sábado, 18 de abril de 2026

Governador em exercício trava máquina bolsonarista no Rio, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Ricardo Couto decreta auditoria e exonera aliados de Cláudio Castro

Homem das rachadinhas do filho 01, Queiroz virou subsecretário à beira-mar

Saquarema é um dos principais destinos do surfe no Brasil. Desde o ano passado, quem tira onda por lá é Fabrício Queiroz, o homem das rachadinhas de Flávio Bolsonaro.

O repórter Bernardo Mello revelou que Queiroz, sob o abrigo de aliados do antigo chefe, virou o subsecretário de Segurança e Ordem Pública da cidade. Queimado de sol e com óculos escuros, ele posa de xerife local. A nomeação foi um ajuste entre o ex-prefeito Antonio Peres, que comanda o diretório municipal do PL, e o filho 01.

No início de março, em sua primeira declaração sobre rachadinhas desde que se lançou candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro acusou Queiroz de ter sido o único responsável pelas transações criminosas. Mas não explicou por que o assessor depositou dinheiro na sua conta. Nem por que o protege com mamatas na praia.

Em março, Queiroz acompanhou Douglas Ruas, candidato bolsonarista ao governo do Rio, e o ex-governador Cláudio Castro na inauguração de uma base do Segurança Presente em Saquarema. É um retrato do uso da máquina —que deveria ser pública, mas atende a clientes escolhidos—, estratégia indispensável às pretensões de Flávio. O esquema está ameaçado pelo julgamento no STF sobre como deverá ser escolhido o governador tampão.

O ministro Edson Fachin afirmou que o governador em exercício, Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça, tem a "chancela do STF" para atuar. Fortalecido e com a possibilidade de ficar no cargo até outubro, Couto está promovendo um pente-fino no Palácio Guanabara. Decretou a realização de uma auditoria geral em todas as secretarias e órgãos da administração indireta. Cada área terá 15 dias para apresentar um raio-x detalhado de suas atividades, quadro de pessoal, licitações em andamento e contratações sem licitação. Há quase 7.000 contratos com valores acima de R$ 1 milhão —o que é no mínimo estranho para um estado em profunda crise fiscal.

Atingindo a tropa de Cláudio Castro, as exonerações não param. Um "barata-voa" em ano eleitoral.

 

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