domingo, 16 de setembro de 2012

A vez dos mensaleiros

O STF começa a julgar os políticos acusados de receber propina do maior esquema de corrupção da história

Nas 23 sessões de julgamento do processo do mensalão realizadas até agora, o Supremo Tribunal Federal (STF) derrubou, uma a uma, as alegações usadas pelo PT para qualificar de "farsa" o maior esquema de corrupção da história política do país. Primeiro, os ministros reconheceram o desvio de recursos públicos da Câmara dos Deputados e do Banco Brasil para financiar o suborno de parlamentares a serviço da gestão do ex-presidente Lula. Depois, classificaram de fraudulentos os empréstimos concedidos pelo Banco Rural a duas empresas de Marcos Valério e ao PT, deixando claro que a instituição financeira repassou dinheiro ao empresário e ao partido porque esperava receber, em contrapartida, um tratamento privilegiado do governo — o que de fato ocorreu. Na semana passada, mais um golpe solapou a argumentação petista. Os ministros declararam que o Rural aceitou ser usado para esconder a origem e o destino do dinheiro sujo que comprou congressistas e líderes de partido. A decisão encerrou a parte do julgamento dedicada a mostrar o caminho do dinheiro — um caminho criminoso no início, no meio e no fim.

Depois da condenação dos envolvidos na engrenagem financeira do mensalão, o processo entrará em etapa crucial nesta semana: o julgamento da clientela do esquema. Os ministros decidirão se houve a compra de apoio político. Serão julgados 23 réus. Deputado cassado e ex-ministro da Casa Civil, o petista José Dirceu responderá por corrupção ativa, ao lado do ex-presidente do PT José Genoino e do ex-tesoureiro Delúbio Soares. O trio é responsável, segundo a denúncia do Ministério Público, pelo suborno de sete parlamentares e dirigentes partidários. Na semana passada, os ministros condenaram três dirigentes do Rural, entre eles a ex-presidente Kátia Rabello.

Valério e seus dois ex-sócios, além de um advogado e uma funcionária do operador do mensalão. O Supremo entendeu que as ilegalidades comendas até o momento em que os recursos dos mensaleiros foram sacados na agência do Rural constituem lavagem de dinheiro. Os ministros destacaram a estratégia de apontar formalmente como sacadora a agência de Valério, a fim de acobertar a verdadeira identidade dos beneficiários, os mensaleiros. Isso só foi descoberto depois da operação de busca e apreensão da Polícia Federal, que contou com a ajuda de um ex-superintendente do Rural.

O futuro ministro

Preocupados com as condenações em série no processo do mensalão, alguns petistas pressionaram a presidente Dilma Rousseff a indicar para o Supremo Tribunal Federal (STF), na vaga aberta com a aposentadoria de Cezar Peluso, um ministro-companheiro - alguém simpático à tese farsesca do caixa dois e predisposto a absolver o ex-ministro José Dirceu, o ex-deputado José Genoino e outros peixes grandes. A presidente Dilma repeliu as pressões, insufladas em grande parte pelo ex-presidente Lula. Sem sujeitar as prerrogativas do cargo a interesses partidários, ela indicou Teori Albino Zavascki, de 64 anos, ao STF apenas sete dias depois da saída de Peluso. Assim, abateu as pretensões dos companheiros de partido, lembrando-os de que a Constituição exige a indicação de nomes com reputação ilibada e notório saber jurídico.

Zavascki pertence hoje aos quadros do Superior Tribunal de Justiça (STJ), para o qual foi indicado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em 2002 e nomeado por Lula em 2003. Professor e autor de cinco obras de direito, Zavascki é conhecido pela sólida formação jurídica, atuação técnica e pela discrição. "Ele tem uma história judicante já longa. É um grande acadêmico e tem uma bagagem respeitável", disse o ministro Marco Aurélio Mello. "Dá para ver que é uma pessoa recolhida, discreta.Tem uma formação muito densa e é um bom constitucionalista", reforçou o ministro Gilmar Mendes. Antes de assumir uma cadeira no STF Teori Zavascki precisa ser sabatinado e aprovado pelo Senado, outra exigência constitucional. Esse processo deve ser concluído em outubro.

0 novo ministro assume a tempo de participar do julgamento do mensalão. Segundo integrantes do governo e parlamentares com quem Zavascki falou sobre o assunto, ele deve se abster de votar por não conhecer o processo em detalhes. A presidente Dilma já indicou dois magistrados para a corte: Luiz Fux e Rosa Weber.

Ao votarem no mensalão, ambos reconheceram a ocorrência dos crimes de corrupção, peculato e lavagem de dinheiro, contrariando a expectativa de alguns petistas esperançosos em aparelhar o Supremo para garantir a impunidade dos companheiros do mensalão.

FONTE: REVISTA VEJA, Nº 38, 19 DE SETEMBRO DE 2012.

Marcos Valério afirma que Lula era o chefe do mensalão, diz revista

Segundo operador do esquema, ele e Dirceu preservaram ex-presidente

BRASÍLIA Condenado até a última quinta-feira por lavagem de dinheiro, peculato e corrupção ativa, cuja pena mínima será de 13 anos de cadeia, Marcos Valério partiu para o ataque e começou a revelar a pessoas próximas detalhes do funcionamento do mensalão. A afirmação é da revista "Veja" desta semana. Segundo a publicação, nessas conversas, o operador do mensalão coloca o ex-presidente Lula no cerne do escândalo e insinua que ele deveria ter sido incluído na denúncia feita ao Supremo Tribunal Federal.

- Não podem condenar apenas os mequetrefes. Só não sobrou para o Lula porque eu, o Delúbio e o Zé não falamos - teria dito Valério.

Segundo a revista, Valério afirma que "Lula era o chefe" e "comandava tudo". O operador teria se encontrado com Lula diversas vezes no Palácio do Planalto, sem agendamento:

- Do Zé (Dirceu) ao Lula era só descer a escada. Isso se faz sem marcar.

FONTE: O GLOBO

Caixa paralelo do PT seria três vezes maior do que o revelado

Delúbio teria tudo registrado em livro guardado secretamente

BRASÍLIA A revista Veja diz que as afirmações foram feitas a diversos interlocutores. Procurado pela publicação, Valério teria evitado dar entrevista, mas não desmentiu nada. O motivo para o operador ter começado a detalhar o funcionamento do mensalão seriam as sucessivas condenações no STF. Valério teria acertado com o PT que receberia uma punição branda em troca de seu silêncio.

- Prometeram não exatamente absolver, mas diziam "Vamos segurar, vamos isso, vamos aquilo"... - teria contado o mensaleiro.

Outra revelação feita por Valério, segundo a revista, é de que o caixa do mensalão seria muito maior do que o descoberto até agora. Valério teria contado a interlocutores que seria três vezes maior do que os R$ 129 milhões revelados:

- Da SMP&B, vão achar só os R$ 55 milhões, mas o caixa era muito maior. O caixa do PT foi de R$ 350 milhões, com dinheiro de outras empresas que nada tinham a ver com a SMP&B nem com a DNA - teria dito o operador. - Esse dinheiro teria sido obtido com empréstimos fictícios tomados por suas empresas e doações diretas de interessados em obter facilidades no governo. Muitas empresas davam empréstimos, outras não.

Segundo a revista, o ex-presidente Lula teria se empenhado pessoalmente na coleta de dinheiro para essa engrenagem. Valério teria afirmado que muitos empresários reuniam-se com o presidente, acertavam a contribuição e despejavam o dinheiro no cofre do PT. A distribuição desses recursos ficaria a cargo do ex-tesoureiro Delúbio Soares, que teria registrado detalhadamente a entrada e a saída desses recursos em um livro guardado a sete chaves. O destino final seria o mesmo dos recursos já descobertos: a remuneração de petistas e aliados. O tesoureiro do PT, segundo as supostas revelações de Valério, tinha uma relação próxima com Lula:

- O Delúbio dormia no Alvorada. Ele e a mulher dele iam jogar baralho com Lula à noite. Alguma vez isso ficou registrado lá dentro? Quando você quer encontrar (alguém), você encontra, e sem registro.

Agora, Valério estaria magoado com os ex-companheiros:

- Eu detesto esse pessoal. Esse povo acabou com a minha vida, me fez de um tamanho que eu não sou. O PT me fez de escudo, me usou como um boy de luxo. Mas eles se ferraram porque agora vai todo mundo para o ralo.

Segundo a revista, o temor de Valério em revelar publicamente o que sabe seria por uma questão de sobrevivência.

- Vão me matar. Tenho de agradecer por estar vivo até hoje - teria dito.

FONTE: O GLOBO

Amigo do ex-presidente diz que publicitário é 'maluco'

Paulo Okamotto nega saber sobre o mensalão e afirma que só conheceu Valério pela imprensa

Andreza Matais

BRASÍLIA – Um dos principais interlocutores do ex-presidente Lula, Paulo Okamotto tachou Marcos Valério de "maluco" e disse não saber nada do mensalão. Valério, segundo a revista "Veja", afirmou que Okamotto tinha o papel de acalmá-lo para evitar que ligasse Lula ao escândalo.

Folha - Marcos Valério, segundo a revista "Veja", disse que o sr. o procurou para que ele não dissesse que Lula sabia do mensalão.

Paulo Okamotto - Vê se faz sentido o que ele está falando. As pessoas podem falar o que quiserem. Vou ficar discutindo coisa maluca? Eu o procurei, dei safanão na mulher dele... Que negócio maluco, né? [leia ao lado sobre as acusações de Valério] Vou discutir com maluco?

O sr. nunca esteve em Belo Horizonte para pedir a Marcos Valério que não falasse de Lula nem do mensalão?

