O Estado de S. Paulo
O ‘fator Wagner’ reforça as tentativas de um ‘acordão’ para replicar o fim da Lava Jato
Há três indícios de uma tentativa de
“acordão” no ar, para livrar a cara dos alvos do escândalo Master: a
resistência de Daniel Vorcaro em assumir uma real delação premiada, o voto do
ministro Gilmar Mendes contra a prisão de chefões da quadrilha e o envolvimento
de integrantes dos três Poderes e do Centrão, do bolsonarismo e, agora, da cúpula
do PT, com as provas aterradoras contra Jaques Wagner.
O bolsonarismo usa Wagner para empurrar o
Master para o colo do presidente Lula, já o PT contra-ataca com o áudio de
Flávio Bolsonaro pedindo R$ 130 milhões para Daniel Vorcaro.
Os dois lados, porém, não têm interesse em ir a fundo nas investigações e na punição dos culpados. Como no próprio Congresso, quando os interesses são comuns, ou para se safar, todo mundo se une.
Quem sobra para impedir um “acordão” e
garantir que se faça justiça, dentro da Constituição, das leis e das provas?
Sobram as minorias no Judiciário, no Legislativo e no Executivo, que, mesmo em
minoria, como no Supremo, têm uma poderosa aliança com PF, opinião pública e,
enfim, a verdade.
O primeiro indício de articulação de um
“acordão” é Vorcaro resistindo em fazer uma real delação premiada, única forma
de não mofar na cadeia por décadas. Por quê? Porque tenta ganhar tempo para a
“alternativa política”, com seus “irmãos”, “amigos” e favorecidos em geral se
movendo para pagar o que lhe devem e salvar a própria pele.
O segundo indício é o voto derrotado de
Gilmar, decano do STF, para trocar a prisão do pai e do primo de Daniel
Vorcaro, Henrique e Felipe, por meras medidas cautelares. Como assim? A
quadrilha que ambos integram vai além de desvios milionários e age como
mafiosa, com armas, carros blindados, chantagens e ameaças de “moer” gente. Se
não é ameaça à sociedade, é o quê?
A princípio incompreensível, o voto de Gilmar
gerou interpretações. Estaria tentando (inutilmente, aliás) salvar o amigo
Alexandre de Moraes? Temendo cair na rede? Ou, o que é mais provável,
articulando um “acordão” no formato “técnico-jurídico” que aniquilou a Lava
Jato?
Assim como o áudio de Flávio afetou sua
candidatura e as revelações sobre Moraes e Dias Toffoli atingiram o Supremo, as
provas muito claras e vergonhosas contra Jaques Wagner caem como uma bomba no
governo e na campanha de Lula.
Até porque Wagner pode arrastar com ele o PT
da Bahia e o também ex-governador do Estado Rui Costa, que foi chefe da Casa
Civil de Lula-3. Ciro Nogueira, que ocupou o cargo com Bolsonaro, está com lama
até o pescoço no caso Master. Costa, por ora, só é citado daqui e dali. Até
quando?

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