O Congresso Nacional cresceu em importância
nos últimos anos ao recuperar suas prerrogativas. A Câmara dos Deputados, como
representação democrática da sociedade, decide o orçamento, interfere na
formatação das políticas públicas, aprova as leis que regem nossas vidas,
fiscaliza o Poder Executivo, aloca valores expressivos de emendas
parlamentares, investiga, através de CPIs, desvios e corrupção, garante ou não
governabilidade e estabilidade para o presidente eleito.
Será que valorizamos, proporcionalmente à
importância que efetivamente tem, o nosso voto para deputado? Maurício Moura,
um dos maiores especialistas brasileiros em pesquisas de opinião pública,
fundador do Instituto Ideia, escreveu, dias atrás, um interessante artigo sobre
o tema, intitulado “A eleição que ninguém vê, e que decidi tudo”.
Com base em números recentes de seu instituto,
o Ideia Big Data, afirma: “A maioria dos eleitores não sabe quem é o presidente
da Câmara e mais de 75% do eleitorado não lembram em quem votaram para
deputado(a) em 2022”.
Ora, quem sequer lembra o nome de seu
representante muito menos exerce o democrático controle social sobre os
mandatos parlamentares. Um princípio clássico e essencial na democracia moderna
é o do accountability, termo inglês que significa responsabilização pelas
ações, decisões e resultados, transparência nas informações e prestação de
contas. Isto permitiria um processo de avaliação que orientaria as novas
escolhas dos eleitores, reconduzindo ou não determinado parlamentar a um novo
mandato. Mas os brasileiros, em sua absoluta maioria, não sabem sequer o nome
de seus representantes. E o deputado, livre de qualquer controle social
efetivo, toma suas decisões descolado, muitas vezes, da visão de seu eleitor.
Há controles difusos através da imprensa e das redes sociais, mas sem uma
conexão direta com o processo de avaliação e formação da intenção de voto.
Tudo isto revela uma distância abissal entre
representantes e representados. Nas democracias avançadas não é assim. Qual é a
raiz dessa distorção? O sistema eleitoral, a regra do jogo.
Na Inglaterra, na França e nos EUA adota-se o
voto distrital puro. Em um território reduzido, realiza-se uma escolha entre no
máximo dez candidatos, apenas um por partido, pelo voto majoritário. Para se
ter uma ideia, a escolha de cada um dos 53 deputados de Minas Gerais se daria
em um distrito com 306 mil eleitores. Em São Paulo, cada uma das 70 cadeiras
seria preenchida num espaço territorial com 491 mil eleitores. O eleitor não
esquece o nome e controla o exercício do mandato. Ganha a democracia.
Na próxima semana, abordarei outros sistemas
e as nossas regras caóticas.

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