O Estado de S. Paulo
O desejo de retaliar a Justiça pode estar presente. A capacidade de fazê-lo, não
O que acontece quando líderes políticos
poderosos são condenados? A resposta mais intuitiva é que a condenação
fortalece a democracia. Afinal, ela sugere que ninguém está acima da lei e
aumenta os custos de futuros desvios.
Mas em um artigo ainda preliminar e provocativo, os cientistas políticos Luciano Da Ros e Manoel Gehrke chamam atenção para a reação dos próprios políticos. Os autores mostram de forma comparada que condenações de ex-chefes de governo (entre 1946 e 2025) frequentemente são seguidas por reformas que reduzem a independência e os poderes do Judiciário. A lógica é simples. Quando um líder poderoso é condenado, a mensagem enviada aos demais políticos é que eles podem ser os próximos. Em vez de aceitarem passivamente esse novo risco, passam a apoiar mudanças institucionais capazes de limitar o Sistema de Justiça.