Eu não sei nada de mensalão. Se tem mensalão, se o dinheiro é emprestado, como foi conseguido e quem pediu para arrumar o dinheiro, é ele quem sabe. Eu nunca pedi, nunca tive negócios com ele.

O sr. tinha relações com Valério, conversava, frequentava a casa?

Nunca. Até o advento do chamado mensalão, da denúncia do [ex-deputado] Roberto Jefferson [PTB-RJ], eu nunca vi o Valério nem mais gordo, nem mais magro, nem cabeludo, nem mais careca.

O sr. veio a saber da existência de Valério quando Roberto Jefferson disse que ele existia, em 2005?

Depois que a imprensa começou a divulgar a figura dele foi que eu o conheci.

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Declaração pode reforçar voto, dizem ministros

Integrantes do Supremo dizem que afirmações atribuídas a Valério não são prova, mas podem fortalecer convicção

Ricardo Brito

BRASÍLIA - Ministros do Supremo Tribunal Federal afirmaram ontem que as declarações atribuídas ao empresário Marcos Valério podem, sim, complicar a situação do ex-ministro José Dirceu, apontado pela Procuradoria-Geral da República como o principal réu do processo do mensalão.

A partir de amanhã, o Supremo começa a julgar se Dirceu deve ser condenado por corrupção ativa por envolvimento na compra de apoio político de partidos da base aliada no início do governo Lula. Segundo declarações atribuídas a Valério pela reportagem da revista Veja, Lula "chefiava o esquema" do mensalão e Dirceu o "comandava".

Os magistrados ouvidos pela reportagem disseram que, do ponto de vista técnico, não há influência na análise da causa, uma vez que o processo já foi todo instruído e está em fase de julgamento. Mas as afirmações podem ajudar a fortalecer o convencimento subjetivo dos ministros pela culpa de Dirceu.

"Claro que os integrantes do tribunal são pessoas que percebem o contexto e, muito embora tenhamos que formar o nosso convencimento a partir da prova, evidentemente não podemos dizer que esse dado é neutro, não tenha a menor influência", afirmou o ministro Marco Aurélio Mello. Mas faz uma ressalva ao afirmar que somente com as afirmações de Valério não vale como prova para uma condenação. Isso porque o empresário é corréu na ação penal. "No processo, não podemos lançar essas declarações para uma decisão condenatória", destacou.

Um ministro, que se manifestou reservadamente, concorda com a avaliação feita por Valério de que o esquema era muito maior do que o que está em julgamento no Supremo. "O que me parece evidente é que o que está no Supremo é um fragmento do esquema", afirmou o ministro. Ele lembrou que apurações realizadas na CPI dos Correios - que investigou o mensalão - chegou a apontar que as empresas de Valério movimentaram R$ 1 bilhão.

O magistrado disse que, mesmo apreciando apenas com base no que está no processo, as operações feitas pelo PT e pelas empresas de Valério com o Banco Rural não foram realizadas apenas pelo ex-presidente do PT José Genoino e pelo ex-tesoureiro petista Delúbio Soares. "É impossível que não tenha tido um aval superior, de gente dentro do governo", observou.

Outro ministro, também reservadamente, disse concordar que as declarações podem influenciar o convencimento do colegiado. "Depende da predisposição de cada magistrado. Agora, do ponto de vista objetivo, como prova, não vale. Não foi produzida em juízo, sob o crivo do contraditório", destacou. O magistrado disse que, na forma que analisou o processo, ele não se vale de entrevistas ou de contextos para julgar. "O julgador se escora na conduta individual de cada réu e no conjunto da obra." Ele disse que tem feito esta análise para o envolvimento de Dirceu.

Ministros do Supremo Tribunal Federal disseram ao Estado que cabe ao Ministério Público Federal analisar se as afirmações atribuídas ao empresário Marcos Valério precisam ser investigadas e se é o caso de apurar o envolvimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no mensalão. Ao sair da Presidência, Lula deixou de ter foro privilegiado e, com isso, não cabe ao Supremo Tribunal Federal, que julga o processo do mensalão, interferir na questão. "Em tese, não fica afastada a possibilidade de surgir um inquérito", disse o ministro Marco Aurélio Mello. "A palavra está com a procuradoria", afirmou outro ministro.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Oposição estuda pedir investigação ao MP

Rosa Costa, Denise Madueño, Vera Rosa e Fausto Macedo

O PSDB examina pedir investigação ao Ministério Público para apurar suposta participação do ex-presidente Lula no esquema de compra de votos em troca de apoio ao seu governo, depois das revelações atribuídas ao empresário Marcos Valério de que Lula era o chefe do mensalão, conforme reportagem da revista Veja.

Na oposição, há a expectativa de que novas revelações e detalhes do esquema virão à tona por outros réus que esperavam proteção do esquema, mas que estão sendo condenados no julgamento do processo em curso no Supremo Tribunal Federal.

"A perspectiva de prisão vai soltar a língua de muita gente", disse o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR). "Isso é explosivo. É a primeira vez que as suspeitas se confirmam pelo depoimento da figura central que é Marcos Valério", afirmou o presidente do DEM, senador Agripino Maia (RN). Para o presidente do PSDB, deputado Sérgio Guerra (PE), os fatos devem ser esclarecidos. "Denúncia contra qualquer pessoa deve ser apurada sem qualquer prejulgamento. É importante que tudo fique claro o mais breve possível, inclusive o que envolva o ex-presidente Lula."

Eleição. O comando da campanha de Fernando Haddad avalia que a tentativa de Marcos Valério de carimbar Lula como "chefe do mensalão" não se sustenta e tem caráter nitidamente eleitoral. Mesmo assim, a reportagem preocupou o comando da campanha, que antecipou reuniões, marcadas para este fim de semana.

As denúncias reforçaram a percepção de petistas de que é hora de atacar Serra, que vem tentando vincular José Dirceu e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares - réus do processo do mensalão - à candidatura de Haddad. "Temos de politizar esse debate e mostrar que Serra já fez isso na campanha presidencial", afirmou o deputado Paulo Teixeira (PT-SP).

O líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), também reagiu. "Vão quebrar a cara aqueles que querem tentar envolver o presidente Lula nesse processo. O povo brasileiro sabe quem é Lula e o que ele fez de bom", disse, descartando impacto político das declarações na eleição.

Após carreata na zona leste da capital, Haddad afirmou que não leu a reportagem da revista, mas disse que as denúncias "refletem um comportamento normal dessas pessoas que sofrem processos dessa natureza, de a cada momento apresentarem uma versão". "(Marcos Valério) É uma pessoa que está num momento difícil da sua vida e que, evidentemente, a essa altura, a cada momento, vão dizer uma coisa a respeito, até para se justificar perante a família."

O ESTADO DE S. PAULO

Para o PPS, Ministério Público tem o dever de apurar denúncia que aponta Lula como chefe do mensalão

Diógenes Botelho

Diante de novas revelações feitas pelo publicitário Marcos Valério de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva era o chefe do mensalão, a direção nacional do PPS avalia que é dever da Procuradoria Geral da República abrir uma nova investigação. Os detalhes da participação de Lula no esquema de corrupção são alvo de reportagem da revista Veja desta semana, que traz relatos feitos pelo operador do mensalão a diversos interlocutores. Entre as revelações, o publicitário afirma esquema chegou a movimentar R$ 350 milhões, valor acima dos R$ 55 milhões rastreados até agora.

“É dever do Ministério Público, diante de uma denúncia crime, que é o caso da reportagem, abrir processo”, afirmou neste sábado o presidente nacional do PPS, deputado federal Roberto Freire (SP). Para ele, a participação de Lula não é novidade, mas as revelações de Marcos Valério confirmam o que a oposição vem denunciando há anos . “O enredo era conhecido, mas não se tinha todos os detalhes que estão sendo revelados agora com o julgamento no Supremo Tribunal Federal e com as revelações de Marcos Valério”, analisa.

A ação imediata do Ministério Público também é defendida pelo líder do PPS na Câmara, deputado federal Rubens Bueno (PR). “Trata-se da confirmação de que Lula era o chefe da quadrilha que operava dentro do Palácio do Planalto. Ele era o grande avalista do esquema”, diz o parlamentar.

O deputado resalta ainda que a informação de que a movimentação financeira do mensalão era bem maior também obriga a reabertura das investigações. “As informações de Marcos Valério podem revelar outros participantes do esquema”, conclui Bueno.

Revelações não interferem em julgamento

Os detalhes que agora começam a ser revelados por Marcos Valério, ressalta Roberto Freire, já eram esperados há muito tempo. “Não falou antes pois achava que a tese da piada de salão iria prosperar.Não prosperou. Agora, condenado por vários crimes, resolveu falarr”, afirma o presidente do PPS.

Para Freire, as novas denúncias não irão afetar o andamento do julgamento do mensalão. “Não vai mudar nada. O que deve ocorrer, e nós defendemos, é a abertura de outro processo”, diz, lembrando que Lula já é alvo de ação que investiga o favorecimento ao banco BMG na concessão de crédito consignado para servidores públicos.

FONTE: PORTAL DO PPS

Valério acusa Lula - Merval Pereira

Às vésperas da primeira parte em que políticos petistas e outros, de partidos aliados, serão julgados pelo Supremo Tribunal Federal pela acusação de compra de votos em troca de apoio político, a revista "Veja" traz este fim de semana um relato, atribuído ao lobista Marcos Valério, incriminando o ex-presidente Lula no mensalão.

