O ambiente vivido nas últimas semanas foi de
grande volatilidade. Expectativas e projeções oscilaram ao sabor das notícias
sobre o acirramento ou arrefecimento do conflito armado e do impasse político.
O fracasso inicial das negociações, mediadas pelo Paquistão, mantém no ar todas
as apreensões e dúvidas quanto a extensão e a duração dos efeitos da Guerra. O
aguçamento da disputa entre EUA e Irã em relação ao Estreito de Ormuz, por onde
20% da produção mundial de petróleo é escoada, repõe um ambiente tenso a
ameaçar o horizonte econômico.
O Brasil, apesar de ser um país produtor de
petróleo e ter sua situação cambial e o setor externo relativamente sólidos,
não ficou isento de importantes efeitos derivados da crise internacional.
Se, por um lado, foram oferecidas subvenções
a produtores e importadores de diesel e ao GLP (Gás Liquefeito de Petróleo),
introduzidas linhas de crédito para capital de giro das companhias aéreas,
postergada a cobrança de tarifas de navegação aérea, feita a desoneração de
PIS/COFINS sobre o biodiesel e o querosene de aviação, o que representa novas
despesas e renúncias fiscais, por outro lado, há os efeitos diretos positivos
nos dividendos da Petrobrás, na melhoria da arrecadação com royalties e
participações sobre a produção doméstica de petróleo resultante do sistema de
partilha, e as próprias repercussões indiretas da aceleração da inflação sobre
as receitas tributárias. A melhoria da arrecadação afetará positivamente também
estados e municípios.
O governo federal, preocupado com a
neutralidade fiscal do conjunto de medidas, tributou a exportação de petróleo e
diesel – medida suspensa liminarmente pela Justiça Federal – e decretou um
aumento do IPI sobre cigarros, medidas compensatórias de arrecadação.
Haverá incremento, em um segundo momento, das
despesas obrigatórias, em função do impacto da aceleração inflacionária no reajuste
do salário-mínimo, a partir de 2027, que indexa o piso da Previdência Social, o
Benefício da Prestação Continuada, o Auxílio Desemprego e o Abono Salarial.
Ainda assim, o governo federal poderá ter um
ganho orçamentário líquido, com as consequências da Guerra do Irã, entre R$ 57
e 71 bilhões de reais, em 2027, ajuda inesperada ao cumprimento das metas
fiscais. Apesar disso, projetamos déficit primário distante da aposta do
governo de superavit de 0,5% do PIB.
São projeções preliminares diante de um
cenário extremamente volátil e algo imprevisível.

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