sábado, 18 de abril de 2026

Quem liderará o futuro do Ceará? Por Juliana Diniz

O Povo (CE)

Ainda não sabemos como se dará a disputa ao governo estadual no Ceará daqui a alguns meses. Embora seja esperado que as definições definitivas das candidaturas se arrastem até o limite do prazo, quando todos os atores podem ponderar os riscos e articular suas composições, observamos, no Ceará, algo além e mais complexo do que o simples manejo do tempo disponível. Em verdade, partidos e lideranças partidárias ainda estão lidando com os efeitos do racha político vivenciado entre PT e PDT no pleito de 2022, e com as consequências disso para os projetos pessoais.

Em sua coluna semanal, Érico Firmo afirmou que a aliança saiu do controle naquela ocasião por uma falta de comando ao governismo, atribuída à ausência de Cid Gomes e às intervenções desastradas de um Ciro Gomes afastado da cena local. A falta de um nome de consenso e a demora de Izolda Cela em se afirmar candidata teriam deixado o cenário difícil para uma composição, em razão da janela exígua de tempo para acomodação das expectativas. Tendo a pensar que, na verdade, ao contrário da falta de comando, testemunhamos em 2022 um racha inevitável provocado justamente pela disputa de lideranças sobre quem daria a última palavra em matéria de coalização local. Não foi falta de comando, foi excesso de lideranças dispostas a comandar.

Deu-se, assim, um momento de transição de hegemonias. Um Camilo Santana muito fortalecido aproveitou uma janela de oportunidade para reposicionar o PT na coalizão governista, forçando Roberto Cláudio, Ciro Gomes e companhia a um movimento desvantajoso de aliança com o bolsonarismo. A ausência de Cid Gomes de todo o imbróglio, tanto por lealdade ao irmão, quanto ao próprio grupo que ajudou a constituir, revelou-se, naquele momento, vantajosa a Camilo Santana justamente por fortalecer a percepção de que a vitória incontestável de Elmano de Freitas podia ser atribuída ao capital político e eleitoral de Camilo Santana e não de Cid Gomes.

A eleição de 2026 é, assim, uma continuidade daquela disputa, em que Santana saiu muito vitorioso e os Ferreira Gomes enfraquecidos. O que se consolidará no Ceará como tendência? A força do camilismo ou a ascensão do movimento de oposição que reúne Ciro Gomes, Capitão Wagner, André Fernandes e demais aliados?

A oposição chega ao cenário mais fragilizada, e, assim como em 2022, o problema também é o excesso de lideranças disputando o poder de decisão, que se manifesta tanto nacional como localmente. Quem lidera e quem aceita ser liderado? Um dilema que anima as disputas partidárias, dificulta as coalizões e nos joga numa espiral de incertezas que revela muito sobre vaidades e ressentimento e quase nada sobre visão de futuro e projeto de governo.

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