Já condenado a muitos anos de prisão, e sendo provável que até o fim do julgamento deva ser condenado a outros tantos por novos crimes, Valério já tem a certeza de que ficará na cadeia por longo tempo e estaria revoltado com o abandono a que seus amigos do PT o relegaram. Segundo o relato, Valério acusa Lula de ser o verdadeiro chefe da trama criminosa e dá detalhes de quem viveu por dentro a intimidade dos palácios presidenciais.

De concreto, em termos do julgamento, nem essas revelações nem as acusações anteriores de advogados dos réus têm o condão de incluir o ex-presidente no rol dos acusados nesta Ação Penal 470. Mas os estragos políticos são devastadores, e nada impede que uma denúncia seja feita contra Lula mais adiante.

No próprio julgamento, o advogado Luiz Francisco Barbosa, que defende Roberto Jefferson, acusou o ex-presidente Lula de ser o verdadeiro mandante dos crimes. Ele se baseou na tese do "domínio do fato", que levou o procurador-geral a acusar o ex-ministro José Dirceu como o "chefe da quadrilha". "Não só sabia como ordenou o desencadeamento de tudo isso. Aqueles ministros eram apenas executivos dele", garantiu o advogado, referindo-se a José Dirceu, Luiz Gushiken e Anderson Adauto.

Pelo menos um deles, José Dirceu, disse certa vez que não fazia nada sem o conhecimento de Lula. Para provar sua tese, Barbosa fez um relato muito semelhante ao do procurador-geral. E acusou Roberto Gurgel de prevaricação por ter "sentado em cima" de um pedido formal para incluir Lula entre os réus do mensalão.

Anteriormente, em setembro de 2011, o advogado Marcelo Leonardo afirmou, nas alegações finais apresentadas ao STF na defesa de Valério, que faltava alguém no banco dos réus. Usando o mesmo raciocínio que a "Veja" atribui a Marcos Valério, segundo quem "apenas os mequetrefes" estão sendo condenados, escreveu o advogado na ocasião: "É um raríssimo caso de versão acusatória de crime em que o operador do intermediário aparece como a pessoa mais importante da narrativa, ficando mandantes e beneficiários em segundo plano. (...) Alguns, inclusive, de fora da imputação, embora mencionados na narrativa, como o próprio presidente Lula".

Relatos anteriores davam conta que Marcos Valério, deprimido, enviara mensagens para seus interlocutores no PT, principalmente a Paulo Okamoto, ex-tesoureiro do PT e amigo íntimo de Lula, ameaçando revelar detalhes do envolvimento do ex-presidente no mensalão. Okamotto admitiu recentemente ter conversado com Valério, mas ao contrário de acalmar o publicitário mineiro, as conversas tinham um motivo mais trivial do que chantagens, embora inverossímil: "Ele queria me encontrar porque às vezes queria saber como está a política, preocupado com essas coisas".

Lembrando que o próprio procurador-geral da República, Roberto Gurgel, acusou o esquema de ter sido tramado de dentro do Palácio do Planalto, o advogado de Jefferson disse que seria uma ofensa a Lula afirmar que ele não sabia de nada.

"Claro que sua excelência (Gurgel) não pode afirmar que o presidente da República fosse um pateta, um deficiente, que sob suas barbas estivesse acontecendo tenebrosas transações e ele não soubesse nada", concluiu Luiz Francisco Barbosa.

Nas vezes anteriores em que deixou vazar ameaças contra seus parceiros petistas, Valério recuou. Diante da situação concreta de se ver na cadeia, é possível que tenha perdido a esperança de ser salvo, apesar das promessas que diz ter recebido. Os petistas garantiram a ele que adiariam o julgamento o quanto pudessem e que as penas seriam brandas. A realidade tem sido bastante diferente.

Ministros do Supremo deixaram escapar que, pela tese do "domínio do fato", se a cadeia de comando não terminasse no ex-ministro José Dirceu, teria que subir um patamar e atingir Lula.

FONTE: O GLOBO

Ética republicana - Celso Lafer

O que quer dizer uma conduta republicana? Por que essa referência, relacionada à afirmação de espírito público, é importante para o debate nacional?

O termo República tem, entre seus significados, o sentido amplo de comunidade política organizada. O título do livro de Hannah Arendt de 1972, Crises da República, aponta para esse sentido amplo de comunidade política, mas ao mesmo tempo indica que a crise dos EUA, naquela ocasião, tinha sua raiz na falta de ética republicana proveniente do uso da mentira e da glorificação da violência.

Na perspectiva mais específica de formas de governo, República contrapõe-se à Monarquia. Assinala a diferença entre o poder exercido em função de direitos hereditários e o poder eleito, direta ou indiretamente, pelo povo. Nesse sentido, República tem afinidades com democracia e aponta para a igualdade.

A contraposição Monarquia/República remonta aos romanos, que depois da exclusão dos reis substituíram o governo de um só pelo governo de um corpo coletivo. Na elaboração do conceito de República teve grande peso a reflexão de Cícero, que diferenciava a res publica - a coisa pública - da privada, doméstica, familiar, estabelecendo, assim, a distinção entre o privado, o particular a alguns, e o público, o comum a todos, que por isso deve ser do conhecimento de todos. Daí a origem do princípio da publicidade da administração pública, previsto na Constituição em seu artigo 37.

Para Cícero, o público diz respeito ao bem do povo, que não é uma multidão dispersa de seres humanos, mas sim, numa República, um grupo numeroso de pessoas associadas pela adesão a um mesmo direito e voltadas para o bem comum. A dedicação ao bem comum está na raiz do princípio da moralidade da administração pública, igualmente previsto no mesmo artigo da Constituição.

Faço essas remissões para apontar que a importância do espírito público é inerente a uma postura republicana, o que quer dizer, em primeiro lugar, que não cabe misturar o público e o privado e que é inaceitável, numa República, o patrimonialismo do uso privado da coisa pública. Esse é um dos pontos de partida do republicanismo.

Este, na teoria política contemporânea, não tem maior interesse no contraponto Monarquia/República, que perdeu atualidade na agenda política do século 21. Está voltado para as consequências da falta de ética na política e na sociedade, da qual um sintoma é a generalizada perda do senso de vergonha, que é sempre a expressão de um sentimento moral. Um exemplo é a desfaçatez da conduta dos gestores dos bancos que levaram à crise financeira mundial.

Para Montesquieu, o princípio que explica a dinâmica de uma República, ou seja, o sentimento que a faz durar e prosperar, é a virtude. É nesse contexto que se pode dizer que a motivação ética é de natureza republicana. Isso passa, como diz Viroli, pela virtude civil do desejo de viver com dignidade e pressupõe que ninguém poderá viver com dignidade numa comunidade política corrompida.

Numa República, como diz Bobbio num diálogo com Viroli, o primeiro dever do governante é o senso de Estado, vale dizer, o dever de buscar o bem comum, e não o individual, ou de grupos; e o primeiro dever do cidadão é respeitar os outros e se dar conta, sem egoísmo, de que não se vive em isolamento, mas sim em meio aos outros.

É por essa razão que a República se vê comprometida quando prevalece, no âmbito dos governantes, em detrimento do senso de Estado, o espírito de facção voltado não para a utilidade comum, mas para assegurar vantagens e privilégios para grupos, partidos e lideranças. O intenso e aprofundado "aparelhamento do Estado" que vem caracterizando o PT no poder é expressão de conduta não republicana.

O conceito de República aponta para o consensus juris do governo das leis, e não dos homens, ou seja, para o valor do Estado de Direito. Assim, não é por acaso que o papel de uma Constituição e do constitucionalismo foi afirmado nos EUA, que, como a França, assinala a emergência das Repúblicas modernas. O governo das leis obstaculiza o efeito corruptor do abuso do poder das preferências pessoais dos governantes por meio da função equalizadora das normas gerais, que assegura, ao mesmo tempo, a previsibilidade das ações individuais e, por tabela, o exercício da liberdade. Trata-se, assim, de um modo de governar baseado no respeito às leis. É por essa razão que os princípios da legalidade e da impessoalidade da administração estão consagrados no artigo 37 da Constituição.

Naturalmente, para o bom governo não bastam as boas normas, como as do artigo 37 da Constituição. É preciso que sejam cumpridas. É por esse motivo que a impunidade é um fator de erosão do governo das leis e uma modalidade da sua corrupção. Por isso cabe louvar a conduta republicana com que o STF vem lidando com o mensalão.

Numa República as boas leis devem ser conjugadas com os bons costumes de governantes e governados, que a elas dão vigência e eficácia. A ausência de bons costumes leva à corrupção, palavra que vem do latim corrumpere, que significa destruição e vai além dos delitos tipificados no Código Penal. Políbio, tratando dos modos pelos quais um regime político se vê destruído pelo movimento da corrupção, recorre a uma metáfora esclarecedora. A corrupção, num regime político, exerce papel semelhante ao da ferrugem em relação ao ferro ou ao dos cupins em relação à madeira: é um agente de decomposição da substância das instituições públicas.

O espírito público da postura republicana é o antídoto para esse efeito deletério da corrupção. É o que permite afastar a mentira e a simulação, inclusive a ideológica, que mina a confiança recíproca entre governantes e governados, necessária para o bom funcionamento das instituições democráticas e republicanas. É por isso que a afirmação de uma ética republicana não é um "moralismo trivial". Está na ordem do dia no Brasil e no mundo como condição de um bom governo.

