Folha de S. Paulo
Partidos progressistas vivem momento difícil
em vários lugares do mundo, tanto por erros como por acertos
O fraco desempenho do PT e de legendas que
lhe são próximas nas eleições
municipais está levando muita gente a falar em crise da
esquerda e a cobrar desse campo político uma espécie de reforma
ou atualização de agenda.
Reluto um pouco em extrair uma mensagem inequívoca de um amontoado de pleitos locais que são, em sua maioria, decididos mais por questões de zeladoria do que de posicionamento ideológico. Mas, se olharmos para uma série histórica mais ampla de eleições e para o que está acontecendo em outros países, acho que dá para falar que a esquerda vive um momento complicado.
Gostaria de destacar dois elementos que podem
estar contribuindo para essa situação, um que eu classificaria como erro e
outro como acerto.
O erro, a meu ver, é que a esquerda pendeu
demais para o lado das questões identitárias e com isso matou ou ao menos
enfraqueceu sua bandeira maior, que era a igualdade política de todos os
cidadãos.
Não estou obviamente afirmando que racismo e
discriminações variadas não sejam um problema. São. Mas penso que precisamos
abordá-lo com uma pegada universalista. As diferenças que existem entre as
pessoas são, para usar um vocabulário aristotélico, acidentais, não essenciais
como o discurso identitário parece sustentar.
O acerto é que a maior parte da esquerda dá
sinais de ter aderido de verdade ao jogo democrático. Até os anos 1980 ainda
era comum ouvir de esquerdistas que a democracia burguesa era uma farsa e que
eles só participavam de eleições para ter uma chance de assumir o poder.
Essa desejável institucionalização da
esquerda, contudo, acabou cedendo para a extrema direita o espaço de discursos
de contestação e ruptura, que, talvez por uma questão hormonal, têm forte apelo
estético para parte dos jovens.
Em 2022, os jovens penderam para Lula,
mas neste ano eles ajudaram a impulsionar a votação de Pablo Marçal.
É o que vemos em outros países. O voto dos mais novos foi fundamental para a
eleição de Milei e
explica os números crescentes de partidos de extrema direita em países
europeus.
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