartamento citado na apuração da PF. Segundo a assessoria, o imóvel “jamais integrou o patrimônio do parlamentar”. O senador também nega ter atuado em favor do Banco Master ou de qualquer outra instituição financeira.

Em relação aos valores em espécie apreendidos, a nota acrescenta que os recursos foram declarados. “Por fim, o senador Jaques Wagner reitera que permanece à inteira disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos, com a certeza de que a verdade prevalecerá”, diz o comunicado.

Os advogados de Augusto Lima afirmaram que as medidas realizadas nesta quinta-feira eram "desnecessárias" já que o empresário estaria à disposição das autoridades há seis meses para prestar esclarecimentos. No comunicado, a defesa diz que os fatos relacionados a Lima são "rigorosamente lícitos". "Augusto Lima sempre atuou dentro dos limites da lei, com transparência, responsabilidade técnica e observância das normas que regem o sistema financeiro e a administração pública", diz a nota assinada por Pedro Ivo Velloso, Eduardo Toledo e Sebástian Mello.

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