sexta-feira, 24 de abril de 2026

Master: fila de delatores enfrenta barreira, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

Com investigações avançadas, o que mais Vorcaro, Zettel e Costa podem entregar nesse núcleo central?

Formou-se uma fila de possíveis delatores do caso do Banco Master: o banqueiro Daniel Vorcaro, o cunhado e operador financeiro dele, Fabiano Zettel, o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa.

À medida que as investigações apertaram o cerco, todos adotaram a mesma estratégia. Trocaram de advogado e passaram a buscar um acordo.

Seus advogados, porém, têm ouvido a mesma coisa de interlocutores na Polícia Federal, na Procuradoria-Geral da República (PGR) e no gabinete do relator do caso, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. Não vai ser fácil.

O mesmo motivo que os levou a buscar uma delação premiada é o que se transforma agora numa barreira para que consigam avançar no caminho do perdão judicial em troca de informações: as investigações da PF avançaram demais.

Entre os investigadores, o caso Master é tratado por ramos distintos. A trama central – que é a fraude financeira provocada pela quebra do Master e a tentativa frustrada de compra do banco pelo BRB – está praticamente elucidada.

Graças ao trabalho inicial do Banco Central, à extração minuciosa da PF dos celulares e computadores e, claro, ao descuido dos alvos, poucas vezes se viu uma investigação de corrupção tão bem detalhada.

Já estão praticamente comprovadas a gestão fraudulenta das carteiras do Master, o que provocou um rombo no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), e a tentativa de cooptar a cúpula do BRB para tentar encobrir os malfeitos. Aliás, as mensagens entre Paulo Henrique Costa e Vorcaro são para lá de comprometedoras.

O que mais os delatores, incluindo Vorcaro, podem entregar nesse núcleo central?

A resposta é simples. Praticamente nada, a não ser que cheguem a eventuais políticos que tenham facilitado as falcatruas. O ex-governador do DF Ibaneis Rocha, por exemplo, tinha ciência do que se passava?

Estará Vorcaro disposto a esclarecer as suspeitas sobre suas relações para lá de nebulosas com os ministros do Supremo Tribunal Federal já reveladas pela imprensa?

Cabe aqui dizer que não é uma caça às bruxas. Os investigadores não têm alvos predeterminados, porque isso fere o próprio princípio da colaboração. Mas a questão técnica é: os delatores serão capazes de ampliar o escopo da investigação? Isso sem falar no risco de que um delator “esvazie” o outro.

Uma colaboração bem-sucedida precisa de fatos adicionais, tem de oferecer recuperação de patrimônio e entregar provas ou elementos que permitam aos investigadores chegar a essas provas. Caso contrário, nada feito.

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