sábado, 13 de fevereiro de 2016

Cardozo diz não haver ilegalidade na campanha de Dilma em 2014

• Defesa vem após revelação de que Lava Jato investiga suposto pagamento da Odebrecht ao marqueteiro João Santana, responsável pelas campanhas da petista em 2010 e 2014

Cardozo diz ter convicção de que não há ilegalidade na campanha de Dilma

- Folha de S. Paulo

BRASÍLIA - O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) disse ter "absoluta convicção" de que não houve caixa 2 na campanha da presidente Dilma Rousseff em 2014.

A Operação Lava Jato investiga pagamentos atribuídos a subsidiárias da Odebrecht em contas no exterior controladas pelo marqueteiro João Santana, responsável pelas campanhas de Dilma em 2010 e 2014, conforme a Folha mostrou nesta sexta-feira (12).

Embora tenha lembrado que não participou do núcleo duro do PT que atuou na última corrida presidencial, Cardozo afirmou que acompanhou o processo "como militante".

"Tenho absoluta convicção de que na campanha na presidente Dilma não houve situação nenhuma de pagamentos ilegais. Já há tantos processos, e as contas foram aprovadas, tudo absolutamente regular. Não vejo constrangimento", afirmou.

Ele disse ainda que o próprio tesoureiro petista, o hoje ministro Edinho Silva (Secretaria de Comunicação Social), sempre reafirmou a legalidades das contas partidárias.

A PGR (Procuradoria-geral da República) pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) a abertura de inquérito para investigar se Edinho Silva foi um dos beneficiários do esquema de corrupção da Petrobras, como o acusou o dono da UTC, Ricardo Pessoa, que firmou acordo de delação premiada.

O ministro da Justiça disse também que não vê elementos substanciais na mensagem em que o dono da empreiteira, Marcelo Odebrecht, aborda um suposto risco de a investigação alcançar a "campanha dela".

No texto, descoberto após a Polícia Federal apreender o celular do empresário, Marcelo afirma, sem especificar a quem se referia: "Dizer do risco de cta na Suíça chegar na campanha dela".

Para Cardozo, trata-se de uma "mensagem lateralmente feita, em que nomes não são citados". Por isso, de acordo com o ministro, não é possível dizer se será dada a dimensão de prova ao material.

"Se isso é utilizado ou não é um problema dos investigadores", disse Cardozo.

Ele adiantou ainda que deve pedir à Polícia Federal para averiguar se houve vazamento de informações da investigação, uma vez que o inquérito envolvendo o marqueteiro de Dilma está sob sigilo.

"O vazamento, quando é ilegal, prejudica a investigação e, muitas vezes, atinge pessoas que podem não ter nada (de ilegal). E, nesses casos, garanto que os espaços de resposta não são os mesmos", criticou Cardozo.

Lula
O ministro da Justiça usou argumentos semelhantes ao falar sobre a situação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com quem mantém uma relação distante. Lula, em mais de uma ocasião, já defendeu internamente a saída de Cardozo da Esplanada.

"Pessoas investigadas não são condenadas e não podem ser execradas[...] Como pessoa que acompanha o partido, eu sempre o tive como grande líder e que se comporta como grande lisura", analisou, antes de voltar a dizer que os danos a quem é alvo de exposições injustiças são irreparáveis.

José Eduardo Cardozo voltou a prometer que não faltará os recursos para a Polícia Federal fazer operações em 2016. Como já havia dito, se comprometeu a remanejar o caixa o do próprio ministério da Justiça, caso a PF seja fortemente atingida pelo corte orçamentário.

A associação que representa os delegados da PF redigiu uma carta para ser entregue ao ministro em que sustentam o risco de as atividades da corporação serem gravemente prejudicadas pela tesoura do Executivo.

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