Professor emérito do Instituto de Relações Internacionais da USP

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Quem quer salvar os corruptores? - Rubens Bueno

Quem acompanha a CPI vê logo a "bancada da Delta". Depois de cassar Demóstenes e desgastar Perillo, como queria Lula, a CPI é morta, salvando corruptores

Por trás da polidez erudita, da pose de bom moço e do protocolo de boas intenções de grande parte dos membros da CPI mista do Cachoeira, esconde-se uma trama indigesta que começou a mostrar sua face na no último dia 4, data em que o presidente da comissão, senador Vital do Rego (PMDB-PB), e o relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), anunciaram, após uma reunião de cartas marcadas, a paralisação, por um mês, das reuniões do colegiado.

A decisão é um presente para os participantes do esquema criminoso que envolve a Delta Construção, o bicheiro Carlinhos Cachoeira e políticos dos mais diversos partidos.

Na prática, foi o primeiro passo para enterrar a CPI, deixando de lado uma investigação que poderia revelar os bastidores de negociatas envolvendo propina e financiamento ilegal de campanhas em troca de contratos bilionários entre governos e as maiores construtoras do país.

E por que isso acontece? Em primeiro lugar, está claro que a quadrilha se infiltrou na CPI. Quem acompanha de perto as reuniões da comissão consegue identificar sem muito esforço a chamada "bancada da Delta". Esse grupo, que cresce a cada dia, faz de tudo para restringir as investigações.

Na avaliação deles, a CPI já cumpriu o seu papel, delineado lá atrás pelo ex-presidente Lula para se vingar dos desafetos do mensalão: cassar o senador Demóstenes Torres e desgastar o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB).

Por resistência de alguns membros da CPI, felizmente esse grupo não conseguiu cumprir outros dois objetivos: levar jornalistas ao banco dos réus e enxovalhar o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que conduz as acusações contra o PT no julgamento do mensalão. Mesmo assim, já se dão por satisfeitos.

Levar adiante as investigações da CPI significa ir atrás dos corruptores, os mesmos que desviam dinheiro público e financiam as campanhas eleitorais dos ocupantes do poder. E a "bancada da Delta" não quer isso. Esse medo ficou patente quando o ex-diretor do Dnit, Luiz Antônio Pagot, confessou na CPI que, atendendo a pressão do tesoureiro de campanha da presidente Dilma, deputado José de Filippi (PT-SP), pediu pessoalmente a empreiteiras com contratos com o órgão doações para a petista.

Esse temor se tornou ainda maior, indo além do PT, quando a CPI esbarrou em outro personagem controverso, o empresário Adir Assad. Se quebrar o sigilo bancário de 12 empresas de fachada ligadas a ele, vai caminhar na direção de outras empreiteiras, o que pode revelar que há muitos outros "Cachoeiras" por aí.

As empresas do grupo de Assad, é bom lembrar, receberam mais de R$ 200 milhões da Delta fora do eixo Centro-Oeste, em operações consideradas atípicas pela Coaf. Mas, como já se viu na própria CPI, Assad está blindado. Em depoimento, sequer foi submetido a perguntas.

Como bem lembrou o senador Pedro Simon (PMDB-RS), não é a primeira vez que o Congresso se omite de investigar corruptores.

Em 1993, na CPI do Orçamento, grandes empreiteiras que pagavam propina a políticos para garantir obras com o governo foram poupadas. O relatório final, que acusou 18 parlamentares, só foi aprovado por meio de um acordão que deixou os corruptores de fora. Havia, no entanto, o compromisso de, na sequencia, se instalar a CPI das Empreiteiras, coisa que nunca aconteceu.

A reunião que selou o enterro da CPI do Cachoeira apontou na mesma direção: salvar os corruptores. Alegar que os trabalhos precisavam ser interrompidos para que a CPI não fosse contaminada pelo embate eleitoral é pura desfaçatez. A verdade é que daqui a um mês, quando os trabalhos forem retomados, não haverá mais tempo para quebrar sigilos, aprofundar investigações e punir os corruptores.

Restará a frustração com a farsa armada para impedir que o Congresso cumpra seu papel constitucional de fiscalizar o dinheiro público.

Rubens Bueno, 64, deputado federal pelo PPS-PR, líder do partido na Câmara dos Deputados e membro da CPMI do Cachoeira

FONTE: FOLHA DE S. PAULO

Pés de barro - Dora Kramer

João Santana, o marqueteiro das estrelas, é um exímio construtor de mitos. Não o único, porque não se pode deixar de lado o papel de Duda Mendonça na arquitetura do "novo" Lula que ganhou a eleição presidencial de 2002 depois de perder três.

Mas Santana é mais sofisticado, analítico, menos intuitivo. Maneja emoções como ninguém. É um ás no ofício de transformar percepções difusas em cenários reais.

Em outras palavras: sabe levar as pessoas a ver as coisas como quer que sejam vistas.

Ciente desse talento, uma vez até revelou de público seu processo de criação. Foi em 2006, depois da espetacular reeleição de Lula em meio a escândalos que teriam derrubado qualquer um - mensalão e aloprados, para citar apenas dois -, numa entrevista ao jornalista Fernando Rodrigues, da Folha de S.Paulo.

Atribuiu em grande parte a vitória ao desenvolvimento da teoria do "fortão" e do "fraquinho": uma figura dupla de fácil identificação no imaginário popular. O primeiro encarnaria o humilde que virou poderoso e o segundo faria às vezes de vítima do preconceito das elites.

Nas palavras de Santana, depois que se elegeu em 2002, Lula passou a representar para os mais pobres uma projeção de sucesso. "É um deles e chegou lá". O "fortão", que rompe barreiras.

"Mas, quando Lula é atacado, o povão pensa que é um ato das elites para derrubar o homem do povo só porque é pobre". Nessa hora, dizia o marqueteiro, "vira o bom e frágil que precisa ser amparado e protegido". Dessa alternância se alimentaria o "caso de amor" entre Lula e o eleitorado. Teoria de êxito comprovado na prática.

Sobre a figuração preparada para Dilma Rousseff, João Santana não teorizou em entrevistas, mas não é difícil perceber que tipo de mito constrói: a presidente durona, trabalhadora, intolerante com "malfeitos", resistente a negociatas políticas, estadista que não mistura atos de governo com questões partidárias, muito menos eleitorais.

Deu certo. Dilma com isso agradou aos setores que renegavam os métodos de Lula sem perder apoio nas camadas encantadas com o "fortão" e o "fraquinho".

O problema é que as agruras penais, políticas e eleitorais do PT estão levando Dilma a descer do pedestal. Obrigam-na, por exemplo, a ir ao horário eleitoral prometer ao eleitor benefícios em troca de votos para seus correligionários.

Vantagem tão indevida quanto usar ministérios como moeda eleitoral ou fazer discurso de palanque no espaço de comunicação da Presidência da República em data nacional.

E quando a fábula afronta tão completamente a realidade, não há talento que esconda do mito os pés de barro.

Mal contado. Celso Russomanno é sócio majoritário de um belo bar a ser inaugurado logo após a eleição, à beira do lago Paranoá, em Brasília.

Não pôs dinheiro no negócio e, segundo ele, pagará sua parte de R$ 1,1 milhão em trabalho. "Vou administrar", informa.

É de se perguntar ao líder das pesquisas em São Paulo: caso eleito, cuida da cidade ou toma conta do estabelecimento?

Mas, o esquisito da história é mesmo o aumento de 100% entre 2010 e 2012 no patrimônio declarado à Justiça Eleitoral, tendo como justificativa o ganho futuro em negócio sem emprego presente de capital.

De Atenas. Sem prejuízo da qualidade de votos mais longos cujo conteúdo propicia sempre um aprendizado, chamam atenção a concisão e precisão das ministras Carmen Lúcia e Rosa Weber.

Renegam a escrita de que mulheres são prolixas por natureza.

Já levou. Fernando Haddad avisa que, se for eleito, Paulo Maluf "não levará nada" na Prefeitura de São Paulo. Como se restasse ainda algo para Maluf levar do PT, depois daquela foto.

FONTE: O ESTADO DE S. PAULO

Guerra nada santa - Eliane Cantanhêde

O título desta coluna valeria perfeitamente para a onda de violência contra os EUA no mundo islâmico, mas trata-se aqui de uma outra guerra nada santa: a que ocorre na eleição para a Prefeitura de São Paulo. Meteram até a igreja no meio. Aliás, as igrejas.

Raramente se vê uma manifestação política tão incisiva da Igreja Católica como a de agora, contra o candidato que lidera as pesquisas, Celso Russomanno -que é do PRB, mas também da IURD. Para quem não sabe, Igreja Universal do Reino de Deus, essa mesma.

A Arquidiocese de São Paulo, liderada por dom Odilo Scherer, divulgou nota na sexta-feira alertando para o vínculo de Russomanno com a igreja neopentecostal e provocando: "Se já fomentam discórdia, ataques e ofensas sem o poder, o que esperar se o conquistarem pelo voto? É para pensar".

Enquanto a Arquidiocese ataca Russomanno por cima, o tucano José Serra e o petista Fernando Haddad se atacam por baixo.

Haddad vai na jugular, quando ressalta a alta rejeição de Serra e diz que, daqui a pouco, o tucano nem vai poder andar mais pela cidade. E Serra partiu para o vale-tudo.

Como bater em Lula ainda é dar murro em ponta de faca, ele deu uma estocada em Dilma (que "mete o bico onde mal conhece") e elegeu José Dirceu como saco de pancadas.

Faz sentido (sentido eleitoral, explica-se), até porque o julgamento do mensalão envereda amanhã pelos meandros do "núcleo político", com Dirceu, Genoino e Delúbio no centro de toda a trama e o STF, enfim, passando do bate-boca para o confronto aberto de votos.

A três semanas das eleições, o mensalão caiu em cheio na campanha, potencializado pela capa da revista "Veja" com Marcos Valério tentando incriminar Lula. Os adversários obrigam o novo Haddad a responder pelo velho Dirceu. Sabe-se lá como vão tentar encaixar Lula aí.

