Folha de S. Paulo
A vida real impõe grandes desafios aos hoje
favoritos nas intenções de votos para a eleição a presidente
A situação é mais difícil para o filho de
Jair, que enfrenta divergências internas e resistências externas
Enquanto os pretendentes do PT e do PL figuram nas pesquisas como favoritos na eleição presidencial, a vida real impõe desafios às posições hoje de ponta de Luiz Inácio da Silva e Flávio Bolsonaro nas intenções de votos. O ponto de convergência nas dificuldades é a rejeição a ambos.
Cada qual atrai razões para tanto desagrado,
mas a diferença principal entre eles é que Lula não
tem concorrência à esquerda e a substantiva parcela do eleitorado que repudia a
reeleição dele é insuficiente para lhe tomar a vaga no segundo turno.
Tal hipótese só seria viável —embora
improvável— caso prosperasse a ideia de uma desistência em função do
derretimento da candidatura.
Já Flávio Bolsonaro —chamado por Fernando
Haddad (PT) de "bolsonarinho", num inspirado lance
para marcá-lo como filhote do bolsonarismo— enfrenta resistências internas e
externas, além de ser refém da própria vulnerabilidade.
E aqui não se trata só do passivo de
rachadinhas, condecoração de miliciano (Adriano Nóbrega, então chefe do
escritório do crime no Rio, preso por homicídio e depois morto em confronto com
a polícia enquanto foragido na Bahia), de empréstimo camarada do Banco de
Brasília, agora estrela do escândalo Master, para compra de mansão na capital.
O primogênito de Jair
Bolsonaro (PL) enfrenta concorrência no campo da direita no
qual perde em experiência administrativa para Romeu Zema (Novo) e Ronaldo
Caiado (PSD) e em lastro político para Renan Santos (Missão) e Aldo Rebelo
(DC).
Ao rol de fragilidades acrescentem-se um
Tarcísio de Freitas (Republicanos) distante, uma Michele Bolsonaro descontente,
os evangélicos reticentes, o agronegócio hesitante e mais um contingente de
candidatos, lideranças e militantes de direita relativamente indiferentes à
campanha.
Por essas e muitas outras circunstâncias a
surgirem ao longo da campanha, nada é garantido para Flávio Bolsonaro, cujo
único capital, o sobrenome, ele mesmo se esforça para renegar em parte, na
vestimenta de moderado e vacinado.

Nenhum comentário:
Postar um comentário