FONTE:FOLHA DE S. PAULO

A virada da ampulheta - Tereza Cruvinel

A fina areia do tempo terá escorrido da ampulheta, que será então invertida, começando a contagem regressiva para a reeleição

No presidencialismo quadrienal brasileiro, a eleição municipal marca o fim dos primeiros dois anos de governo. A fina areia do tempo terá escorrido da ampulheta, que será então invertida, começando a contagem regressiva para a reeleição, se o governante está no primeiro mandato, como Dilma Rousseff. Ou para a eleição do sucessor, quando se está no segundo. Dilma já começou a se preparar para a virada da ampulheta, tanto na economia quanto na política.

Na economia, já resignado a um crescimento magro este ano, o esforço do governo é para garantir um índice mais robusto em 2013 e no curso de 2014. A semana que passou foi pontuada por três medidas fortes neste sentido. Na terça-feira, houve o lançamento do programa de barateamento da energia, para consumidores e empresas. Junto veio a desoneração da folha de pagamento para mais 25 setores industriais, depois dos primeiros 15 já beneficiados. Para fechar a semana, o Banco Central anunciou a liberação de R$ 30 bilhões em depósitos compulsórios, que irão irrigar a economia. O crescimento em julho foi de apenas 0,4% em julho, contra 0,6% em junho mas o governo festejou o índice raquítico como sinal de que a retomada se mantém, devendo se acelerar no último trimestre.

No calendário de Dilma estão ainda novas concessões ao setor privado, na área de portos e aeroportos, e até a redução do preço do gás, para consumidores e produtores industriais. As medidas tomadas, até agora, têm recebido elogios de empresários e analistas econômicos. Mas, o mesmo governo que abre o cofre para bancar essas medidas, endurece com funcionários e continua distante dos movimentos sociais. Dilma será chamada a olhar também para este lado.

Na política, os resultados eleitorais exigirão da presidente a revisão da composição do governo em função da força política dos partidos. Segundo interlocutores, a reforma ministerial (ou mero ajuste, dependendo da extensão) ficará para o início de 2013. Será seu primeiro lance com a ampulheta virada. A troca de Ana de Hollanda por Marta Suplicy, na pasta da Cultura, deve ser entendida como ato isolado, ditado pela questão eleitoral. As outras mudanças, Dilma fará olhando o mapa eleitoral, mirando o Congresso, mas de olhos bem postos em 2014.

O PT, ferido pelo julgamento em curso no STF, talvez sofra uma redução no número de prefeituras, fortemente compensada por eventual vitória em São Paulo. Mas mesmo assim, como o PT paulista já tem agora, com Marta, seis ministérios, dificilmente ganhará mais um.

O PMDB, ela deve reconfirmar como partido preferencial da coalizão, não só apoiando Henrique Eduardo Alves (RN) para presidente da Câmara mas talvez lhe entregando mais uma pasta. Hoje mais próxima de seu vice Michel Temer, ela até já teria exclamado com um interlocutor que sondava seus planos reeleitorais: "Trocar para quê?"

A coalizão governista no Congresso deve ser ampliada, muito possivelmente, com a adesão do PSD do prefeito Gilberto Kassab. Em janeiro, não sendo mais prefeito, ele mesmo poderá ir para o ministério representando o partido. Uma incógnita é o relacionamento com o PSB do governador Eduardo Campos (PE). Vai depender, é claro, do resultado eleitoral em Recife e em Minas. Mas hoje, nem ele mesmo sabe o rumo que seguirá na encruzilhada. Se o PSDB sair muito enfraquecido, ele pode se animar a partir logo para a ocupação de um espaço livre na oposição. Mas pode optar pela cautela, por manter-se no campo governista, apoiar Dilma em 2014 e guardar-se para 2018.

Por fim, alguns ministros devem ser trocados, não por razões partidárias, mas porque são quase anódinos e/ou não estão apresentado os resultados esperados por Dilma. O tempo encurtou para ela e esgotou-se para alguns deles.

Mensalão: jogo jogado. Duas frases foram muito reveladoras, durante as sessões do Supremo na semana passada, mostrando que aquele jogo já foi jogado antes de começar. O ministro Ricardo Lewandowski fez o relator Joaquim Barbosa perder a sobriedade quando falou que o julgamento era "heterodoxo". E Ayres Britto, o presidente-poeta, com a afirmação de que "da nascente à foz, um rio é o mesmo rio".

Ambos disseram coisas plenas de sentido. Ninguém, no meio jurídico, discorda de que o julgamento esteja fugindo ao cânone ortodoxo. Ou seja, afastando-se de exigências clássicas do devido processo legal para valorizar os indícios e a narrativa da acusação, deduzindo que houve culpa embora falte a chamada prova robusta. Falta é jurista que diga isso em "on". Ninguém quer briga com o STF.

Já a metáfora de Britto revela o cálculo perfeito do relator com o fatiamento, para garantir o resultado esperado. As "fatias" começaram pelas acusações com mais lastro material, os R$ 50 mil de João Paulo Cunha, terminando com a mais abstrata delas, a formação de quadrilha. Condenados os acusados das primeiras "fatias", por que haveria uma outra lógica para a última?

Hoje os advogados de defesa entendem que esta foi a verdadeira razão da negativa do desmembramento.

Custos somáticos. O ex-deputado José Genoino interna-se amanhã no Incor de São Paulo para realizar um cateterismo com colocação de stent. Na semana passada, os exames indicaram bloqueio em uma de suas coronárias.

Na sexta-feira morreu Silvana Japiassú, ex-secretária da Presidência da Câmara na gestão de João Paulo Cunha. Ela virou notícia em 2005 quando se descobriu que havia recebido uma passagem aérea de Marcos Valério, o que a levou a um quadro depressivo. Não virou ré no mensalão, mas respondia a outro processo, por recebimento de vantagem indevida.

FONTE: CORREIO BRAZILIENSE

O crivo de quem usa a cidade

Entrevista - Boris Fausto

Um eleitor com cabeça de consumidor alavanca Russomanno e sepulta antigos mitos da política

Laura Greenhalgh

"Moro sozinho e não pretendo sair daqui", já foi anunciando o dono da agradável casa no bairro do Butantã, à saída da Cidade Universitária, em São Paulo. Aos 81 anos, viúvo, filhos criados e netos idem, o historiador Boris Fausto ordenha a cafeteira elétrica enquanto decreta seu desejo de continuar vivendo sozinho na residência projetada por Sérgio Ferro, lá nos anos 1960, quando das pranchetas de jovens arquitetos saíam moradias de inspiração comunista e conforto burguês. Pois no ano passado tombaram a casa do professor. Com ele dentro e meio século de memórias por todos os cantos. O tombamento inesperado, e nunca desejado, como é de costume, acabou por levar o morador a voltar-se ainda mais para a administração da cidade onde nasceu, em 1930. Até de Plano Diretor passou a entender. E assim, entre experiências pessoais e vasto conhecimento acumulado, Boris Fausto concedeu esta entrevista na quinta-feira, provocado a refletir sobre o processo eleitoral que se descortina em torno de um dos mais cobiçados postos da política nacional: a Prefeitura de São Paulo.

Entrevista delicada, até pela indefinição do quadro eleitoral, mas repleta de comentários vindos de um observador que faz questão de pensar com independência. Para Fausto, a dianteira nas pesquisas do candidato Celso Russomanno (PRB), a dificuldade de alavancagem de Fernando Haddad (PT), um afilhado de Lula, e a impressionante rejeição de José Serra (PSDB) têm a ver com as novas feições do eleitorado paulistano, tantas vezes rotulado de conservador. Aponta a emergência formidável de uma classe C que vai se constituindo como sujeito político, para quem o julgamento do mensalão, com seu palavrório empolado, não incomoda tanto quanto o dia a dia numa metrópole emperrada, extenuante, cujos serviços não funcionam. Assim, seria um cidadão consumidor, e não o cidadão eleitor propriamente dito, quem hoje etiqueta Russomanno como uma novidade na política. E lhe promete o voto.

Formado em direito no Largo de São Francisco e com todo um percurso acadêmico em história na própria USP, Boris Fausto é autor de um clássico das ciências sociais, A Revolução de 30, além de uma vasta obra recentemente acrescida de Memórias de um Historiador de Domingo (ed. Companhia das Letras). Na entrevista que se segue, o professor também se detém em analisar o chamado "voto religioso", atrelado particularmente às igrejas evangélicas, e em minimizar a importância do horário gratuito, com seus programas enfadonhos, onde a disputa por um minuto a mais de exposição "leva os candidatos a fazerem acordo com o diabo e a Virgem Santíssima". Independentemente do que as urnas eletrônicas poderão cravar em breve, Boris Fausto admite que o processo eleitoral em curso já está dando importantes recados à classe política brasileira. Prestar atenção será questão de sobrevivência.

A despeito da relevância da disputa que se trava, a campanha para prefeito em São Paulo resvala num debate de segunda. Ou de quinta, para muitos. Por quê?

Um pouco tem a ver com a política em âmbito municipal. Quando se vai para o plano federal, a falação, o bate-boca, as pegadinhas, isso tudo faz menos sentido. A disputa municipal convida a uma política mais localizada, mas esse aspecto também não é explicação suficiente para o que temos visto. O problema é mais complexo. Tem a ver com o fenômeno da banalização da política e a introdução do marketing nas campanhas. O marketing televisivo, principalmente esse, se transformou numa espécie de mito. O candidato faz acordos com o diabo e a Virgem Santíssima por um minuto no horário eleitoral gratuito. Mas, interessante notar, a televisão não está tendo a importância que se atribui a ela. As pessoas vêm demonstrando cansaço desses programas engessados, enfadonhos. Veja o caso do Celso Russomanno, que está na dianteira folgada das pesquisas e tem pouquíssimo tempo de exposição no horário gratuito. Você poderá dizer "ah, mas a fama dele vem do trabalho radiofônico que desenvolveu, trabalho que o ajudou a montar a imagem de defensor dos consumidores". Sim, sem dúvida, mas o desempenho dele agora não está associado diretamente à exposição na TV. Nos dias atuais a construção de uma candidatura passa por outros meios. Fora isso, o eleitorado mudou muito. Qual o sentido dos comícios hoje em dia? Especialmente numa metrópole como São Paulo, com computadores por toda parte, a internet influencia muito mais o processo, e nós precisaríamos medir melhor isso. Não se aguenta mais aquele programa eleitoral em que temas importantes passam ao largo e o candidato é apresentado apenas por suas virtudes, endossadas por alguns populares caídos do céu. Ora, ninguém quer ver isso. Ou pouca gente vê.

Por que, mesmo com a amplitude da internet, o lado paroquial da política se mantém?

Porque mesmo numa metrópole como São Paulo não se pode desconsiderar o aspecto da regionalização. Além das subprefeituras, que têm uma importância imensa do ponto de vista administrativo, ainda existem os chamados "caciques de bairro". Você ainda encontra essa figura por aí. Então é natural que se lide com reivindicações específicas, locais. Isso pode definir em parte a política paroquial, para usar sua expressão. Mas também o termo "paroquial" hoje nos remete à influência do voto evangélico, algo que avança muito nesta cidade. Tenho observado o crescimento e sei que se trata de uma experiência sociológica interessante, porém não posso deixar de apontar a manipulação das pessoas num nível muito grave ao ver os programas religiosos eletrônicos. Esse fenômeno se converte em força política, certamente. E numa força política plural, pois vão aparecendo diferentes denominações religiosas. Ainda bem que não constituem uma força monolítica! O fato é que o grau de negociação dessas igrejas com os candidatos é intenso e acaba por comprometer o discurso. Quem, com esse tipo de apoio, vai discutir direito ao aborto? Quem vai tratar de homossexualidade? Ninguém, a não ser um candidato de um partido menor, sem nenhuma chance de vitória. Os candidatos que estão no páreo são obrigados a adotar posições ambíguas ou até mesmo contrárias às suas convicções para contar com o apoio dessas igrejas. Isso gera uma distorção tremenda. Quando Russomanno falou em abrir uma igreja em cada esquina, pensei: como seria aborrecido...

São Paulo já teve administrações voltadas para obras, outras voltadas para o social e agora surge um quadro mais difuso com a emergência do chamado "voto religioso".

Estamos atravessando um período, que eu prefiro acreditar provisório, de relativa regressão política. A procura desesperada por votos imprime essa marca esquisita, como se o processo eleitoral fosse convertido numa concorrência mercadológica entre pessoas. Ao longo desse processo, figuras políticas perdem força. Havia por aqui duas correntes definidas: uma direita oportunista, Adhemar, Maluf, Pitta - eu posso não gostar deles, mas tinham uma definição - e tinha uma corrente mais social, Covas, Erundina, lembrando, contudo, que Lula não ganhou em São Paulo. Hoje a novidade vem da emergência da classe C, um contingente muito grande que, ao que parece, em boa parte está se identificando com o Russomanno. Essa classe representa uma nova figura social e infelizmente não se procurou saber ao certo em que candidato ela iria votar. Russomanno está sendo identificado não como o preferido pelo cidadão eleitor, mas como o preferido por um cidadão consumidor. O fato de ter tido processos, ter sido amigo do Maluf, isso não está contando neste momento.

O que o senhor quer dizer com esse cidadão consumidor?

Nessa febre de consumo que se vê por aí, num país tão desigual e com educação ainda tão precária, a figura do Russomanno compõe bem. Até porque existe uma grande irritação na cidade com os serviços. As pessoas vivem irritadas. Veja a rejeição à administração do Kassab, algo que está pesando sobre os ombros do Serra. Ora, se alguém aparece como paladino do consumidor, como defensor do usuário da cidade, alcança repercussão. O que se espera do administrador municipal também parece ter mudado. São Paulo conviveu durante muito tempo com prefeitos que buscavam encarnar a imagem do tocador de obras. O Adhemar de Barros dizia que São Paulo precisava de gerente. Pois ele conseguiu calar adversários justamente ao se posicionar, e entrar para a história, como o construtor do Hospital das Clínicas, muito embora quantos hospitais poderiam ter sido construídos com o dinheiro que ele levantou para fazer o HC... Maluf marqueteou o tempo todo obras que fez, muitas ainda polêmicas. Hoje a cidade se diversificou e candidato que ficar falando em construir ponte, viaduto, avenida, já não vai atrair tanto. Porque o eleitor não está preocupado com a expansão e sim com o funcionamento da cidade. Até acho bom que o discurso "tocador de obras" já não cole mais. O que incomoda as pessoas é o transporte público deficiente, o trânsito infernal, o atendimento ruim à saúde... Quem resolver esse tipo de problema não precisará, a meu ver, ser de direita ou de esquerda. Aliás, as tinturas políticas também estão se diluindo, esse é outro dado do nosso tempo. Os brasileiros perceberam que voto direto não resolve tudo, como lhes foi prometido lá trás, na redemocratização. Claro que o voto direto é bom, mas não resolve tudo. Uma parte da descrença na política vem dessa constatação inevitável.

Vamos pensar na vassourinha janista. Ou na reação das pessoas diante dos rombos financeiros dos anos Maluf-Pitta. O tema da corrupção ainda é decisivo em São Paulo?

Já que você mencionou o Jânio, talvez ele tenha sido o primeiro a perceber que o ataque à corrupção não era um movimento reacionário, nem pequeno-burguês, mas que havia campo para trabalhar politicamente a ideia. Então ele veio com as vassourinhas contra corruptos, aqueles jingles todos, ousou uma campanha interessante, ainda que altamente manipuladora. Deixou o exemplo, tanto que a campanha do Collor à Presidência, com toda a ênfase em caçar marajás, era uma reedição da ideia janista. Hoje é possível ver que tanto o tema da boa gestão quanto o do combate aos corruptos continuam significativos em São Paulo. E em outras capitais também. Mas arrisco um palpite. Mesmo com o julgamento do mensalão em curso, não creio que o tema da corrupção esteja despertando tanto interesse assim em setores da opinião pública. Talvez não vá haver uma conexão direta entre o resultado do julgamento e o resultado das urnas. Precisamente é o que eu penso. Pergunto: ao definir classe média com critérios tão rebaixados, como se tem feito no Brasil, como é que essa gente que está dando duro para melhorar um pouco de vida vai se interessar pelo que é dito naquelas longas sessões do Supremo? Eu acho o debate que se trava lá interessantíssimo, mas eu sou eu, você é você, somos uma fração da população.

Maluf posou com Lula em apoio a Haddad. Mas o malufismo parece olhar noutra direção, ou seja, para Russomanno. O senhor diria que o ex-presidente selou acordo com uma liderança oca, um Maluf sem malufismo?

Talvez. É interessante rever as razões do Maluf ao posar naquela foto nos jardins de sua casa, ao lado dos petistas. Primeiro, acho que o Maluf pensou que ainda seria capaz de arrastar segmentos da população para o candidato que ele indicaria. Depois, ele claramente quis saborear a vitória de ver o ex-inimigo entrando na casa dele, praticamente para lhe beijar a mão. Ainda se saiu com verve, e enorme cinismo, ao dizer que "direita não sou eu, é o Lula". Isso tudo deve ter lhe dado um prazer imenso. De qualquer forma, esse episódio foi esclarecedor sobre até que ponto pode ir um líder com virtudes, mas com inúmeros defeitos, como é o caso do Lula.

De onde vem toda essa rejeição ao Serra?

Serra alcança um nível de rejeição que de fato torna problemática sua eleição e faz da ida para o segundo turno uma incógnita. Pois bem, a rejeição será pelo fato de ele ter deixado a Prefeitura antes do término do mandato? Não me parece, porque depois ele concorreu em outras eleições com alto desempenho. Rejeição por que ele não é simpático? Mas ele já passou por outras eleições nas quais ninguém perguntou se ele era simpático ou não, se era careca ou cabeludo. Há quem fale em fadiga de material. Pode ser, isso de fato ocorre em política. É quando o eleitorado vai buscar o novo. O que se vê agora é um número maior de pessoas etiquetando Russomanno como novo, e ironicamente o mesmo não acontece com Chalita nem Haddad, ao mesmo tempo em que um expressivo número de pessoas etiqueta Serra como o velho. É isso, a política é feita de agonia e gozo. Insisto que tudo tem a ver com a transformação dessa nova classe social em sujeito político.

O tempo é mais de agonia do que de gozo?

Deixe-me ser um pouco mais otimista na minha fala. Aqui em São Paulo ainda vamos passar por tropeços muito grandes no que diz respeito à forma de fazer política na cidade, mas já estão lançados os dados estruturais de uma metrópole altamente complexa, que vem elevando seu patamar de educação e tem o desejo do novo. Isso, projetado num prazo mais longo, poderá ser bom. São Paulo continuará sendo uma rampa para políticos que aspiram à projeção nacional, o que é legítimo dada a importância da cidade, embora o que se vê no Brasil hoje em dia é a busca por cargos elevados com muita rapidez, no meu entender. Enfim, essa eleição haverá de nos mostrar muitas coisas. Se o Haddad se der bem, ficará evidente que o padrinho funcionou. Ou melhor, os padrinhos, pois, além de Lula, ele terá sido catapultado por Dilma, que vem construindo prestígio próprio. Se não se der bem, entra em xeque a figura do padrinho político. No plano nacional, a emergência do Eduardo Campos lá em Pernambuco, bem como o crescimento do PSB em vários pontos do país, aponta para a crise já visível do PSDB e o baixo desempenho do PT em capitais. Hoje tende a se firmar um partido, o PSB, que não se descola totalmente do projeto da presidente, mas trata de montar o seu. Veja como as eleições municipais estão sinalizando novos arranjos políticos. Quem me garante que esses dois partidos que se digladiaram tanto, o PT e o PSDB, no fundo já não entraram em crise? Falo de ambos, mesmo considerando o grande trunfo do PT, que são as benesses do poder, e ele de fato está no poder. Não só isso: o prestígio de Dilma cresce.

Analistas atribuem o quadro em São Paulo, se pudéssemos bater uma fotografia dele agora, como a afirmação do traço conservador do seu eleitorado. O senhor concorda?

Não compro a tese do conservadorismo até porque esse eleitorado mudou muito. Pense no pré-30, no anos do Estado Novo e no período seguinte. Pois bem, aquele eleitorado que era antigetulista se transforma a partir de 1945 sob o efeito da industrialização, das transformações demográficas, dos contingentes humanos que vêm de Minas, de várias partes do Nordeste... Agora já estamos falando de um outro eleitorado. Há algumas continuidades com o passado? Claro que há, mas o eleitorado vem mudando, num país que também se move muito. Hoje grupos socialmente definidos como elites sentem que perderam lugar. Veja a afluência de pessoas indo ao centro da cidade só para ver obras dos mestres impressionistas. Quando isso aconteceria no passado? São pessoas partindo avidamente para o consumo cultural e isso é bom de ver. Olha, eu posso ser utópico, mas deveríamos ter nesta cidade um plano voltado para o futuro. Um plano que fosse um consenso firmado numa determinada época, feito para atravessar algumas prefeituras, um projeto de longo prazo, intergeracional mesmo. Não seria um compromisso de governo, mas de Estado. Isso é o que precisaria ser feito, recuperando a grandeza do interesse público. Mas interesses econômicos muito fortes, como os do setor imobiliário, por exemplo, criariam dificuldades. O que vai acontecer quando se discutir o próximo Plano Diretor da cidade? Não sabemos. Que interesses vão prevalecer? Não sabemos. Apenas brincando, acho que precisaríamos de uma rainha para dizer "ninguém mexe mais nos meus jardins".

FONTE: ALIÁS / O ESTADO DE S. PAULO

Limites ao poder sem limites - Leonardo Avritzer

No atual sistema de financiamento de campanha no Brasil não existe fronteira entre o dinheiro e o sistema político. Que fazer?

Não é segredo para ninguém que há uma crise de legitimidade do sistema político brasileiro, tal como ele está organizado. O início do processo eleitoral para as eleições municipais no Brasil recoloca esse debate. Por que o sistema político brasileiro tem tão baixa legitimidade e o que fazer para melhorá-la? O principal motivo pelo qual essa crise existe decorre de uma fortíssima influência do poder financeiro nas eleições. Da maneira como o sistema de financiamento de campanha está organizado no Brasil não existe nenhum limite à influência do poder econômico sobre o sistema político. A falta de uma lista fechada determinada pelos partidos anula qualquer prioridade no sistema eleitoral e abre um caminho indiscriminado para que os candidatos mais bem financiados se tornem os majoritários. Uma vez eleitas, essas pessoas passam a defender interesses completamente particulares, tentando ou favorecer os interesses de lobbies específicos ou os próprios interesses individuais. É esse o caminho para a anulação do sistema de representação de interesses públicos e o prevalecimento do sistema de representação de interesses privados. Que fazer para mudar esse sistema?

Duas questões estão colocadas para a melhora do sistema de representação política no Brasil: a primeiro delas é o estabelecimento de um sistema público de financiamento de campanha com listas fechadas e financiamento público; e a segunda é um maior combate à corrupção com a participação da sociedade civil. Permitam-me elaborar com um pouco mais de vagar ambas as questões.

O objetivo do processo eleitoral é dar destaque a um debate de ideias que favoreça a pluralidade dos interesses e valores existentes na sociedade. Cada vez mais, vivemos sob o signo do pluralismo, isto é, sabemos que os valores e os interesses dos indivíduos variam e não há como decidir sobre qual é o melhor valor ou qual é o interesse correto. Nas sociedades plurais o que prevalece é a diversidade e o sistema político tem que ser capaz de representar essa diversidade. Esse é o verdadeiro interesse público: a pluralidade valorativa. Para que essa pluralidade se manifeste no sistema político é necessário ter um sistema no qual representantes, das mulheres, dos negros, dos grupos minoritários, dos interesses econômicos mais diversos possam se manifestar abertamente. Não é isso que ocorre no sistema político brasileiro hoje. Todos apresentam posições que genericamente são louváveis, por exemplo, a melhoria da educação, a melhoria da saúde, o apoio à juventude, entre outros. Mas ninguém representa posições que se diferenciem no sistema político. Os candidatos mais bem financiados se elegem e somente nesse momento é que fica claro quais interesses eles, de fato, representam. Essa situação nos coloca no pior dos mundos: se é para fazer lobby, o ideal é que ele seja aberto e anterior às eleições. Se é para representar interesses gerais o ideal é que esses sejam representados antes e depois das eleições. Uma pergunta relevante é: por que os candidatos não assumem a representação de interesses e valores específicos?

A resposta a essa pergunta reside no sistema de financiamento de campanha no Brasil. Ele combina representação de interesses genéricos com financiamento diferenciado. O candidato que acaba se elegendo é aquele mais bem financiado ou com uma visibilidade anterior. Os casos são bem conhecidos: Clodovil, Romário ou Tiririca representam o polo dos candidatos que já são conhecidos. Os outros se tornam conhecidos na campanha por meio do dinheiro e utilizam a aliança entre o financiamento e a possibilidade de fazer lobbies depois de eleitos. Um sistema de financiamento público de campanha com listas fechadas pode ajudar a resolver esse problema: a lista fechada hierarquiza os candidatos, diminuindo proporcionalmente o peso do dinheiro nas campanhas. É verdade que ela aumenta o peso das chamadas burocracias partidárias, mas em partidos bem estruturados e com personalidades públicas mais conhecidas, esse não é um problema. Não vou dizer que o interesse público prevaleça no interior dos partidos, mas certamente prevalece um interesse um pouco menos privado. O financiamento público serve para impulsionar candidatos menos conhecidos que podem se tornar conhecidos durante a eleição. É preciso que o sistema político apoie esses candidatos e que boas causas alcancem o Parlamento. Lista fechada e financiamento público podem contribuir efetivamente para uma melhoria do sistema eleitoral, tal como ele está organizado. Mas, enquanto eles não vêm, a questão que se coloca para a população é desconfiar de campanhas muito ricas ou de candidatos sem propostas específicas.

Por último, mais uma vez se coloca a questão do combate à corrupção. Ainda que nós melhoremos as condições através das quais o interesse público pode se manifestar no processo eleitoral, é importante perceber que o sistema político precisa estar submetido às formas de controle público para que se possa combater abusos e punir os casos de corrupção. Eu tenho defendido a posição de que nós temos muitos motivos para supor que está melhorando a capacidade do Estado brasileiro de combater a corrupção. Também temos evidências de que está diminuindo a impunidade no Brasil. Só para ficar com a conjuntura dessa última semana, podemos perceber dois fatos absolutamente inéditos na história do Brasil: o julgamento pelo S.T.F de um conjunto de pessoas que ocuparam posições de altíssimo escalão no governo federal e a devolução aos cofres públicos de uma parcela significativa dos recursos desviados na construção do prédio do T.R.T. de São Paulo. Ambos os fatos são absolutamente inéditos e são importantes para serem avaliados em perspectiva para pensarmos que o Brasil tem avançado na maneira como ele lida com a corrupção no sistema político. Não podemos pensar apenas em melhorar a qualidade do sistema político com uma série de incentivos para que ele funcione melhor e defenda o interesse da população em geral. Precisamos também criar uma série de mecanismos para punir aqueles que se aproveitam do sistema de representação para se apropriar de recursos públicos. E aqui cabe ressaltar o papel positivo a ser cumprido pela sociedade civil. Foi a sociedade civil que propôs a ficha limpa que estará em vigor pela primeira vez nas eleições de 2012. Temos, assim, um cardápio de alternativas para evitar que os interesses privatistas de espoliação do Estado prevaleçam mais uma vez. Desde propostas para pensarmos como melhorar o sistema político, a propostas para pensarmos como punir aqueles que querem se aproveitar do sistema de representação em benefício próprio. Vale a pena lembrar, no entanto, que nada substitui a capacidade do eleitor de perceber preventivamente os maus candidatos e não elegê-los.

Não é muito bom fazer, ao mesmo tempo, análise política e prescrição. Mas eu diria que para o eleitor votar com a cabeça no interesse público ele deve ter em mente três coisas: desconfiar das campanhas que parecem ser muito caras. Em geral, estas campanhas estão sendo financiadas por fortes interesses privados; fugir de candidatos que tenham condenações legais anteriores ou muitos processos na Justiça; em terceiro lugar, buscar candidatos que defendam interesses e valores específicos de forma corajosa, em vez de repetir generalidades. Quem votar assim, estará mais próximo de contribuir para a formação do interesse público.

Cientista político e professor da UFMG

FONTE: ALIÁS / O ESTADO DE S. PAULO

Nas capitais, dupla PT-PMDB está em baixa

PSDB e PSB caminham para eleger mais prefeitos do que os dois principais partidos da base do governo

Paulo Celso, Maria Lima

BRASÍLIA A três semanas das eleições, PSDB e PSB começam a se animar com a possibilidade de tomar da dupla PT-PMDB o posto de partidos que mais elegem prefeitos de capitais. O PSDB é hoje o mais bem posicionado nas pesquisas, liderando em quatro capitais (Manaus, Vitória, São Luís e Maceió) e com candidatos disputando o primeiro lugar em outras três (Rio Branco, João Pessoa e Teresina).

O PSB, do governador pernambucano Eduardo Campos, descolou-se do PT e segue de perto os tucanos, liderando em Recife, Belo Horizonte e Cuiabá e brigando pela primeira posição em Curitiba, Fortaleza e Porto Velho.

Enquanto isso, o PT só lidera com folga em Goiânia. Além disso, divide a primeira posição em Rio Branco com os tucanos e está empatado tecnicamente na liderança em Fortaleza. O PMDB está na frente no Rio, com ampla vantagem, e em Boa Vista, e divide a liderança em Campo Grande e João Pessoa.

Os dois principais partidos das últimas disputas presidenciais, PT e PSDB, estarão fora, portanto, do comando dos cinco maiores colégios eleitorais do país nas eleições de 2014.

Resultado de 2010 foi parecido

Se conseguirem tornar realidade o que apontam as pesquisas, PSDB e PSB terão nesta eleição municipal conquista semelhante à obtida em 2010, quando foram os que mais elegeram governadores: o PSDB chegou a oito governos; o PSB, a seis; enquanto PT e PMDB ficaram com cinco cada.

A situação nas capitais, entretanto, não tem relação direta com a das cidades do interior. O PT, por exemplo, vem perdendo espaço nas capitais: em 2004, fez nove prefeitos de capital, caiu para seis em 2008 e agora, por enquanto, só disputa a liderança em três. Mas avança pelo interior, nos chamados grotões. Entre 2004 e 2008, ele saltou da sexta para a terceira posição entre os partidos que mais elegeram prefeitos fora das capitais.

Dentro do PT, a expectativa é que o partido continue esse avanço rumo aos grotões. E há quem faça leitura positiva das pesquisas. O senador Jorge Viana (PT-AC) pondera.
- Se a oposição (PSDB e DEM) perder em São Paulo, ela perdeu as eleições. São Paulo é o divisor de águas. O que está havendo é que o crescimento do nosso governo se materializa com uma maior quantidade de partidos da base aliada também crescendo - diz ele. - Isso fragiliza as oposições, porque quem ganhar agora (da base aliada) será palanque nosso em 2014. É natural que o partido mais sacrificado seja o PT, mas a expectativa é que nas cidades do interior nossa performance siga melhorando. É o partido da Dilma e do Lula. Seguimos tendo os dois melhores cabos eleitorais.

Oito partidos da base lideram

De fato, é ampla a liderança dos partidos da base governista na disputa pelas capitais. Hoje, 13 partidos dividem a liderança das disputas nas 26 capitais. Oito deles são da base do governo e dois se declaram independentes, mas costumam acompanhar as orientações do Planalto. PSDB, DEM e PSOL, juntos, ganham a disputa com folga em seis capitais e dividem a dianteira em cinco.

A preocupação do Planalto, portanto, está hoje mais nas consequências pós-eleitorais das divisões entre os partidos de sua base. O clima entre PT e PSB, por exemplo, piora a cada dia. O caldo entornou depois do rompimento das alianças que mantinham em Recife, Fortaleza e Belo Horizonte, e o resultado desses embates ainda é uma incógnita.

Integrante da executiva do PSB, o ex-ministro Ciro Gomes é hoje um dos mais ácidos críticos do PT. Diz que o PT se aproxima cada vez mais de partidos de centro, como PMDB:

- O PSB não desertou da luta. Na eleição passada, mesmo sacrificando meu pescoço - e eu concordei com isso -, o partido elegeu seis governadores. Não há nenhum quadro relevante do PSB envolvido nos grandes escândalos. E o povo percebe isso. O PT desertou das causas do povo brasileiro e resolveu se tornar um partido tradicional. Acha que pode fazer qualquer desatino baseado no fato de que o povo gosta de Lula.

Os tucanos comemoram o resultado obtido até agora. O presidente, deputado Sérgio Guerra (PE), diz:

- Os candidatos do PT são muito fracos, e Lula não tem mais o mesmo apelo de antes. Por isso, apelaram para Dilma. Só que ela pode sair derrotada ao associar seu nome a candidatos que vão perder.

Principal parceiro do PT, o presidente nacional do PMDB, Valdir Raupp, ainda acredita em virada na reta final:

- Nós, no PMDB, também temos candidatos que só estão decolando agora. O candidato tem o momento de cair nas graças do povo.

FONTE: O GLOBO

PT amarga papel de coadjuvante no NE

Nas eleições deste ano, partido não aparece bem na sucessão em oito capitais da região – não disputa em Maceió (AL) –, e corre o risco de perder no Recife e Fortaleza

Ana Lúcia Andrade

A região que se mais se “curvou” à popularidade do ex-presidente Lula, o Nordeste, e que elegeu sua sucessora Dilma Rousseff com 18,4 milhões de voto, não simpatiza com o PT nestas eleições municipais. O partido cumpre um papel de coadjuvante na disputa das nove capitais nordestinas. Não aparece bem na sucessão em oito delas, não disputa em Maceió, capital do Estado de Alagoas (veja quadro), e corre o risco de perder o comando das duas únicas prefeituras que comanda na região: Recife e Fortaleza. As variáveis para explicar o “fenômeno” guardam relação com a realidade política de cada localidade, certamente. Mas fatores extramurais, relacionados diretamente com a sucessão presidencial de 2014, também expressam o papel secundário que o PT cumpre nas disputas das capitais nordestinas.

Os dois governos Lula (2003-2010) colocaram o Nordeste “no colo”. Em fatores digamos “assistencial” e “assistencialista” a região aparece novamente na lista de números expressivos que provam a atenção da gestão do PT para com os nordestinos. Peguemos dois deles: o emprego formal e a distribuição do Bolsa-Família. Dados do Ministério do Trabalho indicam um crescimento do emprego formal no Nordeste na gestão do ex-presidente de 5,9% entre 2003 e 2009, superior à taxa registrada em todo o Brasil, que foi de 5,4%, e à da região Sudeste (5,2%). De recursos do Bolsa-Família, Lula liberou para a região R$ 23 bilhões em 2008, cujo impacto na arrecadação de tributos alcançou a casa dos R$ 17 bilhões. Por que então o PT não anda às boas com os nordestinos nessas eleições?

Quando finalmente chegou à Presidência da República, reconduziu-se ao cargo, e elegeu bem sua sucessora, o ex-presidente Lula consolidou uma popularidade sem precedentes. Um esforço resultante de sua ação como gestor e como líder político, não por obra de uma articulação do seu partido, o PT. Essa separação ficou tão nítida, acentuada pelo próprio Lula com os instrumentos de poder de que dispunha, que especialistas incorporaram ao dicionário político os verbetes “lulismo” e “petismo”, estabelecendo um antagonismo entre ambos. Essa talvez tenha sido a eleição em que Lula menos atuou pelo País desde sua primeira eleição para presidente. A luta contra o câncer, claro, impôs limites rígidos às suas andanças e esse “distanciamento” talvez tenha reservado ao ex-presidente e a tudo que fez, nesta eleição, um lugar apenas na memória dos nordestinos.

Pragmaticamente ou não, os eleitores resolveram dar um crédito aos candidatos de outros partidos, mesmo sendo a maioria de legendas que não integram o grupo de aliados do ex-presidente (veja quadro). Habilmente, nenhum deles se vestiu de anti-Lula. Estratégia que, somada à ausência do ex-presidente, que se voltou integralmente para a eleição de São Paulo, porque já avista a sucessão presidencial de 2014, gerou nas capitais do Nordeste uma disputa estritamente focada nas questões municipais. E no jogo local, as pesquisas indicam que o PT tem encontro marcado com a derrota as urnas de outubro.

PSDB lidera em quatro capitais da região

Partido carimbado de “antinordestino” e tido como o mais “paulistano” das 30 legendas existentes no Brasil, o PSDB é quem lidera a sucessão nas capitais do Nordeste nas eleições municipais deste ano. Das nove localidades, quatro têm um candidato tucano em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto (veja quadro). O frágil Democratas, para o qual a eleição de 2012 está sendo posta como um divisor de águas à existência da legenda, aparece em segundo lugar na disputa pelas prefeituras das capitais nordestinas.

O PSB do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, líder partidário que mais incumbiu as eleições municipais deste ano do serviço de dar vazão às suas pretensões políticas nacionais, só aparece liderando a disputa da capital do seu Estado: Recife. Está ativo no jogo, ocupando o segundo lugar, em Aracaju e Fortaleza. Cenário aparentemente tímido para quem se mexeu como se mexeu muito antes da disputa começar pra valer. Mas a ação direta do socialista na formação dos arranjos eleitorais pelo País afora, e principalmente no Nordeste onde ele pretende se sagrar representante político, pode resultar em caminhos “abertos” para as aspirações futuras do presidente nacional do PSB.

FONTE: JORNAL DO COMMERCIO (PE)

Teresa Cristina e Grupo Semente - Pra que discutir com Madame

Quadrilha – Carlos Drummond de Andrade

João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou pra tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.